Desistir nem sempre é covardia

Desistir nem sempre é covardia

Por Sílvio Celestino*

Um executivo de uma empresa de comunicação me falava sobre as transformações sofridas pelo setor e sua luta para continuar no cargo. A angústia estava em sentir que ainda tinha muito tempo de vida pela frente e que precisava ter renda até lá para cuidar de sua família. No entanto, o setor estava encolhendo as receitas e a competitividade cada vez mais crescente. Ele não tinha mais energia para continuar a lutar por seu posto, que estava sob severa crítica, em função dos baixos resultados.

Não bastasse isso, outros executivos, que no tempo das vacas gordas eram exemplos de ética, agora, nas vacas magras, tornaram-se bandidos. Prontos para puxar seu tapete e prejudicá-lo, se fosse preciso, para manter seus cargos e polpudos salários.

Pensando sobre isso, concluo que o pior que pode acontecer a você não é a derrota, mas lutar até o fim uma luta claramente perdida. Nenhum enxadrista joga uma partida até o último lance. Ao perceber a impossibilidade de vitória, ele derruba seu rei, cumprimenta o adversário, assimila a derrota e se dedica à próxima partida.

Desistir nem sempre é covardia. É crucial conhecer as batalhas que devem ser travadas até o fim e aquelas que devem ser abandonadas. Você tem de saber que o ponto mais alto de sua carreira, a grande guerra a vencer, não é tornar-se presidente da empresa. Mas, sim, ser independente financeiramente. O dinheiro só é belo quando liberta.

É normal, em setores e empresas em declínio, a batalha por cargos se tornar uma luta corpo a corpo. Quando a disputa por um cargo se transforma em um vale-tudo, a vitória não vale a pena. Melhor buscar outras batalhas. Por isso, você deve sempre criar mais e mais oportunidades. Tanto na empresa em que está quanto no mercado. Não deixe para se envolver com as pessoas e ser solícito(a) só quando estiver desempregado(a). Converse com gente de outras empresas, de outros segmentos, inclusive, que possam lhe servir de alternativa de carreira. Nunca se sabe o dia de amanhã.

Faça o que for necessário para se alfabetizar financeiramente. Não é o quanto você ganha que interessa, mas o quanto preserva ao longo do tempo. É isso que faz enriquecer. Aprenda a investir e a gerar renda com seus investimentos. Depender de salário, no longo prazo, não é uma boa estratégia.

Precisamos pensar em como nos sustentar, mas, principalmente, em como crescer e deixar nossa riqueza para as gerações futuras, e não a conta de nossa aposentadoria. Essa batalha sempre valerá a pena.

* Autor do livro Conversa de Elevador – Uma Fórmula de Sucesso para sua Carreira, Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching. No Twitter: @silviocelestino. Visite: http://www.alliancecoaching.com.br e http://www.facebook.com/AllianceCoachingBrasil.

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