3 passos para se afastar do abismo da decepção

3 passos para se afastar do abismo da decepção

Por Sílvio Celestino*

Estive pensando, nos últimos dias, quantas pessoas, ao longo de suas carreiras, passam batido pelos contratos que assinam, não exercem pensamento críticos sobre as associações de que participam e nem mesmo conhecem a fundo os parceiros comerciais com quem se associam. E quando descobrem as regras a que estão submetidas, caem em decepção. Por que isso ainda acontece?

Ao meu ver, falta às pessoas clareza nos seus propósitos, seus valores e sua ética. E se você agora se pega concluindo que há muito tempo não para e reflete sobre o tipo de contexto em que está inserido, proponho alguns passos.

Em primeiro lugar, não são as emoções em comum nem a história em comum que devem nortear as associações que você aceita. Mas sim, a certeza de que há um futuro em comum, entre você e os outros envolvidos. E, mais importante de tudo, se há um propósito em comum.

Muitos profissionais estão trabalhando para empresas cujo propósito é muito diferente dos seus e, portanto, não há benefício possível que os mantenham motivados. Conhecer o próprio propósito e o da empresa é, portanto, fundamental para entender se a conexão será duradoura ou efêmera.

O segundo fator é avaliar se seus valores e crenças estão alinhados aos da empresa. Cautela, aqui. Todas as organizações são capazes de declarar com fervor seus valores: honestidade, justiça e sustentabilidade, por exemplo. Contudo, pouquíssimas falam sobre suas crenças, que são os desdobramentos dos valores.

Você pode ter justiça como valor, e sua crença é de que justiça significa oportunidades iguais para todos. Entretanto, para mim, justiça é oferecer mais oportunidades para quem entrega mais. Ou seja, podemos ter valores iguais e crenças diferentes.

Ninguém tem problemas em expor seus valores, mas a maioria dos conflitos ocorre por diferença de crenças. Conheça bem as suas e as do outro.

E por fim, há ainda um último passo, para não cair no abismo da decepção. Garantir que sua ética é a mais próxima possível da ética de sua empresa, ou associação. Porque você não conseguirá suportar uma diferença muito grande.

Pessoas éticas não abrem mão de seus princípios por razão alguma, e trabalhar com alguém cuja ética é fluida é um risco muito grande para sua reputação e imagem, e, acima de tudo, para sua consciência. Não é possível ter paz de espírito, se nossa ética for aviltada.

Seu sucesso depende de você se associar a pessoas e organizações que acrescentem possibilidades que, sozinho(a), você não encontraria. E, ao mesmo tempo, te oferecer estabilidade, para que você use seus pontos fortes em favor do maior número de gente.

Por que ser mais um dentre tantos que deixam o senso crítico definhar? Admiráveis são as pessoas conscientes de seus valores, crenças e ética. Ainda que você não entenda bem qual o seu papel no mundo, esses serão sempre um norte incontornável em sua vida.

*Sílvio Celestino é colunista do Blog do Runrun.it, autor do livro Conversa de Elevador – Uma Fórmula de Sucesso para sua Carreira e sócio-fundador da Alliance Coaching. @silviocelestino.

gestão estratégica de pessoas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>