Tudo que sabemos sobre inteligência emocional pode estar errado

Tudo que sabemos sobre inteligência emocional pode estar errado

Recentemente publicamos um teste de inteligência emocional, inspirado nos estudos de Travis Bradberry, o expert do tema. Então, por que diríamos que esse conceito pode estar errado? Um dos mais populares de todos os cursos da Harvard, de Filosofia Chinesa, praticamente se opõe ao que conhecemos por inteligência emocional.

Esqueça essa história de encontrar seu verdadeiro eu e de ser uma pessoa autêntica se for seguir o que dizem Buda, Confúcio, Mêncio e Lao Zi (alguns dos mais proeminentes pensadores do Oriente), ao menos na visão do jornal britânico The Guardian. Para eles, a tentativa de encontrar o “eu verdadeiro” não faz sentido para o ser humano. E como entendemos que nossos leitores devem ter uma visão a mais crítica possível, decidimos ponderar o que, de fato, é inteligência emocional e algumas más interpretações que esse conceito pode gerar.

Afinal, o que é Inteligência Emocional?

Segundo A Dictionary of Psychology (2008) de Andrew Colman, Inteligência Emocional é “a capacidade do indivíduo de reconhecer as emoções das outras pessoas e as suas próprias emoções, identificar sentimentos diferentes e usar essas informações para orientar seu pensamento e seu comportamento”. Em suma, a habilidade de perceber, entender e regular emoções. Uma concepção que ganhou a atenção do público em 1995, com o autor Daniel Goleman, mas que, desde então, tem sofrido críticas da comunidade científica. E serão elas o foco deste post.

1. Controle ou manipulação emocional?

De acordo com Adam Grant, professor da escola Wharton de Negócios da Universidade da Pensilvânia, “Quando você é bom em controlar suas próprias emoções, você também pode disfarçar seus verdadeiros sentimentos”. E assim, alguns líderes, por egoísmo, podem usar essa habilidade para manipular sua equipe.

A grande ironia, diz Grant, é que aqueles que são capazes de entender e dominar as próprias emoções são especialistas em dizer às pessoas o que elas pensam que querem ouvir – e não o que precisariam ouvir para, por exemplo, tomar decisões mais maduras.

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2. Fingimento é falta de caráter?

Fingir nem sempre é uma atitude egoísta, como no caso em que apontamos acima. Se você finge para ser gentil ou generoso, está seguindo os ensinamentos de Confúcio. Para ele, há certos rituais, chamados de “como se” que podem romper com padrões de comportamentos que decoramos ao longo da vida. Por exemplo, quando você sorri como se não estivesse com raiva, está fingindo, mas não há nada de mal nisso, como poderia apontar uma análise de inteligência emocional.

Agimos como se nos sentíssemos de outra forma o tempo todo, e isso é uma forma de maturidade, porque estamos deixando de expressar sentimentos sinceros, mas destrutivos. Estamos deixando que nossos comportamentos guiem nossas emoções, e não o contrário.

3. Toda pessoa de sucesso é emocionalmente inteligente?

“Tome por base alguns dos empresários mais bem-sucedidos do nosso tempo: Steve Jobs, Bill Gates, Larry Page, Mark Zuckerberg e Elon Musk… Eu ficaria surpreso se encontrasse um pingo de inteligência emocional neles. As pessoas são extremamente diferentes. Há muitas maneiras de se tornar um(a) líder notável, construir uma carreira de sucesso ou uma grande empresa”, argumenta Steve Tobak, autor do livro Real Leaders Don’t Follow.

Um estudo de 2010 publicado no Journal of Applied Psychology trouxe resultados que confirmam isso. Após buscar por correlações entre inteligência emocional e bom desempenho no trabalho, não foi encontrada – adivinhe – nenhuma. E neste link, você pode conferir outros seis estudos – spoiler – com a mesma conclusão.

