Descubra como funciona o modelo de trabalho híbrido nas empresas

Descubra como funciona o modelo de trabalho híbrido nas empresas

Trabalho híbrido é um modelo no qual se alterna na semana entre dias no escritório e dias em home office. Essa forma não é novidade, porém tem se tornado cada vez mais discutida no mundo corporativo por conta da pandemia do novo coronavírus, tendo em vista que com a flexibilização do isolamento social em vários estados, muitos estão se perguntando como seguir daqui em diante. 

Uma coisa é fato, o trabalho remoto acabou pegando muita gente de surpresa lá em março deste ano. Muitos gestores não acreditavam que esse era um modelo eficiente para suas equipes justamente por conta da impossibilidade de visualizar no que cada um estava trabalhando, além da falta de interação social. Porém, como mostram as pesquisas, a experiência acabou sendo bem diferente. 

Muitos consideram o trabalho híbrido como o “melhor dos dois mundos”, porque permite uma rotina de trabalho flexível, mantendo as boas práticas do trabalho remoto com maior concentração e trazendo apenas o melhor do presencial para reuniões e brainstormings, fazendo a manutenção dos vínculos sociais do trabalho. Mas, será que esse modelo é realmente o ideal para todos? Nesse artigo vamos discutir quais são os principais impactos do trabalho híbrido por área da empresa:

 

Panorama geral: trabalho remoto vs. trabalho híbrido

“Se houve uma lição aprendida em sociedade é que nos tornamos mais conectados em algum sentido, porque o mundo todo está passando pela mesma situação”, afirmou Walter Lee, Head da NEC Consulting da divisão Ásia-Pacífico, no relatório elaborado pela TechRepublic em parceria com a Microsoft sobre o processo de adaptação ao “novo normal”. Para ele, todos nós tivemos que nos adaptar rapidamente ao novo modelo de trabalho remoto, lá em meados de março. Porém, como serão as coisas daqui para frente?

Para começar a entender melhor o cenário futuro, primeiro precisamos analisar alguns dados: 

Uma pesquisa realizada em maio pelo instituto de pesquisa de economia política da universidade de Stanford revelou que 55% dos trabalhadores americanos gostaria de trabalhar no modelo híbrido. 

No Reino Unido, a expectativa é de que o grupo de trabalhadores remotos regulares dobre de 18% (porcentagem de antes da pandemia) para 37%. Esses dados foram coletados pelo Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD), uma associação para profissionais da área de recursos humanos. 

Na China, Alicia Tung, COO (Chief Operating Officer) do Instituto Great Place to Work, acredita que em cerca de 10 anos a divisão em porcentagem do trabalho será algo em torno de 60/40 entre presencial e remoto. 

No Brasil, através de pesquisas realizadas pelo Runrun.it com colaboradores e gestores de agência, vimos que para o futuro 57,5% dos colaboradores afirmou que gostaria de continuar trabalhando remotamente 5 vezes por semana, o que é quase 3 vezes menor do que a quantidade de gestores que gostaria de continuar 100% em home office, de acordo com pesquisa realizada pelo Runrun.it com cerca de 300 gestores em maio de 2020. Por outro lado, a vontade de trabalhar a distância alguns dias da semana é muito similar para colaboradores (81,5) e gestores (82,7), de acordo com os resultados da pesquisa mencionada anteriormente.

Ou seja, como podemos observar o cenário está bem dividido e até o momento cada empresa está gerenciando a questão da forma que considera a melhor. Enquanto empresas como o Facebook já anunciaram que pretendem manter o trabalho remoto até pelo menos 2021, outras empresas já retornaram algumas atividades no escritório, enquanto outras ainda optam por deixar que cada funcionário escolha a melhor opção. 

Essa situação é completamente normal se considerarmos que estamos passando novamente por um processo de transição, porém como se organizar a longo prazo? Como fica o fluxo de trabalho, a organização das tarefas do time, a transparência na comunicação e mesmo a estrutura física de como seria o escritório ideal? Isso é o que você acompanha nos próximos tópicos. 

>>Leitura recomendada: Trabalhar a distância pode ser (bem) diferente: a visão de futuro da XP Investimentos

Liderança no modelo híbrido

A flexibilização do modelo 100% presencial acabou trazendo à tona, especialmente para grande parte das pessoas que não estavam acostumadas a trabalhar de forma remota, uma certa quebra de paradigmas em relação ao onde e quanto trabalhar, isso porque modelos híbridos e remotos acabam dando mais liberdade para que as pessoas organizem as próprias rotinas, para dar conta das entregas e também de outras atividades. Ou seja, não é todo mundo que vai conseguir trabalhar das 09h às 18h, de segunda a sexta-feira, porém isso não significa que eles não estejam produzindo. 

