Por que a Geração Y se cobra tanto?

Por que a Geração Y se cobra tanto?

Em um estudo realizado com centenas de jovens de 20 e poucos anos do Reino Unido, um millennial descreveu o maior desafio da sua época: “somos uma geração que brutalmente se compara com aqueles que nos rodeiam o tempo todo. Se não estamos fazendo algo excepcional, se não nos sentimos importantes e que cumprimos tudo o que pretendemos fazer, sentimos um terrível mal-estar”. Se você se identificou com a resposta, então provavelmente também é um millennial – indivíduos nascidos entre o início da década de 1980 e o fim dos anos 90, que compõem a famosa Geração Y.

Se você muitas vezes se flagra com posturas workaholics, perfeccionistas e muito rígidas consigo mesmo, saiba que essas atitudes são consideradas geracionais, e existem explicações culturais e psicológicas para elas. Para entender melhor o porquê dos seus padrões de cobrança serem tão elevados, conversamos com dois especialistas em comportamento: Sidnei Oliveira, colunista da revista Exame e autor dos livros da série Geração Y, e Julieta Guevara, psiquiatra e mestre pela Universidade de Barcelona (IAEU).  Aproveite a reflexão e seja menos severo com você.

A invenção de Zuckerberg

O que você conhece pode não ter força para te matar, mas pode impedi-lo de ser feliz.  Millennials são bombardeados com o sucesso de seus pares. Isso, graças à realidade da comunicação atual: as mídias sociais permitem o acompanhamento da carreira dos seus colegas transmitida em tempo real. É impossível não deixar de fazer comparações com suas próprias realizações (ou a falta delas). A ansiedade e a sensação de estar realizando pouco produzem a cobrança, que é inevitável.

Os profissionais devem, portanto, respeitar e trabalhar melhor os momentos em que ficam sozinhos. Este tempo deve ser gasto contemplando questões importantes relacionadas ao trabalho e à vida pessoal. A comparação através das mídias sociais nos encoraja a olhar para o que tem sido bem-sucedido para os outros, mas não leva à reflexão sobre temas da nossa própria vida.

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Um reflexo da sua época

Para a psiquiatra Julieta Guevara, as mudanças nos comportamentos têm origem no progresso tecnológico. “Uma geração tem as caraterísticas de sua época”. Os Baby Boomers, geração pós-guerra, tinham as caraterísticas da era industrial, onde o surgimento da produção em larga escala exigiu uma demanda cada vez mais alta por mão de obra especializada, resultando em uma mudança na concepção de trabalho”, diz.

A Geração Y tem as caraterísticas da era da informação, iniciada na década de 1970, onde surgiram invenções como o microprocessador, a rede de computadores, a fibra óptica e o computador pessoal. “As comunidades virtuais e a internet marcam os millennials com caraterísticas que não seriam possíveis se elas não existissem, como o alto nível de conectividade das pessoas.  É uma geração que prefere o YouTube à televisão”, diz Julieta. Hoje, a  média de conexão de um millennial  é de 7 horas por dia com dispositivos móveis, algo psicologicamente improdutivo.

A disputa com “veteranos”

“Nunca uma geração de jovens teve de disputar tanto por um espaço na sociedade como a atual”, diz Sidnei Oliveira. Com o aumento da expectativa de vida, profissionais veteranos, na casa dos 50 e 60 anos, continuaram se aperfeiçoando e são ativos no mercado.

Os da Geração Y, não obstante, são inquietos e querem crescer rápido na carreira. São especialistas em lidar com tecnologia, sabem trabalhar em rede e estão sempre conectados. Mas se preocupam com o mercado de trabalho altamente competitivo e às vezes se sentem inseguros e intimidados ao ter que dividir o mercado com pessoas mais experientes. Inclusive, a McKinsey traçou um breve perfil desses jovens e recomenda às lideranças que enfrentem os choques entre eles e os mais velhos.

