Gig economy: a revolução nas relações de trabalho

Gig economy: a revolução nas relações de trabalho

O conceito de gig economy engloba as formas de emprego alternativo, que vão desde a prestação de serviços por aplicativo ou o trabalho de freelancers, por exemplo. Por essa definição já dá para dizer que esse tipo de trabalho faz parte de uma das várias revoluções do trabalho que foram impactadas pela tecnologia. Para conhecer melhor o cenário da gig economy e as suas implicações para o futuro é só continuar lendo este post.

Veja o que você vai encontrar aqui: 

 

1. O que é a gig economy?

O Dicionário de Cambridge considera “gig economy” como um arranjo alternativo de emprego. “Uma forma de trabalho baseada em pessoas que têm empregos temporários ou fazem atividades de trabalho freelancer, pagas separadamente, em vez de trabalhar para um empregador fixo”, pontua.

Ou seja, o emprego convencional com trabalho em horário fixo e no escritório da empresa está sendo substituído por relações mais fluidas. Como se fossem trabalhos sob demanda, remunerados por serviços, como por exemplo as atividades de motoristas do Uber ou as plataformas para contratação de freelancers como Upwork, Workana, VoiceBunny e a brasileira Crowd. Nelas, é possível encontrar especialistas para todas as áreas de atuação.

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2. Análise de dados sobre a gig economy

Com as mudanças provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, a previsão era de um aumento exponencial no número de contratados autônomos e temporários. Inclusive, segundo esta pesquisa publicada na CNN em 2017, a gig economy já representava 34% da força de trabalho nos Estados Unidos e, em 2020, deve atingir 43% do total.

No entanto, um estudo  de 2018 divulgado pelo Bureau de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos mostrou que, na contramão da maioria das pesquisas, a gig economy está encolhendo. Segundo os dados, a participação dos americanos em empregos alternativos caiu de 10,9% da força de trabalho em 2005 para 10,1% em 2017.

A queda mais acentuada foi entre os freelancers. Em 2017, os contratados independentes representavam 10,6 milhões de pessoas, ou 6,9% dos empregados. Em compensação, em 2005, essa parcela somava 7,4% dos trabalhadores.

Não é bem assim

Apesar dos números contrários às expectativas, os pesquisadores questionaram a metodologia e a falta de um panorama mais completo. O Instituto Aspen, organização internacional de pesquisa sem fins lucrativos, disse que só foram considerados os trabalhos alternativos como ocupação única e exclusiva, o que deixou muitas pessoas de fora do registro.

“Embora os dados mostrem uma leve diminuição no número de trabalhadores que dependem de arranjos alternativos, eles não fornecem informações sobre as pessoas que se dedicam a esse tipo de trabalho para complementar sua renda”, declarou o Instituto, em comunicado divulgado ao portal Fast Company.

Vale lembrar um detalhe importante, principalmente, no caso americano. Após a crise de 2008, os profissionais buscaram diferentes modalidades de trabalho para compor a sua remuneração, somando atividades paralelas ao emprego integral. O número do bureau, então, corrobora com isso justificando o fato do emprego alternativo não estar mais pagando integralmente as contas das pessoas, que procuram um emprego estável para isso.

Esta pesquisa da McKinsey de 2016 está alinhado com tal teoria. O estudo, que incluiu pessoas complementando a sua renda com empregos alternativos, descobriu que entre 20% e 33% da população em idade ativa na Europa e nos Estados Unidos realiza algum tipo de trabalho independente.

Por outro lado, o Instituto Aspen fez outra observação em relação aos dados sobre a gig economy. Segundo a organização, as empresas não são obrigadas a dizer ao governo dos EUA como estão empregando as pessoas. Então, podem ser omitidas informações sobre os freelancers, autônomos e temporários.

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3. Exemplos de gig economy

Os principais expoentes deste modelo de trabalho são os novos serviços de compartilhamento e as plataformas para freelancers. Esta matéria do Washington Post mostra como os serviços de hospedagem e transportes, como AirBnB e Uber, utilizam os profissionais autônomos para as atividades sob demanda, conseguindo preços mais acessíveis e criando vantagem competitiva.

Além deles, as ferramentas para registro de freelancers também se proliferam pelo mundo e atingem todas as áreas. Conectam os profissionais cadastrados a interessados em seus serviços, desde os trabalhos operacionais até os criativos. Segundo o relatório anual de tendências de internet e tecnologia da analista Mary Meeker, as atividades freelancers estão em franca expansão e são a principal fonte da flexibilização das formas de trabalho.

Entre os insights do estudo aplicado nos Estados Unidos, vale destacar:

  • A força de trabalho freelancer cresceu três vezes mais rápido que o emprego tradicional entre 2014 e 2017;
  • As atividades freelancers aumentaram 8,1%, contra 2,5% das convencionais no período de três anos;
  • A contratação de serviços sob demanda em plataformas subiu 23% em 2017, impulsionada por Uber, AirBnB, Etsy, Upwork e Doordash;
  • Neste ano, os serviços sob demanda devem chegar a 6,8 milhões de trabalhadores empregados;
  • 51% das pessoas aceitariam trocar de trabalho por maior flexibilidade de horários.
 

