Transformática: fatores-chave para alcançar a maturidade digital nas empresas

Transformática: fatores-chave para alcançar a maturidade digital nas empresas

A maturidade digital é a habilidade das empresas crescerem a partir do uso estratégico da tecnologia no dia a dia. Para auxiliar as instituições nesse processo, a consultoria McKinsey desenvolveu uma metodologia chamada transformática, que relaciona cinco fatores-chave para implementar a transformação digital nas empresas de forma assertiva. A proposta surgiu a partir da observação de 250 mil iniciativas acompanhadas pela instituição que impulsionaram a maturidade digital em organizações de diferentes setores e países. 

Os apontamentos compilados pela McKinsey ainda servem como guia para as empresas que querem estimular a transformação digital em suas rotinas, mas não sabem por onde começar. Afinal, o uso da tecnologia não pode ser ignorado por organizações que pretendem ser competitivas no mercado. Em um artigo, publicado em julho de 2020, os analistas David Beckoff e Erika Ruiz mostram que para 85% dos CEOs entrevistados o investimento em tecnologia só tende a aumentar até julho de 2021. Sendo que a automação de processos é a principal área de destino dos recursos. 

No entanto, outro estudo da McKinsey calcula que 50% das atividades executadas atualmente pelas empresas podem ser automatizadas com tecnologias que já existem e que são efetivas. Entretanto, apenas 10% dessas tarefas realmente são automatizadas. Se você também quer saber mais sobre como promover a maturidade digital na sua empresa de forma bem-sucedida, acompanhe os seguintes tópicos do nosso artigo:

 

Maturidade digital nas empresas 

Antes de avançarmos sobre os pilares da maturidade digital bem-sucedida, segundo os fatores da transformática, é  importante compreender os benefícios dos investimentos em transformação digital. Uma pesquisa da McKinsey com 124 instituições de grande e médio porte em diversos setores do Brasil serve como guia para compreender os dilemas que as organizações enfrentam e como os superam nesse momento.

A transformação digital, segundo o estudo, pode abranger essas quatro alavancas:

  1. 1. Modelos de negócio – Novas formas de operar e modelos econômicos; 
  2. 2. Conectividade – Engajamento em tempo real; 
  3. 3. Processos – Foco na experiência do cliente, automação e agilidade;
  4. 4. Analytics – Fortalecimento da cultura de dados para tomar melhores decisões. 
 

No entanto, para gerar valor com essas alavancas, é preciso relacioná-las a um conjunto de práticas de gestão que abrangem quatro dimensões da maturidade digital e organização do fluxo de demandas das empresas. Os elementos e as suas funções são: 

  • Estratégia – Alinhamento de uma visão ambiciosa com uma perspectiva abrangente das ações, mensuração clara dos resultados, comunicação frequente e atualizada sobre o histórico das transformações e da estratégia digital da empresa.
  • Capacidades – Base intensa de dados e informações, acompanhamento estratégico das mudanças, geração de insights por meio de ferramentas, entendimento abrangente da experiência do cliente em toda a sua jornada de compra e aumento do engajamento digital com o uso de planejamento de marketing.
  • Organização – Estímulo à colaboração eficaz e eficiente entre unidades, possuir KPIs claros de performance relacionados a prioridades estratégicas, monitoramento contínuo e sistemático, avaliação da habilidade para atrair, desenvolver e reter talentos, bem como a proficiência de funções críticas do negócio.
  • Cultura – Agilidade na tomada de decisão, estímulo à experimentação, colaboração interna, mentalidade apoiada em dados, entendimento aprofundado do mercado, flexibilidade na busca por soluções, incentivo ao entendimento e à convicção e desenvolvimento de talentos, habilidades técnicas e soft skills.
 

