Liderança autocrática: o que é e em quais situações ela é útil à empresa

Liderança autocrática: o que é e em quais situações ela é útil à empresa

A liderança é um processo de influência intencional e explícita de uma pessoa sobre as outras, com a finalidade de guiar, estruturar e facilitar atividades e relacionamentos em grupo. Ou seja, ela deve inspirar e mobilizar pessoas na busca de um objetivo comum. Entre os modelos clássicos de gestão, existem dois que sempre são lembrados: a liderança autocrática, em que a autoridade está concentrada em uma única pessoa, e a liderança democrática, em que as pessoas sob a autoridade de um líder também têm voz no processo de decisão.

Cada tipo influencia de modo distinto o ambiente de trabalho, o comportamento dos profissionais e o desenvolvimento das atividades. Fugindo de uma visão maniqueísta, não pretendemos oferecer uma fórmula ou uma resposta pronta sobre qual é o certo ou errado. Melhor que isso, convidamos você a refletir sobre as influências dos estilos de liderança  nos resultados e no comportamento das pessoas. Boa leitura e boa escolha!

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O que é a liderança autocrática? 

Para entender melhor o significado de liderança autocrática é preciso analisar as raízes da palavra autocracia. De origem grega, o termo é traduzido como governo por si próprio. Trazendo essa compreensão para o mundo da gestão, a liderança autocrática representa uma visão centralizadora, na qual o gestor assume a responsabilidade por todas as decisões. 

Essa postura acontece na liderança autocrática, pois há um direcionamento que conduz as ações dentro de uma estrutura de trabalho organizada e com um controle frequente, focada na eficiência dos resultados e no aumento da produtividade, sobretudo na esfera operacional. 

A liderança autocrática é encontrada em organizações que valorizam a hierarquia vertical, no qual cada departamento possui seus gestores que, consequentemente, estão subordinados a outros líderes e gestores. No planejamento estratégico dessas companhias, existe um espaço para a troca de ideias, entretanto, o presidente ou CEO irá fazer valer seu poder de decisão para conduzir a empresa conforme seus ideais. 

Os tabus sobre a liderança autocrática

 Do mesmo modo que o modelo consegue transmitir os valores da cultura organizacional de maneira mais nítida, o comportamento da liderança autocrática causa receios por conta de sua visão mais conservadora, o que pode ser notado como um ponto negativo, considerando as novas gerações que entram no mercado de trabalho. 

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Com o passar dos anos e com as mudanças na história do trabalho, a liderança autocrática absorveu práticas vindas de outros modelos de gestão, principalmente no que diz respeito ao bem-estar dentro das empresas, por meio do reconhecimento de seus talentos, e à transparência na forma de repassar as condutas e políticas organizacionais da instituição, respeitando as diferenças existentes no quadro de funcionários. 

As características da liderança autocrática

As definições da liderança autocrática foram documentadas pela primeira vez em um estudo realizado pelo psicólogo Kurt Lewin, em 1939. Para compreender os estilos de liderança, seu experimento separou crianças em idade escolar em dois grupos. Cada um tinha um líder caracterizado como autocrático ou democrático. As crianças foram instruídas pelo líder para completar um projeto de artes.

A pesquisa atestou que, para esse tipo de tarefa um líder 100% autocrático é ineficiente, pois a criatividade diminui sob a liderança autoritária. Por outro lado, ficou entendido que a liderança autocrática se comporta muito melhor para a orientação em tarefas mais operacionais.

Tendo isso em vista, listamos abaixo as principais características desse modelo de liderança: 

  • Eficiência: a busca pelo resultado mais preciso baseia a liderança autocrática, evitando o máximo possível a chance de erros. 
  • Forte política institucional: os padrões conduzem as operações e por isso o esclarecimento das atividades e valores da organização é um dos preceitos dos líderes. 
  • Centralidade: as equipes trabalham em torno do escopo aprovado pelos profissionais em cargo de liderança, que também são os decisores dos projetos. 
  • Controle das atividades: há grande foco na supervisão das operações. 
  • Recompensa: lideranças autocráticas costumam seguir a linha da meritocracia, na qual os bons desempenhos são reconhecidos. 
 

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É notável que o alinhamento da liderança autocrática é voltado para a organização dos processos internos e externos, pela objetividade dos planos e pela busca de um melhor aproveitamento, para que a empresa continue crescendo. 