A visão unilateral da mídia

Os entusiasmos da mídia em relação aos “millennials hypersuccessful” também podem criar uma impressão enganosa. Histórias de um pequeno número de empresários de startups ou de ascensões rápidas no mundo corporativo criam uma ideia irrealista de sucesso para os indivíduos no início e no meio de suas carreiras.

Listas como a Forbes 30 Under podem ser uma faca de dois gumes. Por um lado, servem de inspiração ao mostrarem jovens que alcançaram o sucesso, mas por outro lado, elas lembram outros millennials que eles nunca chegarão ao topo.

É importante lembrar que sucessos meteóricos às vezes acontecem, mas eles são raros, e muitas vezes exigem golpes de sorte, grandes conexões ou anos de trabalho diligente e ingrato. Essa informação, no entanto, dificilmente é mostrada nestes perfis de jovens bem-sucedidos. O que resta aos seus companheiros de geração é sentir o amargo gosto de não ser como eles.

A necessidade de superação

Existe uma cobrança interior para superar os pais porque, via de regra, a Geração Y teve mais recursos e privilégios do que a geração anterior. Protegidos, eles foram menos expostos a condições desfavoráveis e, com isso, se sentem obrigados a serem fantásticos na carreira. “Sentem que precisam ser espetaculares, e essa pressão está presente dentro das suas próprias expectativas”, diz Sidinei Oliveira.

Conselho: adote uma “visão de longo prazo”

Carreiras de sucesso são construídas ao longo da vida. Um estudo de 2014 realizado pela PayScale.com sugere que a remuneração para mulheres e homens tem picos entre os 40 anos de idade. Para Laura Carstensen, do Centro de Stanford sobre Longevidade, “pela primeira vez na História, temos mais tempo para aproveitar a idade adulta por mais tempo. Poderíamos construir e encerrar uma carreira de forma mais gradual. Poderíamos atingir o auge das nossas carreiras aos 50 e 60, em vez dos 30 e 40 anos. Isso pode significar que os profissionais da Geração Y podem pensar estrategicamente sobre suas carreiras de longo prazo e objetivos de vida, sem tanta cobrança e ansiedade”, afirma.

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4 thoughts on “Por que a Geração Y se cobra tanto?

  1. Pior que este texto tem fundamento. Pois aos 30 anos, nossos pais já tinham:uma casa, profissão consolidada e filhos. Ou seja, a vida já bem estruturada.
    E hoje muito jovens que possuem mais formação que a geração anterior não consegue conquistar no mesmo ritmo. Mesmo não sendo uma competição, fica difícil não se questionar o porquê de tanta dificuldade.

    1. Oi, Nivia! Bem observado. Refletindo, é possível reparar que a geração X, anterior à Y, a proporção de pessoas com formação universitária era menor e, por isso, a concorrência entre profissionais era também menor. É uma hipótese. Podemos citar também o fato de que muitos, como nossos pais, serem estimulados a abrir seu próprio negócio, ou enveredar por carreiras mais estáveis, como as que dependem de concursos públicos. Já os Millenials foram poupados, no sentido de poderem se aventurar, experimentar mais até encontrarem um emprego que realmente lhes motive. Também vale a pena lembrar que o auge profissional de uma geração pode não acontecer na mesma época da vida que o auge de outra. No caso da Geração Y, ele pode vir mais tarde, depois dos 40 anos, talvez. No post a seguir, que bombou no Facebook, podemos ter uma ideia de como a idade é irrelevante para ditar o sucesso de alguém. https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=10154153087543343&id=539278342

      Abraços! E obrigado pelo comentário!

  2. Esse texto vai contra tudo o q eu acredito. Até pq estudando a historias de grandes nomes da antiguidade, uma epoca onde n havia tanto recursos, e n impediam de grandes nomes como rei salomão, mozart, da vinte… de vencer, pq não venceriamos hj? Nada nos impede, os tempos podem mudar, mas os principios serão os mesmo: Dedicação constante!

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