De acordo com a pesquisa realizada pelo Runrun.it, já mencionada acima, 62% dos colaboradores afirmou estar trabalhando mais horas do que antes para entregar a mesma quantidade de tarefas, ou até mais. 

Mas, como estamos falando de trabalho híbrido, esse entendimento em relação às atividades desempenhadas no trabalho também muda. Isso porque, já que essa seria a “união do melhor dos dois mundos”, o trabalho remoto poderia ser destinado para tarefas que precisam de alta concentração ou levam muito tempo (deep work) e o presencial para atividades que precisam de mais socialização como brainstormings e reuniões, por exemplo. 

As empresas podem adotar configurações de trabalho híbrido muito diferentes. Há empresas que optam por dividir mensalmente com 3 semanas remotas e 1 presencial, outras que passaram a adotar espaços de coworking mais flexíveis nos quais seja possível adquiri por um valor X o aluguel de uma sala de reuniões por Y vezes ao mês, ou ainda empresas que possuem arquivos físicos não digitalizados e que, portanto, ficam impossibilitadas de abrir mão do escritório, fazendo com que colaboradores tenham que se deslocar conforme a necessidade, como mostra essa reportagem publicada pela BBC. 

A dinâmica de relacionamento entre líderes e suas equipes pode ser afetada justamente pela falta de equilíbrio. “Em empresas onde alguns trabalham à distância e outros não, os trabalhadores remotos receberam menos promoções, menos capacitação e menos feedback sobre seu desempenho por estarem um pouco fora de vista”, afirma a professora de Recursos Humanos e Organização da Universidade Aberta da Catalunha e especialista em teletrabalho, Eva Rimbau, em entrevista ao El País

Para Joseph Sweeney, Conselheiro do IBRS, a verdadeira mudança de paradigma está na percepção de que é o trabalho colaborativo que torna os resultados mais evidentes, ou seja, a ideia de que existe uma única estrela no time cai por terra quando falamos de entregas remotas ou híbridas. 

Por isso, ao adotar o trabalho híbrido é importante que gestores se preocupem em equilibrar os dias e quem vai ou não ao escritório, para evitar que apenas aquilo que é visto seja levando em consideração. E é aqui que a gestão do tempo adquiri um novo significado, obrigando gestores a pensar de forma mais modular na hora de distribuir as atividades para que as equipes possam trabalhar de forma síncrona e assíncrona, evitando exigir que todos estejam online ao mesmo tempo, dependendo uns dos outros para tomar decisões pequenas. Do contrário, a longo prazo, esse desequilíbrio pode gerar conflitos entre os membros da equipe, aumento o turnover e causando queda na produtividade. 

Ademais, é importante também que as empresas se preocupem em desenvolver programas de reconhecimento e promoção, evitando injustiças e considerando as entregas realizadas e não o esforço percebido, evitando a tomada de decisão arbitrária. A longo prazo, isso vai se refletir na retenção de talentos e na manutenção do capital intelectual da organização.

>>Leitura recomendada: Gestão a distância: como liderar equipes remotas 

Cultura organizacional e trabalho híbrido 

A cultura organizacional de uma empresa é composta pelo conjunto de valores e comportamentos que são esperados de todos os colaboradores. Na maioria dos casos, está relacionada a missão, visão e valores, mas também é composta por ações orgânicas e adquiridas pela percepção e consciência no dia a dia.  

Ou seja, a cultura vai muito além das regras escritas de uma empresa e é importante que isso também seja estendido para a o trabalho remoto, justamente para assegurar que o sentimento de pertencimento seja cultivado desde o onboarding

Outro ponto importante também se refere a como a empresa está organizando as jornadas dos trabalhadores e avaliando as entregas. “Isso aponta para uma mudança real na forma como pensamos sobre as atividades feitas e em como interpretamos uma semana tradicional trabalho. O novo normal será híbrido no sentido de que é possível que as pessoas trabalhem de casa ou do escritório, mas também será híbrido em termos de horas do dia e quanto trabalho é feito de segunda a sexta-feira versus fim de semana. Todos nós aprendemos a lição sobre como podemos ser produtivos e flexíveis”, aponta Katy Dundas, Head de Marketing do Microsoft Teams. 