Em contrapartida, a rigidez das relações institucionais e a dependência quase que integral dos gestores para a aprovação das tarefas rotineiras afasta profissionais que esperam um espaço maior para suas ideias, o que por consequência traz uma desmotivação e dificuldades no gerenciamento de conflitos, pois o ponto de vista é unilateral, o que se configura como uma desvantagem para o modelo de gestão. 

Nos próximos tópicos, vamos detalhar os aspectos que podem ser vistos como positivos e negativos para a liderança autocrática e como ela pode revisar seu posicionamento com base em novas experiências do mercado. 

As vantagens da liderança autocrática 

Os benefícios da liderança autocrática são bastante relacionados à precisão operacional e à forma de utilizar a gestão do tempo ao seu favor. Confira: 

Agilidade na tomada de decisões

Seja no contexto habitual ou durante a gestão de crises, a liderança autocrática possui um poder de responder mais rápido, justamente por suas ações serem centralizadas em torno de uma figura de comando. 

Por esse motivo, as escolhas são mais pragmáticas, pois resolvem situações pontuais que precisam ser definidas a curto prazo. Isso faz com que as empresas estejam mais preparadas para se adequar às tendências do seu segmento de atuação. 

Estabilidade corporativa 

Com esse preparo para possíveis adversidades, uma liderança autocrática preserva um ambiente de trabalho estável. A visão mais racional permite um controle das operações e aumenta a confiança das equipes no seu representante máximo. 

Equipes especializadas e mais produtivas 

Focadas no objetivo geral idealizado pela organização, as equipes minimizam as distrações com interesses paralelos e se dedicam a efetuar as práticas correlativas ao foco estabelecido, o que por consequência é um impulso para a produtividade. 

Outro reflexo que é notado é o aumento da confiança nos departamentos, principalmente diante da realização de uma nova atividade. Quando o líder é transparente quanto aos seus propósitos e consegue repassar seu conhecimento de maneira compreensível, os colaboradores se sentem mais seguros para seguir o caminho recomendado. 

Gestão do tempo eficiente 

Pela dedicação em manter os prazos e informações sob controle, a liderança autocrática consegue mensurar o tempo de realização e os recursos alocados em um projeto com mais assertividade. 

Inclusive, o Runrun.it é uma ferramenta que viabiliza o aprimoramento desse acompanhamento, pois possibilita as projeções de entrega por meio da automação e de seu timesheet, que registra o tempo utilizado para a realização de cada etapa dos projetos em andamento. 

No Runrun.it, o timesheet automático contabiliza o tempo utilizado para executar as tarefas

Os pontos negativos da liderança autocrática

Já as desvantagens da liderança autocrática são bem associadas à falta dos canais de escuta a outros integrantes da empresa, o que diminui a pluralidade de opiniões e os caminhos que uma companhia pode percorrer. Os contras mais apontados são: 

Baixa colaboração 

A verdade é que, na liderança autocrática, a contribuição dos colaboradores para o desenvolvimento de novas estratégias para a organização é praticamente nula. O líder pode ouvir as diferentes opiniões, mas sempre irá fazer valer a sua decisão final. 

Com essa conduta, os trabalhadores ficam mais desmotivados a contribuir para o crescimento institucional, limitando suas ações aos assuntos de praxe e que deixam os setores estagnados ao invés de evoluírem conjuntamente. 

Alta taxa de turnover 

Com a ausência de espaço para fala ou novas ideias, as empresas que mantêm a liderança autocrática sofrem com o aumento da rotatividade dos profissionais, que procuram corporações onde suas sugestões de melhorias são aproveitadas. 

Sem a retenção de talentos, há o risco de estagnação dos resultados, já que os colaboradores migram para a concorrência ou outros nichos de mercado nos quais podem se destacar com mais facilidade. 

Microgestão 

A microgestão é a prática da supervisão excessiva e da falta de distribuição de responsabilidades, na qual o líder acredita que todas as tarefas precisam de sua aprovação. 

Esse comportamento é capaz de minar a confiança do colaborador, possibilitando que ele desenvolva a síndrome do impostor, na qual o profissional desacredita de suas próprias habilidades. Além do mais, há um sentimento de vigilância constante, o que afeta consideravelmente o desempenho das equipes. 

Redução da diversidade 

Por limitar o acesso das vozes diferenciadas, a liderança autocrática acaba resultando na repetição dos padrões comportamentais. Sendo assim, o espaço para jovens promissores e para minorias com outras experiências de vida é restrito e os afasta de corporações autocráticas. 

