“A resiliência, mantendo um espírito fresco e inovador, precisa ser prioridade de todo gestor criativo” – Fernanda Guimarães

“A resiliência, mantendo um espírito fresco e inovador, precisa ser prioridade de todo gestor criativo” – Fernanda Guimarães

Mutato atua com clientes que geram grande buzz nas redes sociais, como Avon, Coca-Cola e Netflix. A partir das campanhas digitais dessas marcas, também é possível entender o posicionamento da empresa. Se o trabalho da agência ajuda no discurso de diversidade e empoderamento (como é o caso da Avon), é provável que isso só seja possível pela cultura da empresa – em que uma das ações internas recente foi a criação de um Comitê de Diversidade.

Fernanda Guimarães, Diretora Executiva de Criação, é quem atua à frente da gestão dos criativos, tanto na estrutura da agência quanto de produtora – são cerca de 30 profissionais fixos, mais os freelancers alocados por projeto. Há dois anos na Mutato, ela conta aqui seus desafios na rotina dinâmica de agência e sobre a necessidade do mercado em avançar na questão da diversidade.

A conversa com Fernanda Guimarães faz parte da série “Meu Trabalho”, de entrevistas exclusivas para o blog do Runrun.it.

Fernanda Guimarães - Meu trabalho

1. Como é a gestão de criativos? Vocês têm processos estabelecidos?

Temos uma reunião semanal de criação. Nela trocamos referências, cada um fala por 10 minutos sobre um projeto que está executando e convidamos outras áreas para trazer insights. O resto da semana é uma troca minha com o time, de forma mais individual. E a minha meta, para conseguir participar de tantos projetos simultâneos, é que o time sempre me envolva a tempo de eu ser uma contribuição e não um obstáculo de aprovação. Ou seja, não como um pré-cliente, mas como uma peça que faz parte do time de concepção.

2. Quantas reuniões você faz por semana, em média?

Não consigo calcular, são muitas.

3. E com quantos clientes você interage?

Com todos da agência, mas sem conseguir ser tão pessoal como gostaria em função do volume de trabalhos que criamos todos os dias. Alguns clientes podem ficar com a sensação de que não estou no dia a dia, mas quando não estou em contato direto, estou vendo absolutamente tudo que sai do time.

4. O que você considera como principal desafio em sua função?

Gestão criativa é um desafio sem tamanhos. Estamos mexendo com ideias e, por mais que a teoria nos diga diferente, a prática é de que ficamos desestimulados quando uma ideia não é valorizada ou aprovada. A resiliência no pensamento criativo, mantendo um espírito fresco e inovador, é uma equação que precisa ser prioridade de todo gestor criativo.

5. Como é o seu ambiente de trabalho na Mutato? O que considera importante para que todos trabalhem bem?

Prezamos por um ambiente descontraído, horizontal e, ao mesmo tempo, acolhedor, que dê espaço para as pessoas crescerem. A gente nem sempre acerta, até porque temos de conciliar nosso jeito de ser à realidade do mercado, dos clientes e do contexto que o mercado vive, que é de transformação profunda. Mas posso dizer que o ambiente e a cultura da Mutato são um privilégio no mercado publicitário. Tenho certeza de que isso faz parte da decisão dos talentos quando se candidatam para trabalhar aqui e o que mais mexe com eles quando recebem uma proposta para sair.


“Temos de conciliar nosso jeito de ser à realidade do mercado, dos clientes e do contexto que o mercado vive, que é de transformação profunda.”


6. E o que é essencial para a cultura de uma agência?

A Mutato é bastante horizontal, com muita autonomia e com uma cultura única. Tem também uma capacidade de adaptação muito rápida a mudanças de mercado. Sem querer “puxar a sardinha para o nosso lado”, mas acho que somos um espelho para o que esperamos do resto do mercado daqui pra frente.

>> Leitura recomendada: Cultura organizacional em agência não é só missão, visão e valores. É vantagem

7. Você tem algum atalho de produtividade?

Sou de uma geração que se chegava num título olhando pro Word em branco e escrevendo 100 pra chegar em um. Hoje em dia vejo que os insights e estímulos estão em todos os lados, para o bem e para o mal. No Facebook, em minutos, você consegue ter um insight de um pensamento divertido, mas pode também se perder navegando ali sem rumo e não chegar em nada. Não acredito em dicas ou atalhos, mas em disciplina e autoconhecimento. Depois de algum tempo de carreira entendemos sozinhos como funcionamos melhor.