4. Autoconsciência basta para se mudar de atitude?

Ler um livro, assistir a um filme, ou participar de um workshop é o suficiente para te tornar mais consciente das suas próprias emoções e, com a prática, você se tornará um(a) líder melhor. Certo? “Bem, se fosse simples assim, as pessoas não precisariam de anos de terapia, nem de trabalho duro e muita disciplina para abandonar certas atitudes (como a tendência à autodestruição) para adotar outras”, pondera Tobak.

Ele pontua que a mente humana é formada como que por camadas e camadas de vias neurais, como caminhos, abertas e reforçadas ano após ano e, por isso, é tão demorado e, por vezes, doloroso mudar de comportamento. Tomar consciência das suas emoções pode ser o pontapé inicial, mas não a incógnita que faltava na equação mágica da transformação.

5. É mesmo possível ser uma pessoa autêntica?

Be Yourself. Seja quem você é. Para os filósofos orientais, essa frase estaria mais para um clichê publicitário do que para uma atitude coerente. Não existe um “eu verdadeiro” para eles. “Somos multifacetados. Nossas personalidades são mescladas, e se desenvolvem olhando não para dentro, mas para fora, isto é, para a forma como interagimos com as outras pessoas, para nossas reações às coisas, para os projetos que perseguimos.

Você não age da mesma forma quando fala com sua mãe e quando lida com um adolescente, seu dentista ou um amigo querido.” explicam Michael Puett e Christine Gross-Loh. Quem você é consiste em padrões de comportamento e raízes emocionais em que nos encaixamos ao longo do tempo – o que também significa que há inúmeras possibilidades de quem podemos nos tornar.

6. Seja também quem você acha que não é capaz de ser

O artista Jean-Michel Basquiat dizia que “O que te detém não é quem você é, mas quem você acha que não é capaz de ser”. À luz desse pensamento, encerramos nosso post, depois de buscar desconstruir alguns estereótipos sobre inteligência emocional. Somos incentivamos a descobrir nossos dons e pontos fortes e aprimorá-los desde muito cedo. “Se você é bom em esportes, entrou para o time de futebol da escola. Se sempre estava lendo, cursou Letras ou algo afim. Você cultiva essas inclinações naturais até que se tornem parte da sua identidade”, afirmam Michael e Christine.

No entanto, se você batesse um papo com os filósofos chineses, eles te diriam justamente para não insistir só na sua noção preconcebida de quem você é. Se se acha desajeitado(a), faça dança. Se não é bom com idiomas, estude francês. O propósito é viver a vida como uma série de rupturas. Lembre-se: você muda com o tempo, e o tempo não para nunca de mudar.

E agora, líder?

Para líderes que compreendem sua própria complexidade de emoções e a dificuldade de guiar uma equipe igualmente complexa, existe o Runrun.it. Com ele, todo o fluxo de trabalho e a comunicação entre as pessoas ficam organizados e centralizados na mesma plataforma online. Chega do ruído e do retrabalho causado pelo diálogo quebrado do e-mail. Chega do tempo perdido produzindo relatórios de atividades e custos. Com o Runrun.it é tudo automático. Experimente grátis: http://runrun.it

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4 thoughts on “Tudo que sabemos sobre inteligência emocional pode estar errado

  1. Este artigo é bastante interessante e nos desafia a avaliações sobre o tema de forma polêmica, é muito bom mesmo!

    Como auto didata que sou, e em parte me tornei por opção, visto que me rebelei ao modelo de ensino até hoje proposto e praticado, em parte me arrependo, em parte me orgulho, gosto de poder pensar com liberdade! Rsrsrsr…

    Ao longo da vida me tornei um observador atento de tudo, mas sobre tudo do comportamento humano a partir de meu próprio comportamento e como me relacionava e me relaciono com situações diversas, com pessoas nas mais diversas situações.