A diversidade dentro das empresas deve ser estimulada justamente pelas possibilidades que a equidade de gênero, raça e identidade produz culturalmente para a organização. Porém, se não há uma adequação das empresas, há prejuízos criativos e econômicos em razão da perspectiva convencional. 

As diferenças entre  liderança autocrática e democrática

Ao longo do artigo, mostramos vários fatos que representam a liderança autocrática, mas agora chegou o momento de apresentar outro estilo de gestão, a liderança democrática. Esse modelo valoriza a troca de ideias entre funcionários e gestores, melhorando a satisfação e o engajamento. 

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Um bom líder democrático toma atitudes adequadas para ajudar quando necessário e incentiva os membros do grupo a participar, mas mantém a palavra final sobre assuntos importantes. A liderança democrática estimula a autogestão, que é quando as pessoas assumem o controle sobre as suas tarefas e conseguem definir suas prioridades com autonomia. 

Na liderança democrática também existem cargos hierárquicos, no entanto, não é repetida a mesma rigidez da conduta autocrática. Mais empáticos, os líderes operam como facilitadores do processo de trabalho, demonstrando uma postura mais resiliente e comprometida a ajudar seus liderados a alcançar seus objetivos. 

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O que os profissionais esperam das lideranças 

O futuro do trabalho reserva desafios para os chefes, gestores e coordenadores e demais postos de liderança. Além dos incrementos da transformação digital em suas rotinas, eles precisam conciliar as expectativas de diferentes gerações que estarão dividindo o mesmo local de trabalho. 

Um fato preocupante é que independentemente da faixa etária, o nível de confiança nos líderes não é positivo, segundo pesquisas realizadas por e institutos especializados. Um levantamento feito pela consultoria Michael Page em 2019 apontou que oito em cada dez funcionários pediriam demissão por conta de suas chefias. 

Já a Oracle, empresa de tecnologia, divulgou em uma pesquisa realizada no mesmo ano que 78% dos brasileiros confiam mais na inteligência artificial que em seus gestores. Entre os motivos de insatisfação apontados em ambos relatórios estão a ausência de feedbacks, pouco estímulo ao desenvolvimento profissional e o fato de não encontrar inspiração nos gestores. 

Entre as expectativas almejadas pelos colaboradores acerca das lideranças estão: 

  • Mais feedbacks: avaliações mais frequentes sobre o desempenho no trabalho. 
  • Apoio ao desenvolvimento profissional: a requalificação e a melhoria no aprendizado contínuo é um desejo dos trabalhadores.
  • Delegar com responsabilidade: a liberdade para a tomada de decisão precisa vir acompanhada de um acompanhamento do processo de trabalho.
  • Apoio ao bem-estar: canais de diálogo, demonstração da vulnerabilidade na liderança e conexão entre os profissionais aumenta o sentimento de pertencimento. 
  • Flexibilidade: com outros modelos de trabalho, a gestão à distância permite um contato mais flexível entre gestores e liderados. 
 

Contexto é tudo!

Cabe ao líder do processo identificar qual o melhor caso para aplicação de cada um dos modelos de liderança. Ambientes diferentes vão demandar posturas e comportamentos diferentes. Um gestor pode escolher um estilo de liderança, levando em consideração:

a) A tarefa a ser executada;

b) As pessoas da equipe;

c) E a situação.

 

Isso se chama liderança situacional. No artigo “Os melhores líderes são aprendizes constantes”, publicado na Harvard Business Review, Kenneth Mikkelsen diz que “um gestor eficaz tanto manda cumprir ordens como sugere aos subordinados a realização de certas tarefas, ou ainda os consulta antes de tomar alguma decisão. O desafio está em contextualizar”. Ou seja, ele sabe quando aplicar cada estilo, com quem e em que circunstâncias.

E o autoconhecimento se mostra fundamental para que fragilidades e fortalezas sejam administradas de forma eficiente. Você pode até ter tendência a um perfil específico, mas tem de ter flexibilidade suficiente para aprender e incorporar outras características caso necessário.

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Uma ferramenta para todas as lideranças 

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Pesquisas e conteúdo mencionados

https://www.fastcompany.com/1838481/6-leadership-styles-and-when-you-should-use-them

https://hbr.org/?hideIntromercial=true&utm_medium=website_placement&utm_source=RFM_brazil&utm_campaign=site_redirect

https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2019/11/22/8-em-cada-10-profissionais-pedem-demissao-por-causa-do-chefe-veja-os-motivos.ghtml

https://vocesa.abril.com.br/carreira/3-em-cada-10-profissionais-nao-confiam-nos-chefes-veja-o-que-fazer/

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