Dessa forma, a linha entre trabalho e vida pessoa vai se tornando ainda mais tênue. Em termos de cultura de empresa – e claro, dentro da legislação do seu país/estado – é importante garantir o equilíbrio entre esses dois momentos para que realmente o trabalho híbrido possa representar a “união do melhor dos dois mundos”. 

Além do mais, como já comentamos acima, o ambiente físico também colabora para transparecer o espírito e a forma com a qual as empresas esperam que o trabalho aconteça. 

Em um cenário pré-COVID a agência NOVOS tinha um contrato tradicional com um coworking, o WeWork, onde trabalhavam todos os funcionários. Porém, com a pandemia eles abandonaram esse contrato e passaram a trabalhar em grande parte de forma remota e passaram a aderir ao We Membership, onde eles pagam um valor para alugar o espaço algumas vezes por mês. O CEO da NOVOS, Antonio Wedral, em entrevista a BBC explicou também que anteriormente eles possuíam apenas funcionários das redondezas de Londres, e atualmente, há colaboradores até da Polônia no corpo de funcionários deles. Para ele, esse modelo tem funcionado bem, já que é possível aproveitar o ambiente físico quando necessário e manter o trabalho remoto, inclusive, contratando talentos de outras cidades, estados ou até países. 

Dessa forma, a pandemia (uma mudança externa) impactou na configuração física de trabalho, que resultou em mudanças culturais dentro da empresa, afinal, agora é possível trabalhar mais tempo de forma remota e ainda incluir no time pessoas com outras nacionalidades e culturas. 

A pesquisadora de comportamento organizacional da Universidade Carnegie Mellon, Anita Williams Woolley, acredita que a tendência é que os espaços físicos destinados ao trabalho presencial sejam cada vez menores. Para ela, esses espaços serão voltados para encontros e reuniões, a ideia é que as famosas “baias” deem lugar para espaços de trabalho que sejam mais compatíveis com as necessidades daqueles que estão nos escritórios. 

Dessa forma, como a cultura é fluida, mutável e está presente em cada um dos colaboradores é importante ter em mente essa necessidade de acompanhar os impactos gerados pelas mudanças e procurar gerar conexões, evitando que as pessoas se sintam apenas como “entregadores de tarefa”. 

>>Leitura recomendada: Microgestão pode gerar macroproblemas. Veja como evitá-los

Comunicação e trabalho híbrido 

Garantir que a comunicação está fluindo de forma transparente e que todos estão recebendo as informações que precisam já não é uma tarefa fácil quando estamos em um modelo presencial e ou mesmo 100% remotos. 

Portanto, esse mesmo cuidado precisa continuar existindo no trabalho híbrido. De acordo com o pesquisador organizacional do Institut Européen d’Administration des Affaires (INSEAD), Marco Minervini, também em entrevista à BBC, nesses casos você corre o risco de criar um grupo “in” (presencial) e um grupo “out” (home office), tratando cada um de uma forma, selecionando as informações de forma desproporcional ou ainda privilegiando um determinado grupo, criando gaps de evolução dentro da empresa e aumentando as chances de conflito entre os grupos. 

Durante a quarentena, muitas empresas buscaram por alternativas para criar momentos de socialização, ainda que de forma online, com o objetivo de manter as conexões que já existiam no escritório. Porém, esse tipo de ação só funcionou em ambientes que já tinham essa cultura pré-estabelecida, do contrário é pouco provável que esse tipo de interação traga os resultados esperados. 

É claro que diante desse obstáculo não é necessário desistir! Afinal, antes tarde do que nunca. Porém, isso significa que você vai ter que começar a fazer um trabalho de base, com pequenos estímulos e mudanças, para que todos comecem a interagir e se conectar aos poucos. 

Portanto, a comunicação vai ter que continuar sendo cada vez mais explícita e transparente. Até mesmo porque, líderes não podem correr o risco de passar a informação A para um grupo em um dia e no outro a informação B, ou pior ainda, informar apenas um grupo. Esses cuidados te ajudam a evitar conflitos na sua gestão, porém será um eterno ponto de atenção. 