Aqui, neste link, é possível ver a apresentação de Meekers no Code Conference, quando ela mostrou os números do seu relatório.

Se no cenário americano os números indicam o crescimento a todo vapor, a China também não fica atrás. De acordo com estimativa da AliResearch, 400 milhões de chineses terão trabalhos alternativos até 2036. E, atualmente, 60 mil profissionais já estão registrados na plataforma freelancer local Ziwork.

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4. Gig economy em períodos de crise

Como nós já comentamos acima, motoristas de aplicativo como Uber e Lyft, fazem parte desse time que engloba as possibilidades da gig economy.  Porém, em 2020, com a pandemia de Covid-19, as recomendações para evitar a contaminação e a proliferação do vírus consiste em isolamento ou, como muitas cidades ao redor do mundo decretaram, um período de quarentena. Pensando nisso, como está o dia a dia de trabalho dessas pessoas? 

O The Hustle publicou no dia 22 de março de 2020 em sua newsletter um panorama com dados e entrevistas realizadas com motoristas americanos de aplicativo que vivem um dilema: sair para o trabalho e arriscar contrair o vírus ou ficar em casa, sem dinheiro para suprir as necessidades básicas. 

Dos 400 entrevistados pelo The Hustle, 57% afirmaram que continuariam trabalhando, mesmo com os riscos de uma pandemia e 43% decidiram ficar em casa, sacrificando sua única fonte de renda. 

Os motoristas que continuam nas ruas que costumavam trabalhar, por exemplo, 80 horas por semana, não conseguem conquistar metade do dinheiro que conseguiam anteriormente, trabalhando a mesma quantidade de horas, ou até mais. O número de corridas por dia diminuiu de 23 para 6, assim como o pagamento que caiu de 1072 dólares para $348, o que para muitos representa uma queda de 60% na renda das últimas semanas. 

Normalmente, empresas como a Uber não oferecem nenhum tipo de licença saúde, entretanto, considerando o cenário atual, qualquer motorista que contrair o coronavírus ou, se estiver localizado em uma área de quarentena pelas autoridades locais, pode solicitar uma licença remunerada de 14 dias.  

Entretanto, um dos motoristas entrevistados teve a solicitação negada porque, apesar de ter recebido recomendações médicas para evitar aglomerações, ele não foi oficialmente testado. 

Portanto, ao pensarmos em gig economy, é importante ponderar as reais condições de trabalho dessas pessoas, ainda mais em situações de crise, que já são desafiadoras para todos, ainda mais quando não há nenhum tipo de apoio, e o que estamos dispostos a sacrificar para flexibilizar a economia. 

Atenção: Atualmente não existe cura para o Covid-19. Se possível, fique em casa. 

5. A geração Y e a gig economy

Entre os lados positivos e negativos desse novo modelo de trabalho, a geração Y é quem usufrui das maiores vantagens. Para esses profissionais mais jovens, que têm entre 18 e 35 anos, um desejo costumeiro é deixar o trabalho convencional. A flexibilidade e o trabalho remoto são aspectos que despertam a atenção dos chamados millennials.

E a gig economy é a oportunidade para a geração Y, em busca por independência e controle sobre suas carreiras. Logo, podem escolher seus parceiros de negócios, clientes e fornecedores com autonomia. Assim como têm a liberdade de atuar em diferentes frentes profissionais.

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No entanto, também há desafios. Ao mesmo tempo em que permite uma jornada flexível, a gig economy exige mais responsabilidade e disponibilidade de quem quer trabalhar nesse formato. Dos profissionais adeptos da modalidade até os clientes e as empresas contratantes, é necessário organizar os processos.

Para a sua gestão lidar com os trabalhadores nesse novo modelo e aumentar a produtividade da equipe, é preciso estruturar o fluxo de trabalho e ter o controle das horas trabalhadas. Assim, você poderá gerenciar as pessoas para acompanhar o desempenho e os resultados das tarefas realizadas.

6. Gestão inteligente para o futuro do trabalho

Para os trabalhadores da gig economy, que precisam gerenciar seus próprios trabalhos, nada mais importante do que usar uma ferramenta de gestão que consiga te entregar a visão do todo e ainda permitindo que você possa trabalhar de casa ou de qualquer outro lugar. Para isso, você pode contar com o Runrun.it, uma plataforma completa para facilitar o seu trabalho, independente de onde você esteja. Crie sua conta grátis agora: runrun.it

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One thought on “Gig economy: a revolução nas relações de trabalho

  1. primeira vez que ouço falar nesse sistema de trabalho,mas acho que irá alavancar sim,vejo o mundo mudado,as coisas e suas interações,sim vou analisar possíveis mudanças.

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