Para alcançar a eficácia dessas quatro dimensões, a consultoria elabora ações essenciais que os líderes precisam colocar em prática. Segundo o estudo, os gestores devem investir em habilidades para aprimorar ferramentas e modelos de negócios sofisticados – esse aperfeiçoamento pode se dar tanto na contratação de talentos como em cursos às equipes. Os líderes também precisam acompanhar ativamente as iniciativas e estimular a disseminação do conhecimento obtido com os testes, prezando pela colaboração entre os times , entendendo erros como oportunidades de aprendizagem.

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Transformática: 5 fatores para a maturidade digital bem-sucedida

O termo transformática é emprestado da Psicanálise e foi originado em terras brasileiras, pelo psicanalista MD Magno, no final dos anos 1990, para dar conta de combinações humanas que geram novas formações de conhecimento. A palavra foi ganhando novas conotações e aqui expressa os cinco elementos observados repetidas vezes pela consultoria Mckinsey em empresas e equipes que traçaram um caminho bem-sucedido de maturidade digital. São eles:

1. Pense grande

Se você quer levar a tecnologia para dentro dos processos da sua empresa, o primeiro passo é não estabelecer metas que você, de certa forma, sabe que vai alcançar. Esse pensamento de “prometemos menos e entregamos mais”, segundo a consultoria, está longe de promover a maturidade digital. Isso porque os líderes não saem da sua zona de conforto por medo de se arriscarem e a empresa como todo não é desafiada a implementar algo novo. 

Para a McKinsey, se a sua empresa não atingir algum objetivo nos primeiros ciclos de investimentos da maturidade digital é um bom sinal, pois é visto que os líderes de fato desafiaram os seus limites e essa experiências, por mais que frustradas inicialmente, geraram aprendizados sobre a rotina da instituição. Segundo os dados da consultoria, quando as empresas de maior sucesso na América Latina estabeleceram metas ambiciosas, o retorno aos acionistas foi acima da média e ainda conseguiram aplicar cerca de 85 a 100% do potencial total da organização em até 24 meses.

2. Alcance toda a empresa

A consultoria ainda observa que as empresas na América Latina com melhor performance na transformação digital pensaram em como adotar o uso da tecnologia em todas as áreas e não restringir em setores, funções ou negócios específicos. Desta forma, a maturidade digital ocorre em sinergia e com menos desacordos. Dentre os resultados observados, está o crescimento do negócio, corte de custos obsoletos e a diminuição de despesas administrativas.

Examinar os processos de ponta a ponta da empresa ainda aumenta as chances de criar novas oportunidades de geração de valor em todas as funções. Para a McKinsey, não se pode investir em partes isoladas, pois a maturidade digital bem-sucedida exige bastante trabalho e interações entre os pares. Além disso, uma empresa sempre é conectada, por isso, a alteração de etapas de um determinado setor exige adaptações nos demais.  

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3. Envolva o maior número de colaboradores

Você não precisa, nem deve, carregar a transformação digital da sua empresa nas costas. Pelo contrário, dentre os fatores da transformática está delegar para às equipes implementarem em suas áreas iniciativas de maturidade digital. De acordo com a McKinsey, cerca de 54% das organizações envolveram até dois processos de transformação digital para uma mesma pessoa desenvolver. 

Essa prática tem um retorno satisfatório, porque exige menos etapas de aprovação e as iniciativas, quando distribuídas, em pequenas partes ficam mais fáceis e ágeis de serem administradas. Outro fator é que as equipes conseguem enxergar mais facilmente o potencial da tecnologia nas suas rotinas, o que os motiva a continuar aprimorando os processos. 

É sempre importante olhar pelos olhos dos colaboradores, se a empresa anuncia que irá investir em automação de processos, os times podem ficar acuados pensando que a tecnologia só veio para tirar seus empregos. No entanto, quando eles participam da implementação, a maturidade digital se torna mais amistosa e é estimulada por todos.

Adotar a metodologia OKR (Objetivos e Resultados-chave) pode facilitar esse processo de delegar iniciativas de implementação da transformação digital para os colaboradores se dedicarem. Existem várias maneiras de aplicar esse método, uma delas é estabelecer metas macro – delimitadas pela direção – e criar objetivos individuais. Desta forma, as equipes podem planejar como vão aplicar o uso da tecnologia na empresa.

