Nômade digital: o que é e como preparar sua empresa para esse profissional

Nômade digital: o que é e como preparar sua empresa para esse profissional

O nômade digital tem um estilo de vida que o permite trabalhar enquanto conhece o mundo por meio de viagens que podem durar anos. Para esses profissionais, basta ter uma boa conexão de internet e um notebook que o trabalho acontece de qualquer lugar. Essa descrição é bastante familiar atualmente, já que com a pandemia da COVID-19 muitas empresas passaram a adotar o home office. No entanto, essa prática não começou durante o boom do trabalho remoto, pelo contrário, muitas pessoas precisaram pedir demissão e encarar a vida de freelancer para realizar o sonho de unir trabalho e viagens. 

Isso porque muitas empresas se mantinham receosas sobre o home office, já que havia muitas dúvidas sobre a produtividade dos colaboradores e a efetividade do modelo de trabalho. Por isso, aceitar que os funcionários adotassem o nomadismo digital estava fora de questão. No entanto, se a pandemia colocou em xeque a necessidade de escritórios, o nômade digital dá um passo adiante para descobrir se casas são realmente essenciais. Se você se interessou pelo tema e quer se aventurar nesse modelo de vida, acompanhe o nosso artigo para saber mais: 

 

O que é nômade digital?

Você já deve ter ouvido o termo nômade. Pessoas pertencentes às comunidades nômades são aquelas que não têm moradia fixa, sendo que o principal motivo para não se estabelecer em um único lugar é a escassez de recursos naturais. No século 21, é mais incomum encontrar tais comunidades, principalmente por conta do desenvolvimento da agricultura, que proporciona o cultivo do solo para a produção de alimentos e matéria-prima.

Justamente neste século, outro tipo de nômade surgiu. O nomadismo contemporâneo utiliza a transformação digital a seu favor para poder trabalhar de qualquer canto do mundo. Essas pessoas podem ficar anos viajando de um ponto a outro sem data de retorno, podem estabelecer um período de tempo em que vão se aventurar nesse modelo de vida que tem cada vez mais adeptos ou mesmo intercalar viagens com o retorno para casa e depois voltar para a estrada.

Há várias formas de ser nômade digital e o que liga essas decisões é o movimento de não ter um lugar fixo para morar. Você pode passar meses em um mesmo lugar e depois seguir para outra região, mas fazer uma mudança de um estado ou país para outro de forma permanente não configura como nomadismo.

Por mais que a tecnologia tenha possibilitado o surgimento do nômade digital, essa tendência também aumentou com os millennials. De acordo com a pesquisa “Digital Nomads”, lançada em 2019, pela MBO Partners, empresa focada na contratação de freelancers, 59% dos norte-americanos que praticam o nomadismo são desta geração. O estudo não aprofunda nos motivos por detrás deste número, mas basta saber um pouco dos desejos dos millennials para saber que eles dão mais valor à realização pessoal do que ser workaholic.

A mesma pesquisa ainda apresenta que 56% dessas pessoas trabalham como freelancers e autônomos, enquanto os demais 44% declaram ter um emprego tradicional que permite o home office. Como o estudo foi feito antes da pandemia, esse último dado deve sofrer um aumento significativo nos próximos anos. Além disso, vale destacar que o relatório ouviu trabalhadores de um país desenvolvido, que de fato está mais à frente em avanços tecnológicos. Portanto, se aplicássemos tal pesquisa na América Latina esse número de nômades digitais provavelmente cairia.

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Vantagens e desafios de ser nômade digital

A ideia de trabalhar e viajar ao mesmo tempo é realmente bastante atrativa, mas assim como suas vantagens, existem alguns desafios que precisam ser levados em conta na hora de definir o lugar e o momento da sua vida para embarcar nessa jornada. Para isso, separamos alguns dos pontos mais sensíveis para você ponderar quando for tomar essa decisão. 

Trabalho

É importante começar por esse ponto, porque muitos textos sobre o assunto acabam simplificando demais essa questão. Muitas pessoas que optaram por ser nômades digitais seguiram a vida de freela, pois era o modelo que comportava o seu desejo de viajar. Mas isso não necessariamente significa menos horas de trabalho, pelo contrário, trabalhos de freelancer exigem um esforço considerável para serem entregues dentro do prazo. A vantagem é que você consegue organizar melhor a sua rotina. 

