Quantos inimigos você tem?

Quantos inimigos você tem?

Por Sílvio Celestino*

“Bem feito!”. Assim se referiu um executivo que conheci a uma de suas maiores clientes, denunciada por fraude. Bem feito? Questionei se o caso não afetaria seu faturamento. Concordou, mas acreditava que era importante que aquela empresa fosse a algum momento prejudicado para deixar de ser arrogante. O que ele tinha a relatar sobre ela eram só críticas: respondiam somente aos e-mails que lhes interessavam, não atendiam ao telefone e, com frequência, interrompiam o pagamento, alegando problemas que nunca existiram. O que tirei dessa história foi: o pior que uma empresa ou um profissional pode fazer para si é criar inimigos. Em outras palavras, motivar pessoas a comprometer o seu sucesso ou simplesmente torcer por seu fracasso.

Apesar das fraudes causarem um desastre para a reputação de empresas e pessoas, há situações mais discretas que também as prejudicam muito. Por exemplo, percebo áreas de compras e de finanças que literalmente destroem todo o esforço do marketing, destratando seus fornecedores, parceiros comerciais e, nos casos mais graves, seus próprios clientes. Especialmente empresas que estão atravessando uma fase de muito sucesso e crescimento veem a presunção lhes subir à cabeça.

A vida empresarial, no entanto, é formada por ciclos. Se, para as marcas, a arrogância é um grave defeito, para os profissionais ela é fatal para a carreira. Afinal, se você desconsidera outras pessoas e perde seu emprego dificilmente contará com a ajuda de seus ex-colegas de trabalho, fornecedores e clientes. E, o que é pior, seu nome no mercado pode ficar associado a comportamentos inaceitáveis, que só eram tolerados devido ao poder do seu cargo.

Conheci o presidente de uma empresa que foi demitido aos 65 anos. Quando iria imaginar que isso lhe aconteceria? Ao menos, havia acumulado dinheiro suficiente para nunca mais ter de trabalhar e, portanto, poderia curtir a família e os amigos. Mas que família? Havia se separado da esposa e casado com uma mulher, que também o abandonara após alguns anos. E, como tratava muito mal seus clientes, fornecedores e empregados, ao ser demitido passou a ser recusado por todos aqueles que, enquanto fora presidente, o toleravam em eventos sociais. Embora pudesse escolher ir chorar em Roma, Paris, Milão, Nova York, teria de fazê-lo sempre sozinho.

Apesar das pressões do dia a dia, da correria, das injustiças, ainda temos de nos esforçar para aprender a fazer com gentileza tudo que a vida empresarial nos exige. Não é fácil. Qualquer pessoa que já se sentiu estressada, pressionada por resultados e por situações financeiras sabe que perder o controle não é tão difícil. Ainda assim, todo esforço é válido, principalmente no longo prazo, para a construção de nossa reputação, como indivíduos e como marcas.

Respire fundo, conte até dez. Essa não é uma dica infundada, mas funciona. Ademais, tenha atenção ao que é solicitado e tente responder com serenidade às demandas das pessoas, ainda que seja um sereno “não”. É com essa postura que atraímos a boa vontade das pessoas, respostas mais rápidas e positivas e, acima de tudo, uma torcida que nos empurra para o sucesso. Melhor que isso, pessoas que nos indicam para oportunidades e que estão disponíveis para um drink, quando nosso sobrenome empresarial terminar.

* Autor do livro Conversa de Elevador – Uma Fórmula de Sucesso para sua Carreira, Sílvio Celestino é sócio-fundador da Alliance Coaching. No Twitter: @silviocelestino. Visite: www.alliancecoaching.com.br e www.facebook.com/AllianceCoachingBrasil.

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