Algumas dicas para adotar os OKRs são:

  • Organize o cenário: Explique como os objetivos e métricas definidos afetam a performance da equipe como um todo e permita que seus colaboradores se familiarizem com as definições dessa metodologia;
  • Identifique os objetivos: Os objetivos específicos devem estar alinhados às metas macro da empresa. Procure apresentar aos colaboradores de 3 a 5 objetivos que devem conter números.
  • Revisão e análise: Revise os itens com frequência, para tornar o planejamento flexível diante das mudanças do cenário.
  • Pontuação: Serve para avaliar os Key Results. O ideal é  alcançar uma nota de 0.6-0.7 no atingimento das metas. Pontos baixos podem indicar que sua equipe está longe de atingir os objetivos. Por outro lado, uma pontuação muito alta talvez demonstre que as metas sejam pouco ambiciosas.
 

4. Avance rápido

A transformática também sugere que a maturidade digital não procrastine, pelo contrário, a transformação digital deve começar a todo vapor. Em média, uma iniciativa com desempenho satisfatório leva de 6 a 12 meses para gerar retornos e a partir dos lucros conquistados a empresa passa a ter mais condições de investir em aperfeiçoamentos mais complexos e de longo prazo. A McKinsey apresenta que do valor todo gerado pela maturidade digital, 50% são na primeira fase e os demais ganhos vão sendo obtidos ao longo do tempo. 

Dessa forma, a maturidade digital se torna um ciclo virtuoso, pois um aperfeiçoamento gera outro. A consultoria, no entanto, alerta que há iniciativas de necessitam de mais tempo para serem implementadas de forma bem-sucedida, como é o caso de mudanças significativas no portfólio da empresa ou nos modelos de negócio.

5. Cuide da saúde organizacional

Todos os passos citados acima são caminhos para que a saúde organizacional da sua empresa não sofra com mudanças bruscas. Isso significa que os objetivos e metas estabelecidos devem andar junto com a condição financeira da sua empresa. 

Cuidar da saúde organizacional também significa estimular a mudança de cultura da sua empresa para a maturidade digital não ser vista como um pesadelo pelas equipes. Por isso, adotar os OKRs pode fortalecer os objetivos macro da instituição e possibilitar que os próprios times coloquem a mão para implementar uma nova tecnologia, gerando o sentimento de que a maturidade digital vem para melhorar a vida dos colaboradores.

Afinal, a tecnologia automatiza muitas funções burocráticas que consomem o tempo das equipes. Experimentar as praticidades do digital facilita que as pessoas se engajem nas melhorias propostas e ajudem na incorporação mais ágil das transformações digitais.

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Sem transformática: por que maturidades digitais são mal administradas?

Se você se manteve avesso a algum dos conselhos da transformática, pode estar tendo um comportamento convencional sobre o investimento em maturidade digital, que pode tirar as transformações dos trilhos. Para saber se você ou sua empresa mantém uma posição rígida diante da maturidade, acompanhe os destaques do estudo feito pela McKinsey sobre atitudes que enfraquecem a maturidade digital bem-sucedida.

1. Familiaridade a ambientes estáveis

Um dos primeiros elementos que o artigo apresenta para falar sobre como os líderes esbarram em dificuldades na hora de incorporar a maturidade digital é o despreparo de gestores em lidar com ambientes instáveis. Ou seja, o líder acaba priorizando a segurança e estabilidade contínua da empresa, descartando habilidades que propiciam ferramentas para diferenciar ameaças de mudanças necessárias para a saúde da organização.

Se o líder não consegue se afastar desse comportamento retroativo de estimular estruturas estáveis, orçamento regulares, metas incrementais e revisões trimestrais, a instituição cai na inércia e diminui sua competitividade no mercado.

