Gig economy e a revolução nas relações de trabalho

Gig economy e a revolução nas relações de trabalho

Os impactos da automação e as transformações nos modelos de trabalho são temas recorrentes no blog. Cada vez mais vemos o crescimento de novas tecnologias, suas aplicações na economia e nas organizações, e os efeitos na rotina profissional. Entre as tendências apontadas para o futuro, está a chamada gig economy. Para quem ainda não está por dentro da expressão, vamos explicá-la adiante, mostrar a evolução desse formato de trabalho e o que você, como gestor(a), precisa saber.

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O que é a gig economy?

O Dicionário de Cambridge considera “gig economy” como um arranjo alternativo de emprego. “Uma forma de trabalho baseada em pessoas que têm empregos temporários ou fazem atividades de trabalho freelancer, pagas separadamente, em vez de trabalhar para um empregador fixo”, pontua.

Ou seja, o emprego convencional com trabalho em horário fixo e no escritório da empresa está sendo substituído por relações mais fluidas. Como se fossem trabalhos sob demanda, remunerados por serviços, como por exemplo as atividades de motoristas do Uber ou as plataformas para contratação de freelancers como Upwork, Workana, VoiceBunny e a brasileira Crowd. Nelas, é possível encontrar especialistas para todas as áreas de atuação.

Então, com as mudanças provocadas pelas tecnologias, a previsão era de um aumento exponencial no número de contratados autônomos e temporários. Inclusive, segundo esta pesquisa publicada na CNN no ano passado, a gig economy já representava 34% da força de trabalho nos Estados Unidos e, em 2020, deveria atingir 43% do total.

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Realmente está crescendo?

No entanto, um estudo recente divulgado pelo Bureau de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos mostrou que, na contramão da maioria das pesquisas, a gig economy está encolhendo. Segundo os novos dados, a participação dos americanos em empregos alternativos caiu de 10,9% da força de trabalho em 2005 para 10,1% em 2017.

A queda mais acentuada foi entre os freelancers. No ano passado, os contratados independentes representavam 10,6 milhões de pessoas, ou 6,9% dos empregados. Em compensação, em 2005, essa parcela somava 7,4% dos trabalhadores.

Não é bem assim

Apesar dos números contrários às expectativas, os pesquisadores questionaram a metodologia e a falta de um panorama mais completo. O Instituto Aspen, organização internacional de pesquisa sem fins lucrativos, disse que só foram considerados os trabalhos alternativos como ocupação única e exclusiva, o que deixou muitas pessoas de fora do registro.

“Embora os dados mostrem uma leve diminuição no número de trabalhadores que dependem de arranjos alternativos, eles não fornecem informações sobre as pessoas que se dedicam a esse tipo de trabalho para complementar sua renda”, declarou o Instituto, em comunicado divulgado ao portal Fast Company.

Vale lembrar um detalhe importante, principalmente, no caso americano. Após a crise de 2008, os profissionais buscaram diferentes modalidades de trabalho para compor a sua remuneração, somando atividades paralelas ao emprego integral. O número do bureau, então, corrobora com isso justificando o fato do emprego alternativo não estar mais pagando integralmente as contas das pessoas, que procuram um emprego estável para isso.

Esta pesquisa da McKinsey de 2016 está alinhado com tal teoria. O estudo, que incluiu pessoas complementando a sua renda com empregos alternativos, descobriu que entre 20% e 33% da população em idade ativa na Europa e nos Estados Unidos realiza algum tipo de trabalho independente.

Por outro lado, o Instituto Aspen fez outra observação em relação aos dados sobre a gig economy. Segundo a organização, as empresas não são obrigadas a dizer ao governo dos EUA como estão empregando as pessoas. Então, podem ser omitidas informações sobre os freelancers, autônomos e temporários.

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Exemplos de gig economy

Os principais expoentes deste modelo de trabalho são os novos serviços de compartilhamento e as plataformas para freelancers. Esta matéria do Washington Post mostra como os serviços de hospedagem e transportes, como AirBnB e Uber, utilizam os profissionais autônomos para as atividades sob demanda, conseguindo preços mais acessíveis e criando vantagem competitiva.

Além deles, as ferramentas para registro de freelancers também se proliferam pelo mundo e atingem todas as áreas. Conectam os profissionais cadastrados a interessados em seus serviços, desde os trabalhos operacionais até os criativos. Segundo o relatório anual de tendências de internet e tecnologia da conceituada analista Mary Meeker, as atividades freelancers estão em franca expansão e são a principal fonte da flexibilização das formas de trabalho.

Entre os insights do estudo aplicado nos Estados Unidos, vale a pena destacar:

  • A força de trabalho freelancer cresceu três vezes mais rápido que o emprego tradicional entre 2014 e 2017;
  • As atividades freelancers aumentaram 8,1%, contra 2,5% das convencionais no período de três anos;
  • A contratação de serviços sob demanda em plataformas subiu 23% em 2017, impulsionada por Uber, AirBnB, Etsy, Upwork e Doordash;
  • Neste ano, os serviços sob demanda devem chegar a 6,8 milhões de trabalhadores empregados;
  • 51% das pessoas aceitariam trocar de trabalho por maior flexibilidade de horários.

 

Aqui, neste link, é possível ver a apresentação de Meekers no Code Conference, quando ela mostrou os números do seu relatório.

Se no cenário americano os números indicam o crescimento a todo vapor, a China também não fica atrás. De acordo com estimativa da AliResearch, 400 milhões de chineses terão trabalhos alternativos até 2036. E, atualmente, 60 mil profissionais já estão registrados na plataforma freelancer local Ziwork.

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A geração Y e a gig economy

Entre os lados positivos e negativos desse novo modelo de trabalho, a geração Y é quem usufrui das maiores vantagens. Para esses profissionais mais jovens, que têm entre 18 e 35 anos, um desejo costumeiro é deixar o trabalho convencional. A flexibilidade e o trabalho remoto são aspectos que despertam a atenção dos chamados millennials.

E a gig economy é a oportunidade para a geração Y, em busca por independência e controle sobre suas carreiras. Logo, podem escolher seus parceiros de negócios, clientes e fornecedores com autonomia. Assim como têm a liberdade de atuar em diferentes frentes profissionais.

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No entanto, também há desafios. Ao mesmo tempo em que permite uma jornada flexível, a gig economy exige mais responsabilidade e disponibilidade de quem quer trabalhar nesse formato. Dos profissionais adeptos da modalidade até os clientes e as empresas contratantes, é necessário organizar os processos.

Para a sua gestão lidar com os trabalhadores nesse novo modelo e aumentar a produtividade da equipe, é preciso estruturar o fluxo de trabalho e ter o controle das horas trabalhadas. Assim, você poderá gerenciar as pessoas para acompanhar o desempenho e os resultados das tarefas realizadas.

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One thought on “Gig economy e a revolução nas relações de trabalho

  1. primeira vez que ouço falar nesse sistema de trabalho,mas acho que irá alavancar sim,vejo o mundo mudado,as coisas e suas interações,sim vou analisar possíveis mudanças.

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