Reclamar é terrível para você, de acordo com a Neurociência

Reclamar é terrível para você, de acordo com a Neurociência

Um antigo desenho animado dos anos 1960, “Lip the Lion and Hardy Har Har”, representava um leão ‘alto-astral’ sempre otimista e achando que tudo vai dar certo, junto de seu companheiro, uma hiena queixosa, pessimista, sempre repetindo “Ó vida! Ó azar! Não vai dar certo…! ”. Você se identifica com algum deles? Pois saiba que embriagar-se na negatividade traz consequências terrivelmente sérias para a sua saúde física e mental. Para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Pelo menos, isso é o que dizem pesquisas da Neurociência.

Mas, afinal por que as pessoas se queixam?

Não é para torturar os outros com insatisfação e negatividade, isso com certeza. Quando a maioria de nós sente algum desconforto, a ideia de “desabafar” é muito acolhedora. A ciência, no entanto, sugere haver algumas falhas graves neste raciocínio. Expressar a raiva reclamando não tende a nos fazer sentir melhor, e ainda faz com que nossos ouvintes também se sintam mal. “Parece uma boa ideia, mas é absolutamente errado”, explica Stephen M. Kosslyn, ex-presidente do departamento de psicologia da Universidade de Harvard.

Para o psiquiatra, Dr. Mario Louzã, pós-doc em saúde mental pela Universidade de Würzburg (Alemanha), a hiena-personagem queixosa, pessimista, representa o que é diagnosticado como Distimia, uma depressão de longa duração, em geral leve, porém constante na vida da pessoa, de modo que ela não tem vibração, mostra-se sempre desanimada, sem capacidade de apreciar o que está vivenciando, e naturalmente, reclamando com frequência. Além do pessimismo crônico, não consegue sentir prazer no que faz, às vezes mostra-se irritável no convívio com os outros. Os prejuízos para o desenvolvimento pessoal e profissional da pessoa são vários.

Como nos demais quadros depressivos, do ponto de vista da teoria da terapia cognitiva (ou terapia cognitiva comportamental, TCC) o distímico apresenta uma distorção no modo de pensar, que tem sempre um viés negativo. “Este viés negativo envolve três aspectos: uma percepção negativa de si mesmo (‘não valho nada’), do meio-ambiente (‘ninguém me valoriza’) e do futuro (‘nada vai mudar’).” Esses três aspectos do pensamento irracional negativo compõem o cerne do quadro depressivo distímico do ponto de vista da TCC, explica o Dr. Mario Louzã.

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A proposta da TCC é corrigir esse viés cognitivo, buscando que o paciente se dê conta dos pensamentos negativos e procure corrigir essa distorção. Com isso se fortalece a ‘positividade’ do pensamento, abrindo espaço para a melhora da percepção.

Insatisfação por osmose

Uma pessoa caracterizada pelo pessimismo, que reclama constantemente tende a ‘contaminar’ as demais pessoas com que convive por meio de um fenômeno da cognição social denominado ‘Empatia’. A base neurobiológica da empatia está provavelmente ligada a um sistema neuronal conhecido como “neurônios-espelho” (‘mirror neurons’).

Estes neurônios disparam em um indivíduo pela observação de um determinado comportamento em outro indivíduo, gerando uma espécie de ‘imitação’ do comportamento. “ Esse sistema de reconhecimento das intenções e emoções do outro é fundamental para o convívio social em várias espécies”, diz o psiquiatra.

Por isso, quando vemos alguém experimentando uma emoção (seja raiva, tristeza, felicidade etc), o nosso cérebro ‘experimenta’ essa mesma emoção de imaginar o que a outra pessoa está passando. 

E ele faz isso ao tentar disparar as mesmas sinapses, para que você possa tentar se relacionar com a emoção observada. Esse é basicamente o princípio da empatia – como a felicidade contagiante em festivais de música. Resumidamente, se você quer fortalecer sua capacidade de positividade e enfraquecer seu reflexo para melancolia, cerque-se de pessoas otimistas.

Você é quem sai perdendo

Portanto, não apenas com seus próprios pensamentos negativos, mas também ao entrar em contato da negatividade dos outros.

OK, então reclamar é ruim para o seu humor e para o humor de seus amigos e colegas, mas isso não é tudo que há de errado com a negatividade recorrente. Em Psych PediaSteven Parton, um estudioso da natureza humana, explica como o ato de reclamar não só altera o seu cérebro para o pior, mas também tem graves repercussões negativas para sua saúde mental. Na verdade, ele chega a dizer que “queixar-se pode literalmente te matar”. Aqui estão duas maneiras em que reclamar pode te prejudicar:

1. Sinapses que disparam

Esta é uma das primeiras lições que os alunos aprendem em Neurociência, de acordo com Parton. “Ao longo de seu cérebro há uma coleção de sinapses separadas por um espaço vazio chamado de fenda sináptica. Sempre que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma substância química através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte sobre a qual um sinal elétrico pode cruzar, transportando as informações relevantes que você está pensando”, explica Parton.

“Cada vez que a carga elétrica é acionada, as sinapses crescem mais próximas e em conjunto, a fim de diminuir a distância que a carga elétrica tem de atravessar. O cérebro se altera fisicamente para tornar mais fácil e mais provável que as sinapses adequadas compartilhem o link químico.” Ou seja, ter um pensamento facilita tê-lo outra vez. O que não é nada bom para quem tem pensamentos negativos, que fica cada vez mais propenso a ter pensamento ainda piores – e de forma cada vez mais aleatória, andando pela rua, por exemplo.

Pensar negativamente de vez em quando começa a te tornar uma pessoa negativa. Em compensação, pensamentos positivos também abrem terreno para pensar positivo novamente. E agora? Quando chegar o momento de formar um pensamento, você já sabe que vencerá aquele que fizer a travessia entre neurônios mais rapidamente. E os negativos, infelizmente, parecem ter rodinhas.

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2. Reclamar é terrível para o seu corpo também

Quando o seu cérebro está disparando sinapses negativas, está também enfraquecendo seu sistema imunológico; você está aumentando sua pressão arterial, aumentando o risco de doenças do coração, obesidade e diabetes, e uma infinidade de outras doenças. O principal culpado é o cortisol, também chamado de ‘hormônio do estresse’.

“Numa situação de estresse, as glândulas adrenais passam a produzir os hormônios do estresse (cortisol, adrenalina e noradrenalina) e o resultado no organismo é: ganho de peso, aumento da frequência cardíaca, aumento da glicemia, diminuição das atividades do trato gastrintestinal, contração do baço (de forma a expulsar mais hemácias, aumentando a oferta de oxigênio aos tecidos), diminuição do sistema imunológico… A lista continua, adverte Parton”.

Um pouquinho de otimismo, por outro lado, faz bem para o coração. Um outro estudo, este da Universidade de Illinois, concluiu que um indivíduo otimista tem o dobro de chance de ter um coração saudável do que um pessimista. Foi analisada a saúde de 5.100 adultos com idades entre 45 e 84 anos.

Faz mal para a sua saúde mental, faz mal para a sua saúde física, então chega de reclamação. Combinado?

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