    Sou fruto de uma família simples, nasci na década de 60 quando éramos criados para sermos “homens” – no sentido mais bruto e menos equilibrado daquilo que é ser homem, mais do que ser humano na verdade -, nos ambientes que podíamos frequentar as relações eram sempre temperamentais e muitas vezes desequilibradas.

    Não é incomum que a rudeza educacional e do próprio meio nos lapide, mas é sempre decisão singular aquilo que desejamos nos tornar!

    Ao longo de minha vida corporativa observei que as intempéries das emoções só prejudicavam e que o tempo, verdades, certo e errado pertencem ao que cada individuo acredita, seus paradigmas (alguns dogmatizados e enraizados nas vaidades ególatras), princípios familiares, honra, caráter, moral, ética e personalidade, enfim…

    Observei que pessoas mais equilibradas e seguras financeiramente eram as mais tranquilas nas tomadas de decisões e, portanto muito mais equilibradas, mas observei ainda que estas pessoas são boas escutadoras, contudo péssimas ouvintes, seus paradigmas muitas vezes são dogmatizados, suas vaidades lhes tolhem a capacidade de permitirem-se surpreender com inteligências diversas as suas e principalmente se tratar-se de pessoas de patamares inferiores àqueles ao que estes encontram-se, Rsrsrsr…, e que superar esta barreira demanda sim muita paciência e embasamento pratico daquilo que desejamos nos fazer entender.

    Tudo isto me faz, neste momento e por este novo desafio, interpretar que a união de todas as possibilidades do artigo são fundamentais para a sustentação do equilíbrio da inteligência emocional. Contudo, cada vez mais fundamento que o auto conhecimento é o mais importante dos exercícios para a evolução transformadora humana. Entendo que somos começo, meio e fim, tudo reside em nós mesmos e que aquilo que ocorre fora de alguma maneira é reflexo daquilo que somos e vivemos dentro, no intimo, e me atrevo em dizer que “Ninguém pode me fazer o mal que eu mesmo já não me tenha feito!”, tudo esta em nós, não fora, mas dentro, no intimo absoluto, as desconstruções, as aberturas e desapegos a paradigmas são os principais agentes transformadores, não é esta apenas e nada mais, sequer nós como seres somos, estamos, nossas dicotomias por mais paradoxais que sejam se aproximam de nos definir apenas superficialmente, visto que somos seres em construção continua, o moto continuo existencial e espiritual.

    Saudações fraternas,

    1. Muito generoso seu comentário, Evandro! Ficamos lisonjeados por você nos escrever com tanta dedicação. Quando você diz que “Ninguém pode me fazer o mal que eu mesmo já não me tenha feito”, lembramos de Eleanor Roosevelt, ao dizer que “Ninguém pode te fazer sentir inferior o seu consentimento”. É uma verdade, e muito reconfortante. Obrigado e esperamos você por aqui de novo! Abraços!

  2. Estou desenvolvendo a teoria da Inteligência Reestrutural Produtiva Sistêmica. Tenho me debruçado por horas, dias, semanas e meses aos estudos teóricos e neurocientíficos sobre o assunto em destaque. Poderia me demorar sobre varias questões a respeito das várias teorias sobre inteligência, seja, a o Quociente de Inteligência, Inteligências Múltiplas, Fator G da inteligência, Inteligência Multifocal e mesmo a Inteligência Emocional dentre tantas outras.

    Em minha pesquisa, não existem vários tipos de inteligências. Inteligência é apenas uma, mas a sua aplicabilidade é que são diversas. A teoria da Inteligência Emocional não trata de uma descoberta de uma nova inteligência, mas sim da aplicabilidade da inteligência, ou seja, mais uma utilidade consciente da inteligência.
    Em breve estarei lançando o de minha pesquisa nas redes sociais e posteriormente no formato de livro. Aguardem!
    Inteligência Reestrutural Produtiva Sistêmica
    Whatsapp: 81.9.8958.5557

    Danielcmotta2@gmail.com ou danielcmotta1@yahoo.com.br

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