[Webinar] Comunicação não-violenta no trabalho remoto 

A comunicação não-violenta (ou CNV) é uma abordagem voltada para a forma como expressamos nossas necessidades, esquematizada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg. Um dos maiores preceitos é que para praticá-la você precisa praticar o hábito a escuta empática, já que isso vai te ajudar a  identificar os sentimentos e as necessidades das pessoas ao nosso redor. 

As 4 noções básicas da comunicação não-violenta são: 

  1. 1. Evitar julgamentos
  2. 2. Reconhecer emoções desconfortáveis
  3. 3. Identificar necessidades não atendidas
  4. 4. Viabilizar a convivência
 

Seguir os ensinamentos da CNV, faz parte de um movimento que começa com um interesse pessoal, que pode acabar te ajudando a lidar melhor com a sua equipe, ainda mais nessa situação híbrida. O nosso CEO, Antonio Carlos Soares, conversou com Debora Gaudêncio, facilitadora de diálogos sobre o assunto em um webinar! Para conferir a entrevista completa é só assistir ao vídeo abaixo: 

>>Leitura recomendada: 5 problemas reais de comunicação que atrapalham o andamento da sua empresa e como evitá-los

Tecnologia no trabalho híbrido

“Na maioria das vezes, a relutância em aderir ao home office estava relacionado ao conceito ultrapassado de como os líderes deveriam fazer gestão, ou seja, eles precisavam “ver” e  policiar o trabalho de sua equipe para ter certeza de que tudo estava sendo feito de acordo com o esperado”, afirma Sarah Kaine, professora da universidade de tecnologia de Sydney e membro do Centre for Business and Social Innovation CBSI, quando perguntada sobre o porquê de muitas empresas hesitaram na adoção ao trabalho remoto, descartando a possibilidade de isso estar relacionado a limitações tecnológicas. 

O fato é que, por conta da pandemia do novo coronavírus, a transformação digital deixou de ser algo a ser planejado nos próximos 5 anos, para algo que deveria ter acontecido ontem, sendo fundamental para garantir a sobrevivência de muitas empresas. 

Um estudo realizado pelo Capterra (uma plataforma de busca e comparação de softwares) com 409  funcionários de pequenas e médias empresas  (com até 250 funcionários), de diversos setores de todo o país, concluiu que 47% das PMEs entrevistadas não tinham nenhum plano de gestão de continuidade de negócios e foi necessário alocar recursos financeiros do dia para a noite para manter a empresa funcionando e se adequar à nova realidade, como é o exemplo dos negócios que precisaram se reestruturar para fazer atendimentos por delivery. 

De acordo com a pesquisa, 63% dos gerentes responsáveis pela compra de softwares das empresas consultadas afirmam que seus negócios terão de adotar novas ferramentas como resposta à Covid-19. Nesse sentido, softwares de comunicação e segurança do trabalho no home office ganharam destaque, isso porque, a curto prazo, eles se tornam os primeiros pontos de atenção e que precisam ser resolvidos com mais agilidade. 

Outro tipo de ferramenta que chama atenção são as de assistência / atendimento aos clientes. Entre todos os gerentes ouvidos, 86% consideram a retenção de clientes importante ou muito importante no curto prazo. 

Software de colaboração e gestão de projetos aparecem em sequência, com 29% e 28%, respectivamente. Não é a toa que muitos consideram esse período como uma aceleração de tendências e consequentemente da transformação digital.   

Pensando no trabalho híbrido, é fundamental que todos na empresa possam acessar as informações necessárias de qualquer lugar, já que elas podem estar um dia no escritório e no outro em casa. E é aí que entram os sistemas de armazenamento em nuvem que se tornaram cada vez mais populares, assim como a necessidade de adotar  políticas de proteção e segurança de dados, para evitar qualquer vazamento que seja prejudicial a empresa. 

Garantir a segurança da informação no home office começa na escolha de bons softwares e na informação disseminada, ou seja, que as melhores práticas de uso sejam claras para todos. 

O Runrun.it é uma plataforma completa de gestão em formato SaaS (software as a service), dessa forma, as informações podem ser acessadas por todos, independente do lugar. Além disso, você vai conseguir ter a visão do todo – dos seus projetos e tarefas – acompanhando em tempo real o desenvolvimento e a produtividade do time. Além disso, você pode fazer aprovações e dar feedbacks para a sua equipe, mantendo a comunicação com a equipe transparente e fluida. Crie sua conta grátis agora mesmo: https://runrun.it

trabalho híbrido

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>