Além disso, captar e lidar diretamente com clientes pode ser bem cansativo, principalmente, se os fuso horários forem incompatíveis, o que exige uma adaptação de um dos lados (geralmente o seu). Uma das opções é contar com plataformas destinadas a trabalhos independentes, como a 99freela ou a Workana, com as quais você não precisa ter contato direto com o cliente, apenas realizar as entregas. Há também plataformas destinadas para o trabalho remoto, como a MOB Partners, que citamos acima, ou a Working Nomads que tem vagas para home office em diferentes áreas.

Carreira

Carreira é diferente de trabalho porque uma coisa que você precisa pensar é como o nomadismo pode afetar a sua carreira a médio e longo prazo. Ter uma experiência internacional, fazer networking, se tornar nativo em um idioma são benefícios plenamente alcançáveis que enriquecem o seu currículo. Mas se a sua meta neste momento é a progressão na carreira ou salarial, o nomadismo pode te atrapalhar. Isso porque o nômade digital acaba dando mais valor às vivências que uma viagem do que no crescimento profissional. 

Além disso, é preciso avaliar qual área da sua profissão você deseja se especializar. Por exemplo, advogados que são nômades digitais costumam fazer consultorias, mas para quem pretende ser advogado criminalista, que exige ir muitas vezes às cortes, essa opção talvez o desvie do seu foco. Nesses casos, você pode optar por períodos mais curtos, assim você consegue ter a experiência de morar fora e não deixa a ascensão profissional em segundo plano por um longo período.

Desapego

Os nômades digitais costumam levar somente o essencial para as viagens e é melhor que caiba em uma mochila. Ter esse desapego com as coisas materiais pode não ser tão instantâneo, afinal estamos acostumados a ter um pouco de tudo. Justamente um benefício relatado pelas pessoas que experimentaram a vida de nômade digital é a capacidade de ser mais minimalista, evitar comportamentos consumistas e aprender a viver com menos.

Outro ponto relacionado ao desapego é a saudade de familiares e amigos, não tem quem diga ao contrário. Por isso, se você nunca fez viagens longas é importante avaliar como você vai se sentir sozinho. Se você acredita que isso pode ser um grande desafio, pode tentar fazer acompanhado. O ideal é que você se sinta confortável na sua viagem e não ansioso para retornar.

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Dicas para quem quer se tornar nômade digital

Se você gosta de viajar e inclusive já tem vários carimbos no passaporte, isso pode ser uma vantagem na hora de planejar essa experiência. Afinal, há um impacto cultural de viver em outro lugar do mundo em que as pessoas agem e vivem de outra maneira. No entanto, é essencial ter em mente que o nômade digital não é férias, pelo contrário. 

Então, a primeira dica é ter alguma experiência com o trabalho a distância, o que hoje em dia talvez não seja um problema. É importante que você conheça o seu ritmo e se adapte ao formato. Se você for trabalhar como freela de plataformas, o ideal é que você também tenha algum contato prévio para conhecer as dinâmicas. Essas vivências são importantes porque a renda não é garantida, então, você precisa saber quanto precisa trabalhar para conseguir se sustentar.

Ninguém gosta de trabalhar sem parar, principalmente os nômades digitais. Por isso, a dica é desenvolver soft skills que te ajudam a ter mais produtividade e fazer uma melhor gestão do tempo. Essas habilidades se fortalecem conforme você vai tendo mais experiência. Por isso, o conselho é começar com viagens mais curtas. O guru dos nômades digitais, o catarinense Matheus de Souza, por exemplo, ficou um mês no México para ajustar as pontas soltas entre a expectativa e a realidade. 

Também é preciso definir como vai ser o seu ritmo na viagem. Como você vai estar trabalhando, ter uma agenda cultural abarrotada pode te deixar exausto em pouco tempo. Essa rotina corrida é bem vinda quando estamos de férias e temos pouco tempo para conhecer tudo que planejamos visitar, mas quando você precisa equilibrar vida pessoal e profissional, pode não ser o ideal. 

