Como a autogestão gera impactos positivos no ambiente de trabalho

Como a autogestão gera impactos positivos no ambiente de trabalho

As relações entre lideranças e colaboradores se transformam constantemente quando consideramos o momento que vivemos. As mudanças ocorrem pela chegada de uma nova geração ao mercado profissional, fatores econômicos e até mesmo biológicos, que alteram o modelo social ao qual estamos acostumados. Como essas alterações impactam o cotidiano de trabalho, é comum que outros modelos de gerenciamento ganhem espaço nas empresas, como é o caso da autogestão

O conceito de autogestão é relativamente recente no meio corporativo, com práticas sendo estudadas e efetivadas pelas organizações no final da década de 60, representando uma alternativa às hierarquias verticalizadas. 

A diferença mais evidente entre a autogestão e o modelo convencional é o foco na autonomia dos profissionais, principalmente na tomada de decisão e no gerenciamento das prioridades do cotidiano, seguindo diretrizes empresariais acordadas de forma coletiva. 

Por ganhar mais espaço em jornadas flexíveis de trabalho, o tema ainda é cercado de tabus que dificultam a sua adoção em corporações com visão mais tradicional. Neste artigo, vamos mostrar que a autogestão é aplicável em diferentes cenários e gera benefícios para as empresas, como a melhora no relacionamento interno, entregas ágeis e o aumento da produtividade. Confira! 

 

O significado de autogestão 

O termo autogestão pode ser aplicado em variados contextos, envolvendo aspectos da vida pessoal ou profissional. Seu significado é ligado à ideia de realizar a gestão do tempo e as tarefas cotidianas de forma autônoma, sem a necessidade de uma vigilância em torno do cumprimento das atividades. 

Percebida como uma das real skills mais requisitadas pelos profissionais no mercado, segundo uma pesquisa feita pela Revelo, startup de recursos humanos, a autogestão ficou mais evidente com o home office, modelo no qual o desempenho dos funcionários passou a ser mensurado mais pelas entregas do que pela carga horária cumprida dentro da empresa. 

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Por isso, a autogestão é uma forma de proporcionar flexibilidade no trabalho, com os colaboradores assumindo a responsabilidade por suas atribuições e existindo a distribuição nas decisões tomadas dentro de um projeto. Em outras palavras, sem uma hierarquia de aprovação. 

Desmistificando a autogestão

Ao contrário do que se imagina, isso não representa a liberdade total no ambiente de trabalho. A autogestão promove a autonomia, mas todas as escolhas seguem os valores que permeiam a cultura organizacional da empresa, fazendo com que as lideranças tenham um papel de pensar no direcionamento das ações a longo prazo, enquanto os trabalhadores podem gerenciar as rotinas operacionais. 

A partir dessa abertura nas organizações, há melhoria no relacionamento entre as equipes, principalmente pelo entendimento da importância das atividades executadas, assim como uma comunicação mais fluida nos departamentos, reduzindo a interdependência dos projetos, o que contribui para a agilidade do fluxo de trabalho

Também não podemos deixar de lado que a autogestão evita a prática de cobranças excessivas, típica da microgestão. Isso porque o acompanhamento das tarefas pode ser feito com plataformas de gestão de projetos remota, como o Runrun.it, nas quais é possível visualizar o progresso dos projetos em tempo real e mensurar a produtividade a partir de indicadores personalizados. 

Demonstração de como organizar as tarefas no Kanban do Runrun.it

Autogestão x Gestão horizontal 

Por compartilharem concepções semelhantes no que diz respeito às relações de trabalho, é comum que haja uma leve confusão entre os conceitos de autogestão e gestão horizontal. Enquanto na primeira ainda existe uma divisão hierárquica, na gestão horizontal, os comandos estão alinhados em sua estrutura organizacional, sendo assim, todos os integrantes da organização têm o mesmo nível de decisão.  

A autogestão enfatiza o aconselhamento entre os pares para a definição das escolhas profissionais. Por sua vez, na gestão horizontal há uma estrutura mais colaborativa e consensual, na qual o grupo decide as melhores práticas. Em resumo, a autogestão é um dos caminhos que leva uma empresa a se direcionar para um modelo de gestão colaborativa. 

Como colocar a autogestão em prática 

Por trazer pontos distintos da gestão tradicional, a implementação da autogestão em uma empresa é gradativa, com líderes e colaboradores se adaptando aos novos hábitos de autogerenciamento, o que futuramente converge em um processo natural e colaborativo dentro da instituição. Para auxiliar nessa transição, levantamos três práticas que conduzem uma companhia no caminho da autogestão. 

Modelos flexíveis de trabalho 

Ao falar em flexibilidade no trabalho, é de praxe pensar em uma carga horária diferenciada ou um modelo que se difere do âmbito presencial. Sim, ela permite tais mudanças, como a adesão ao home office e o trabalho híbrido, mas também envolve a geração de outros benefícios, como rotinas mais ágeis, planos de carreira mais abrangentes e uma gestão de pessoas focada no engajamento e no bem-estar das equipes. 