8. O que você enxerga como principais tendências de trabalho na indústria criativa?

Funcionários autônomos e remotos em suas especialidades. Tenho encontrado inúmeros profissionais que não têm interesse em vagas fixas, seja pro braço de agência ou de produção da Mutato. Isso certamente vai moldar a indústria criativa, é uma tendência sem volta.

9. Alguma dica para quem está começando nessa área?

Seja profissional, sério e comprometido. Uma ideia pode não agradar a um cliente ou a algum chefe, e isso passa, mas certamente todos vão querer um profissional com essas qualidades no time. Ser aberto a feedbacks também é essencial.

10. O que mudou na sua rotina e no fluxo de trabalho nos últimos 5 anos?

A produtividade e rapidez aumentaram muito com os celulares e todos olhando para e-mails e grupos de WhatsApp de trabalho o tempo todo. Ao mesmo tempo, cai um pouco a qualidade de resposta, sendo sempre imediata e menos ponderada. E, claro, tendemos a chegar mais rápido ao esgotamento e desbalanceamento entre vida pessoal e profissional – algo que, neste mercado, é sempre questão de debate.

11. A diversidade – tanto no ambiente no trabalho quanto na representação da publicidade – é um tema cada vez mais forte para o mercado. Você acredita que as agências têm avançado nisso, incluindo mais e mudando discursos?

Vimos um movimento muito positivo de parte da nossa equipe no início do ano, totalmente de baixo para cima, nesse sentido. Graças a eles, hoje temos um Comitê de Diversidade que tem um papel fundamental de trazer à tona pautas importantes, destacando pontos de atenção sobre o que deve ser transformado para que se crie um ambiente efetivamente mais diverso. E temos sentido que discursos mudam mais rápido que estruturas, especialmente em nosso mercado. Quando lemos sobre o tema, parece que a questão está resolvida – mas, do nosso ponto de vista, ainda há muito a ser feito.

Há avanços, mas depois de tantos anos de perpetuação de desigualdades, continuamos longe, bem longe, do ideal. O mesmo eu diria pras marcas. Começamos agora a tocar nesse assunto com seriedade, mas o movimento contrário – muitas vezes culminando em discurso de ódio – também assusta. É um caminho sem volta, mas definitivamente não sem obstáculos.


“A Mutato criou um Comitê de Diversidade, que tem um papel fundamental de trazer à tona pautas importantes, destacando pontos de atenção sobre o que deve ser transformado para que se crie um ambiente efetivamente mais diverso.”


12. O que você fazia há 15 anos que não faz mais? E o que faz hoje e nem era pensado naquela época?

Há 15 anos, assistia a infinitas fitas VHS de premiações antigas para ter ideias (risos). Hoje, aprovo filmes no celular, enquanto estou chegando na agência de metrô.

13. Como você se vê profissionalmente em 5 anos?

Adoro pensar nisso, mas os caminhos são muitos e não consigo escolher uma opção. De toda forma, o que é certeza é que espero que esteja sempre me reinventando, me questionando e aprendendo.

14. O que você faz para tentar equilibrar vida profissional e pessoal?

Tenho um filho de 1 ano e meio e os hobbies dele são os meus, atualmente. Todo tempo que tenho fora do trabalho eu dedico a ele. Além de ser uma delícia, é tudo que não consigo fazer: exercício físico (ele não para um minuto) e meditação (você esquece de tudo).

15. Que conselhos você daria ao seu ‘eu’ de 10 anos atrás?

Li recentemente um texto sobre questões que ainda são estigmatizadas para mulheres profissionalmente, como networking, ambição, relação com dinheiro, contundência no ambiente de trabalho. Isso mexeu bastante comigo. Se eu pudesse me dar um conselho há 10 anos, diria para que eu prestasse atenção a esses pontos. Mulheres podem ser apenas profissionais. E não precisam ser pra sempre “mulheres profissionais”, preocupadas em aparar todas essas arestas.

>> Leitura recomendada: Cultive a diversidade de gênero em sua empresa para alcançar melhores resultados

 


Gestão alinhada com o futuro do trabalho

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One thought on ““A resiliência, mantendo um espírito fresco e inovador, precisa ser prioridade de todo gestor criativo” – Fernanda Guimarães

  1. A instantaneidade da resposta versus a sua pertinência é uma questão que sempre me ocorre. Mas sei que esse é um caminho sem volta. Pobres das figuras públicas, as maiores vítimas da disseminação imediata de eventuais tropeços no sentido literal e no figurado também.

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