2. Foque e elimine as distrações

É preciso ter disciplina para implementar uma maturidade digital bem-sucedida. Acontece que a McKinsey verificou que a rotina de muitos gestores e colaboradores é alimentada por distrações que aumentam desproporcionalmente o tempo exigido para concluir uma mudança satisfatória.

É essencial não estar com a corda no pescoço para conseguir entregar um trabalho de qualidade. No entanto, ocorre que vamos espaçando o nosso tempo com distrações e avanços lentos para preenchermos o período indicado, é o que explicar a lei de Parkinson. Logo, se temos uma tarefa para ser entregue em um mês, mas conseguimos fazer em uma semana, vamos, inconscientemente, trabalhando aos poucos para cobrir o total de dias previstos.

Para fugir desse vilão, muitas empresas adotam metodologias ágeis para acompanhar o fluxo de trabalho. Os métodos solicitam reuniões contínuas para você e sua equipe relatarem o progresso das tarefas. Desta forma, fica mais difícil cair na armadilha de avançar a passos lentos, pois quando revisitamos nossas atividades e planejamos no que vamos nos dedicar, podemos corrigir este comportamento mais facilmente. 

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3. Explique onde a sua empresa quer chegar

Essa etapa é bastante simples e, justamente, por isso, é frequentemente esquecida pelos líderes: explicar de forma clara o “porquê” a empresa está adotando a maturidade digital. Os gestores não podem presumir falsamente que o motivo para investir em tecnologia é claro para a empresa como um todo e, consequentemente, deixar de gastar tempo suficiente para comunicar a razão por trás dos esforços de mudança.

Outro ponto que pode ser explorado pelas empresas são os incentivos ao atingir as metas. Alcançar a maturidade digital pode ser desafiador, por isso, conforme as iniciativas mais complexas forem sendo implementadas promova benefícios ou reconheça a dedicação das equipes envolvidas. 

4. Não volte aos velhos hábitos

Conforme as transformações vão sendo implementadas de forma satisfatória, as empresas começam a perder o gás para engajar no aperfeiçoamento dos processos e voltam aos mesmos hábitos, pois estão seguranças que os resultados positivos são garantidos após o empenho. 

Retornar ao ponto de partida não deve ser uma prática. Para ir contra a maré, os líderes devem identificar os aprendizados que a sua equipe teve ao longo do processo e tentar mantê-los na rotina. Dentre as formas de preservar o engajamento está realizar análises financeiras, ciclos orçamentários anuais e permanecer com reuniões diárias de desempenho. Assim, os impulsos são mantidos e as equipes permanecem sendo desafiadas.

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Maturidade digital bem-sucedida tem comunicação eficaz

O processo de desenvolver a maturidade digital em uma empresa ocorre em várias etapas, mas uma habilidade que existe em todas elas, independente da complexidade, é a comunicação eficiente. As iniciativas precisam de um acompanhamento contínuo por parte dos líderes e as informações devem ser completas para as equipes se comunicarem com clareza e agilidade. 

Para isso, você pode contar com um software de gestão como o Runrun.it, que permite a visão do todo e possibilita uma percepção mais precisa sobre a fase em que os projetos e tarefas estão. A plataforma ainda gera relatórios de desempenho que servem como guia para você e sua empresa acompanharem a gestão do tempo de cada área, estabelecendo com mais assertividade prazos para a implementação das iniciativas. 

Além de facilitar a comunicação e a gestão do trabalho, um artigo publicado, em setembro de 2020, pela consultoria Deloitte apresenta um crescimento do uso de infraestruturas em nuvem. A pesquisa aponta que o formato foi acelerado por conta do aumento do home office, no entanto, estudos sobre segurança de dados cada vez mais indicam o mecanismo como uma opção mais segura, demonstrando que a tendência veio para ficar. 

O Runrun.it é uma ferramenta SaaS (software as a service) que armazena as informações na nuvem e centraliza a comunicação em único lugar, independente de onde os colaboradores estejam. Crie sua conta grátis: https://runrun.it.

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