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A autogestão também está presente nesse ambiente de trabalho focado na flexibilidade. Com uma estrutura que permite o trabalho remoto e a possibilidade de crescimento baseada na percepção da evolução das soft skills de cada funcionário, a empresa consegue despertar a capacidade de autogerenciamento, demonstrando a confiança em sua equipe e na qualidade de entrega, que acontecerá de uma forma não convencional, mas que mesmo assim será eficiente. 

Capacitação continuada 

O desejo pelo aprendizado contínuo é cada vez mais estimulado dentro das corporações. Requalificar os talentos, criar áreas para o desenvolvimento pessoal e incentivar a busca por novos conhecimentos são alguns dos passos rumo à autogestão. 

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Cursos livres, workshops e treinamentos auxiliam na adaptação dos profissionais a esse formato operacional, em que, pouco a pouco, a autonomia é estimulada e naturalmente abraçada pelas equipes. O importante é que todos os departamentos desenvolvam processos para tornar a autogestão em modelo a ser seguido. 

Uso de ferramentas de gestão 

Um elemento fundamental para a autogestão é a utilização de recursos tecnológicos que favoreçam a gestão de tarefas e a organização pessoal. Os softwares de gestão dispõem de funcionalidades práticas para o gerenciamento das atividades rotineiras, como também de projetos que envolvem equipes de alta performance

O Runrun.it, por exemplo, é uma plataforma automatizada na qual os usuários conseguem priorizar as demandas mais importantes, utilizar modelos de projetos prontos para iniciar suas atribuições, além de centralizar as informações essenciais da atividade, permitindo que o profissional realize a autogestão trabalhando remotamente. 

Modelos de autogestão nas organizações 

A busca por novos sistemas organizacionais é constante para os líderes que querem diversificar suas atividades ou encontrar maneiras de renovar suas práticas de gestão. Por isso, estruturas de autogestão são muito bem-vindas nesse momento de transição. 

No campo da autogestão, um dos principais conhecedores do tema é o escritor Frederic Laloux, que atua como facilitador para os gestores que desejam adotar a metodologia em suas corporações. No livro Reinventando As Organizações, Laloux apontou três estruturas indicadas para a efetivação da autogestão em qualquer organização. Confira a seguir. 

Times Autônomos Paralelos 

Este exemplo de estrutura de autogestão é focado em times mais enxutos, com projetos regulares que se repetem com frequência. Nesses times, os participantes têm total consciência das suas atribuições e as desempenham paralelamente de maneira prática e ágil. 

O tempo de duração desses times é relativamente curto e as ações podem ser praticadas em outros projetos semelhantes e para que sua engrenagem funcione é preciso que a cultura da empresa esteja bastante assimilada pelos envolvidos. 

Um exemplo desses times pode ser visto no departamento de comunicação de uma agência ou setor de marketing, no qual os profissionais cooperam nas campanhas, mas cada um é responsável pelas atribuições características do seu cargo.

Rede de Acordos Individuais 

Este modelo não exige formação de grupos para funcionar. Basicamente, ele acontece a partir de acordos ou contratos que documentam as responsabilidades dos envolvidos e quais são as metas estabelecidas. 

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Por essa razão, a prática é mais recomendada para as etapas produtivas e não se enquadra em trabalhos em que são necessárias revisões estruturais. A aprovação das decisões é feita em conjunto, como uma rede de prestação de contas em que todos monitoram o avanço das tarefas. 

Círculos aninhados 

Considerada uma hierarquia de círculos, essa estrutura flexível é formada pelo escopo de trabalho e não pelos cargos ocupados. Podemos pensar nesse modelo como um conjunto de squads que se inter-relacionam e, respeitando as regras criadas, decidem conjuntamente pela melhor saída para o propósito criado. 

Os círculos aninhados permitem a mobilidade dos profissionais por outros papéis da organização, o que acrescenta um intercâmbio de conhecimento e conduz para a autogestão de suas funções. Essa fórmula de trabalho está diretamente relacionada à holocracia, uma nova tendência de gestão, que vê na distribuição do poder e na participação dos funcionários a melhor forma de manter o melhor clima organizacional. 

Pelo aspecto mais experimental, é mais visto em empresas de tecnologia como startups, consultorias e até mesmo em agências de publicidade. 

Neste infográfico, mostramos visualmente como funcionam as três estruturas: 

Infográfico com as três estruturas de autogestão mais conhecidas
 

As vantagens da autogestão 

Por ainda ser um tema recente no mundo corporativo, a autogestão levanta várias discussões sobre a sua real efetividade. Para desdobrar o tema e desmistificar os tabus acerca do conceito, separamos os benefícios em adotar essa tendência. 