Outro ponto está relacionado à questão financeira. O conselho unânime é que você vá com alguma reserva de cerca de seis meses para cobrir imprevistos. De qualquer forma, juntar dinheiro nessa vivência nômade não é o foco. Pelo contrário, trabalhasse menos para conseguir aproveitar mais. Por isso, os cuidados que você pode ter é visitar países em que o real é valorizado, como acontece na Argentina. 

Você também precisa avaliar quais regiões são as melhores para você ter essa experiência, considerando que a sociopolítica pode ser um entrave. Um dos exemplos é Bermudas, um território britânico localizado no Oceano Atlântico. O local é conhecido por suas praias e beleza natural, também é um dos poucos países até agora que liberou o visto turista-profissional, que permite residir por até um ano, acesso ao ensino básico e trabalhar sem a necessidade de visto próprio para isso, que geralmente é burocrático. No entanto, como na maioria dos países do Caribe, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é proíbido. O que indica não ser um local receptivo para a comunidade LGBT+. 

No mesmo sentido, o relatório de nômades digitais norte-americanos, citado acima, mostra que a esmagadora maioria das pessoas que praticam essa aventura são homens. De fato, uma das dificuldades para as mulheres seguirem o nomadismo é o receio por sua segurança física, o que em alguns países não é nem assegurado pelo Estado. 

Você pode entender como funcionam essas dinâmicas de poder em locais de conflito nos livros do quadrinista canadense Guy Delisle. Ele acompanhou a esposa, que trabalha para o Médico Sem Fronteiras (MSF), a países como Coreia do Norte, que vive em um regime autoritário, Israel, que está em guerra, e Mianmar (antiga Birmânia), que sofreu golpe militar. Nos livros, Delisle conta como é o dia a dia e dificuldades de permanecer em locais hostis tanto para os turistas quanto para os moradores.

Por fim, o ideal é você conversar com alguém que foi/é nômade digital para falar sobre as suas expectativas e receber conselhos para o dia a dia. Matheus de Souza, citado acima, levou a sua experiência para o livro “Nômade Digital: um guia para você viver e trabalhar como e onde quiser”, lançado em 2019, e indicado ao prêmio Jabuti, maior premiação literária do Brasil.

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Seus colaboradores querem ser nômades digitais? E agora?

Como muitas pessoas estão buscando essa experiência para ter uma maior qualidade de vida e investir mais em seus valores, as empresas podem aproveitar esse sonho dos colaboradores para reter seus talentos e melhorar o clima organizacional incentivando o nomadismo digital. Para isso, é preciso que as instituições sejam flexíveis, principalmente por conta do fuso horário das regiões. De qualquer forma, é preciso estabelecer como manter a sinergia entre a equipe e cumprir os prazos. Essas conversas devem ocorrer antes da viagem e prever as mais diversas situações para ninguém ser pego de surpresa. 

Outro ponto é a questão de segurança de dados no home office e o acesso a sites essenciais para o colaborador executar as tarefas. Isso porque alguns países são mais vulneráveis à invasão de hackers e em outros locais, como a China, uma série de páginas na web, que usamos corriqueiramente, são bloqueadas. Além disso, é preciso saber se o funcionário tem notebook próprio ou dependerá de lan house. O ideal é que o colaborador não exponha os dados da sua empresa, então, como você pode garantir isso?

Já sobre os benefícios, você pode adaptar o vale alimentação, pago em cartão de uso nacional, ou plano de saúde para algo realmente essencial para quem está viajando, como o seguro de saúde exigido na maioria dos países. 
Agora para manter a sinergia do trabalho, é imprescindível que a sua empresa adote um software de gestão como o Runrun.it. A ferramenta garante a visão do todo da gestão de projetos, então, mesmo se os horários da sua equipe não coincidirem, todos conseguem sabem a que pé está a tarefa e podem trabalhar de forma autônoma. Além disso, a plataforma pode ser acessada por qualquer navegador e protege os seus dados sem a necessidade de serem salvos no próprio computador. Crie a sua conta agora e teste grátis: http://runrun.it

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Links de sites, livros e pesquisas citadas:

 

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