Autocrítica construtiva: exercite-se em 3 passos

Autocrítica construtiva: exercite-se em 3 passos

Pablo Picasso conhecia a debilidade e a resiliência humanas e as retratou, para além de seus quadros, com um verso: “Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.” Ou seja, as pessoas enxergam o mundo a partir de si mesmas. Mas, e quando devo julgar mais do que o outro? Para onde olhar quando devo julgar a mim mesmo? A autocrítica, à semelhança da crítica, demanda clareza e gentileza. Se dura demais, paralisa. Quando rara, torna você um colecionador de chances passadas.

Estamos habituados demais com a nossa própria imagem, o nosso rosto, as nossas palavras e a crítica imediatista ao outro. Mas se quer compreender a si mesmo, mais do que olhar e falar, observe como os outros se comportam, falham e conquistam. Curiosamente, reparando no outro você pode fazer belos consertos em você mesmo.

1. Espelho contra espelho

O que acontece quando um espelho é posto contra outro? Reflexões que tendem ao infinito. Isso é o que acontece quando resolvemos nos confrontar e fazer uma autocrítica. O que refletimos se confunde entre o que temos diante de nós e até mesmo o que está detrás de nós. Ou seja, o nosso julgamento tende a se perder entre o que já pensamos de nós mesmos e o que podemos pensar, mas ainda não concebemos.

Agora que notamos quão múltipla pode ser nossa própria imagem, e o que é uma autocrítica, vamos ao próximo passo: como autocriticar-se.

2. Um sanduíche

Um elogio + Uma crítica + Um elogio. De 3 simples partes é composta a crítica mais inteligente e promissora que você pode fazer sobre si mesmo e sobre qualquer outra pessoa por quem você tenha consideração.

Ser capaz de criticar a si mesmo é ver defeitos e imperfeições que nem sempre são importantes e merecem atenção. Autocrítica irrestrita e irrefletida tende a ser feita por quem tem crenças limitantes sobre vários aspectos da vida. Ser capaz de perceber a si mesmo por meio de prós e contras coerentes é sim uma estratégia que, inclusive, pode ser aperfeiçoada com treino. Veja a seguir.

3. Um exercício

a) Siga o exemplo e depois preencha com seus dados

  • Situação: Luís recebeu o prêmio de funcionário do mês, e (como sempre) ele veio dizer como é melhor do que eu.
  • Pensamento auto-crítico: Ele está certo, eu sou um perdedor. Não só no trabalho.
  • Consequências (sentimentos e comportamentos): Tenho raiva de mim e quero fugir daqui. Quando estou no trabalho, tudo quanto penso é como eu sou ruim, o que me faz sentir mal e produzir menos.
  • Resposta racional: Luís trabalha há dois anos na mesma empresa. Eu comecei lá três meses atrás. Daí, faz sentido que ele entenda melhor os processos internos e, portanto, produza mais do que eu. Não significa que eu sou um perdedor. Quanto mais eu me envolver no trabalho, melhor eu vou ficar. E mesmo que eu nunca seja tão produtivo, eu ainda vou poder aprender muito com ele. Além disso, minha vida não é só trabalho. Eu, por exemplo, sou bem talentoso na cozinha.

Se você percebe que é demasiado crítico consigo mesmo, vale a pena tentar. Ao realizar esse exercício por várias vezes, as pessoas são capazes de reformatar sua autocrítica e de adquirir a habilidade de se avaliarem naturalmente.

b) Critique comportamentos, não atributos

Um comportamento eu posso mudar, um atributo não. Pensar que não sou inteligente, que não sou talentoso o bastante não vai desencadear senão consecutivas tristezas e nenhuma resolução. E a tristeza, cuidado, é um vício. Em vez disso, posso raciocinar assertivamente: “Fiquei acordado até tarde assistindo a filmes enquanto devia estar dormindo – para acordar descansado amanhã para o trabalho. Da próxima vez, eu poderia diminuir meu tempo na frente da TV.” Percebe como assim você se sente melhor? Não é em vão: ao contrário do que julgava, você está comprovando sua inteligência, cumprindo sua autocrítica sensata e honesta.

c) Foque o contexto

Tomemos este exemplo da TV. Por que fiquei acordado até tarde, quando deveria estar dormindo ou até mesmo estudando para o meu novo projeto na empresa? Se meus amigos estavam estourando pipoca e assistindo a uma maratona de filmes, de fato, só o trabalhador mais firme seria capaz de resistir.

Qual é o ponto? Compreender minhas fraquezas para evitar tentações e resultados dos quais eu não me orgulhe. “A consciência da influência de fatores externos, como a pressão dos colegas, pode realmente nos ajudar a tomar decisões mais saudáveis. Se acreditamos que somos invulneráveis a pressões externas, ficamos mais susceptíveis a ser surpreendidos por elas.”, escreve a doutoranda Juliana Breines, em seu artigo “Four Ways to Constructively Criticize Yourself”

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