Alinhamento com o futuro do trabalho

Em um levantamento feito pela consultoria Mercer, 62% dos líderes relataram que o autogerenciamento é uma competência fundamental para as próximas gerações. Como a autogestão é uma habilidade que precisa ser aprimorada, fornecer um contexto favorável faz toda a diferença para que a prática seja levada adiante. 

Com a tecnologia adentrando nas esferas da empresa, os profissionais precisam ter a autoridade para comandar suas atribuições com maior convicção e isso acontece de maneira coletiva, com a autogestão permeando as relações institucionais e se tornando  um diferencial competitivo para o próprio colaborador.

Bom relacionamento interpessoal 

O trabalho em equipe não é livre de desgaste e muitas vezes isso acontece pela falta de distribuição de poder decisório na empresa. Quando esse quesito é partilhado pelos líderes com seus colaboradores, cria-se uma cultura colaborativa e integrada, na qual todos entendem que suas opiniões são válidas. 

Com a autogestão, as relações interpessoais são mais construtivas, pois há espaço para o diálogo entre profissionais e decisões consensuais em determinadas esferas. Dessa forma, a gestão empresarial deixa de lado uma postura mais rígida e se torna mais democrática.

Aumento na produtividade 

A autogestão promove a organização do dia a dia de trabalho, dando opções para que o funcionário encontre alternativas e soluções para seus desafios, sem a necessidade da aprovação em todos os processos. Por causa dessa autonomia e pela redução das etapas burocráticas, há um aumento da confiança nos talentos profissionais, deixando as equipes mais produtivas. 

Profissionais mais criativos

Um motivo que está ligado à produtividade é a criatividade. Com maior espaço para propor soluções diferenciadas, é natural que os trabalhadores busquem saídas fora da caixa, trazendo insights percebidos em outra área de atuação e adaptando para o seu contexto, algo extremamente positivo para situações em que escolhas precisam ser feitas em curto prazo. 

Agilidade para mudar 

Em uma organização mais tradicional, as propostas inovadoras precisam passar por diversos setores até de fato serem implementadas, por conta das amarras burocráticas. Na autogestão, as mudanças são descentralizadas e as transformações ocorrem de maneira mais fluida, o que garante velocidade para as novas entregas de resultados. 

O maior desafio da autogestão

A maior dificuldade que envolve a autogestão está na sua implementação dentro das empresas. A verticalidade das organizações é uma visão cultural que está intrínseca aos líderes e colaboradores e se desprender desse pressuposto não é algo tecnicamente simples. 

Para que a proatividade seja alimentada, é preciso dar um passo de cada vez e realizar uma aclimatação para que todos absorvam as características da autogestão por etapas, começando por experiências pontuais em departamentos isolados. A partir do momento em que os resultados positivos começarem a aparecer, eles devem ser testados em outras esferas, a partir do interesse ou necessidade observados. 

Com técnicas de design de aprendizagem e treinamentos abrangentes, é possível preparar as equipes para novas rotinas e inserir elementos da autogestão em pontos específicos do trabalho, começando pelas práticas mais habituais, que são repetidas nos ciclos. 

Com o auxílio da comunicação interna e de campanhas de engajamento, haverá um maior entendimento da transição do modelo de gestão, fazendo com que a autogestão aconteça com maior flexibilidade e ganhe mais adesões ao longo do tempo. 

Uma ferramenta para adotar a autogestão

O Runrun.it é o aliado ideal para inserir a autogestão em sua empresa. Fácil de usar e funcional, o software de gestão oferece a autonomia que seus colaboradores precisam para executar os projetos com criatividade e agilidade. 

Na ferramenta, os usuários podem selecionar a melhor forma de visualizar e ordenar suas tarefas, seja por prazo, prioridade ou título da tarefa. Com o kanban, todos podem acompanhar em qual etapa atual se encontram os projetos e os gestores podem mensurar a produtividade e a capacidade do seu time através de indicadores personalizados. 

Isso sem falar que a plataforma conta com recursos para otimizar a gestão do tempo, equilibrar os custos do projeto e manter a comunicação entre equipes e clientes, possibilitando uma tomada de decisão mais rápida e precisa. 

Descubra as vantagens de utilizar o Runrun.it criando sua conta grátis: https://runrun.it/pt-BR

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Pesquisas e conteúdos mencionados: 

https://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,saiba-quais-sao-as-habilidades-mais-procuradas-pelas-empresas-e-como-desenvolve-las,70003484123

https://vocesa.abril.com.br/blog/sofia-esteves/como-desenvolver-a-tal-da-autogestao/

https://www.amazon.com.br/Reinventing-Organizations-Creating-Inspired-Consciousness/dp/2960133501/ref=asc_df_2960133501/?tag=googleshopp00-20&linkCode=df0&hvadid=379726347250&hvpos=&hvnetw=g&hvrand=3357750356580394661&hvpone=&hvptwo=&hvqmt=&hvdev=c&hvdvcmdl=&hvlocint=&hvlocphy=9102338&hvtargid=pla-491392026609&psc=1

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