Sua marca? Quando der tempo.

Sua marca? Quando der tempo.

Apesar de ter me graduado em Publicidade e Propaganda, sou um ferrenho crítico do marketing não mensurado, das verbas institucionais, da comunicação tratada como algo desconectado de métricas básicas, como o volume de vendas dos seus produtos e serviços. Sempre falei com meus sócios: “se marca fosse sinônimo de um grande negócio, teríamos grandes empresas fadadas ao fracasso”. Quantas marcas ruins em empresas multinacionais vemos por ai? Negócio é mais amplo. Tem o produto, a distribuição, o arranjo de capital, o tamanho do mercado, o talento da equipe, o trabalho duro e até a sorte.

OK, ao mesmo tempo, adoro acompanhar designers no Dribbble. Especialmente aqueles que desenvolvem logomarcas. Me divirto horas na internet vendo os mais diversos desenhos, formas e cores. É um “hobby” há muitos anos. E foi por esse motivo que até me arrisquei a criar a logomarca do Runrun.it nos seus primeiros anos de vida. Era apenas uma necessidade de colocar alguma “logo” lá na página inicial do site. Nada muito pensado. O Runrun.it era apenas um “pet project” na virada de 2009 para 2010. Estávamos todos muito envolvidos no crescimento de nossa empresa anterior, a Aorta. Em casa, nos finais de semana, me debruçava no código do que se tornaria o Runrun.it e a marca foi deixada pra escanteio.

Em 2012, no entanto, a Aorta foi vendida e passei a me dedicar com mais afinco ao código para que ele se tornasse um produto, já que alguns amigos estavam solicitando a utilização “daquele sistema de pessoas que você usava na Aorta”. Imaginei, então, que precisaria dar uma “melhorada” naquela marca inicial. Como eu era o departamento técnico e o marketing ;-), procurei na internet algo como “técnicas de Photoshop”, escolhi uma fonte desses sites gratuitos e me aventurei numa nova logo. (usando a Lobster com bastante outline, shadows e tudo o que eu tinha direito).

No segundo semestre de 2012 o Rurun.it recebeu seu primeiro aporte dos anjos e ex-companheiros de Aorta, Patrick e Antônio Carlos. Viramos uma empresa de três pessoas e começamos a testar o produto com um volume maior de usuários. Mais pessoas usando, mais críticos à sua logomarca, claro. “Quanto outline, quanta sombra…” E, quando deu tempo, na virada de 2012 pra 2013, tirei todos os balangandãs e deixei apenas a fonte Lobster lá, bem vermelhona.

E 2013 veio com a chegada de dois novos sócios de peso: Monashees Capital e 500Startups. Precisávamos agora lançar esse produto para o mercado. Ver seu real valor para um volume ainda maior de empresas. O turbilhão começou: contratações, escritório, lidar com a CLT e tudo o que os empresários brasileiros conhecem bem. Mais pessoas usando, mais críticos à sua logomarca, claro. “Puts, e essa Lobster? Como o cara tem coragem de usar isso em 2013?”. Mas não dava tempo, precisávamos provar que existia valor no negócio, estruturar a empresa para atender clientes na casa dos milhares.

Porém, 2014 chegou. Empresa mais estruturada, equipe produzindo a mil por hora. Uma busca no Dribbble e bingo! Achamos a Claire. Uma artista parisiense, que mora na Inglaterra e que tem um trabalho fantástico de fontes criadas à mão (veja bio completa abaixo). Depois de convencer a todos que agora dava tempo de pensar um pouco na marca, começamos o trabalho de evolução da logo. Quando digo “evolução” é porque não queríamos quebrar demais, já havíamos investido algum dinheiro para a construção da marca e queríamos manter um aspecto mais leve, sem parecer corporativo demais. Estamos começando a crescer internacionalmente e mais publicitários vão acabar usando nosso produto. As críticas à Lobster viriam de todos os lados. Leste europeu, Wisconsin, Vila Madalena… Deu tempo. Nossa nova logo está no ar, feita à mão, por uma artista que nós admiramos muito. Agora, voltemos ao chão de fábrica. Trabalhar muito pra empresa, ao redor da logo, crescer. Abraços!

franklin valadaresFranklin Valadares

Co-fundador do Runrun.it

evolucao_logo_runrunit
 
 
Bio de Claire Coullon

Claire Coullon é designer gráfica independente, tipógrafa e produz fontes à mão livre. Nasceu em Paris, mas cresceu na Europa e no Oriente Médio antes de estudar Arte e Design na Inglaterra. Nos últimos seis anos, ela se dedica ao Op45, estúdio de design do qual é sócia. Neste tempo, viveu em Bruxelas, York, Praga e Paris. Seu trabalho é focado nas marcas escritas, usadas para diferentes fins. Ela explora os estilos tipográficos e como as características das fontes podem despertar diferentes ideias, impressões, tons, sensações, entre outros.

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