Transparência organizacional nível hard. Você está preparado para a verdade?

Transparência organizacional nível hard. Você está preparado para a verdade?

Em O Mentiroso, Jim Carrey interpreta um advogado que precisa passar 24 horas sem poder contar uma mentirinha. No filme de 1997, esse ataque de sinceridade, gerado por um pedido de aniversário de seu filho, coloca o personagem em algumas enrascadas. Mas e se a verdade fosse uma constante na sua empresa? Imagine a colaboração das pessoas falando o que realmente pensam para contribuir para a melhoria do trabalho. Mirando a tão desejada transparência organizacional que surgiu o conceito de Radical Candor. Claro que o filme tem final feliz, e a dinâmica do trabalho na sua empresa também pode ter.

Radical Candor, ou em uma livre tradução, franqueza radical, explora ao máximo a sinceridade. O método preconiza que no ambiente de trabalho todos devem ser honestos com todos, durante todo o tempo. O feedback tem que ser sincero, falado diretamente, seja de colega para colega, chefe para colaborador, ou de colaborador para chefe. Já falamos por aqui sobre os benefícios da avaliação 360, para uma ação pontual, ou periódica. A grande diferença do Radical Candor é ter uma conduta contínua do trabalho.

Absorvendo a pancada

Todos querem falar e soltar os cachorros, mas o Radical Condor é uma via de duas mãos e você precisa estar preparado para ouvir palavras duras, da forma mais direta possível. Como diria Rocky Balboa, não é o quão forte você bate, mas quanto consegue aguentar para vencer.

Receber um feedback ácido tem que ser analisado de forma positiva, por a) você sabe que a pessoa que disse aquilo confia na sua capacidade de absorver a “pancada” e fazer algo para melhorar, e b) também sabe que não ficou nada guardado, ou que será dito nas suas costas, ou seja, a pessoa disse tudo o que estava pensando de verdade.

Quando alguém aponta algo que não está certo na sua conduta, a primeira reação será emocional. Mas você deve suprimir isso e racionalizar. Analisar de fato o feedback e nunca discutir. É um exercício difícil, mas quem disse que transparência organizacional seria fácil? Envolve um forte comprometimento.

A origem do Radical Candor

Kim Scott, colaboradora simplesmente de duas das empresas mais valiosas e admiradas no mundo, o Google e a Apple, criou o Radical Candor. Com o livro Radical Candor – Be a Kickass Boss Without Losing Your Humanity ela espalha para gestores dos quatro cantos do mundo que a honestidade é a melhor política em uma empresa. E que conseguir realmente ouvir e entender um feedback franco e direto é uma das mais importantes habilidades que se pode aprender na carreira.

“Você está com espinafre nos dentes”

A história começa com Kim procurando novos desafios e entrando em contato com uma amiga de faculdade, Sheryl Sandberg. COO do Facebook e autora do manual de liderança mais vendido, o Lean It, a amiga na época estava trabalhando para o Google e ajudou Scott a conseguir um emprego como diretor da divisão de AdSense.

Em uma importante reunião sua amiga Sheryl e com o CEO do Google, Eric Schimidt, lembra de como se orgulhou de apresentar ótimos resultados. “Eu senti que a reunião tinha ido muito bem e esperava um ‘high five’ da Sheryl”, mas não foi exatamente isso o que ela recebeu.

A amiga disparou “Você disse muitos ‘hum’ lá dentro”. Scott pensou “se foi só isso o que eu fiz de errado, então está tudo bem”, mas Sheryl continuou “Acho que vou ter que ser mais direta: dizer “hum” a cada três palavras faz você parecer estúpida”. Muitos podem dizer que foi uma grosseria, mas foi uma lição importante. “Eu estava com mais de trinta anos. Por que ninguém me disse aquilo antes? É como passar toda a sua carreira até aquele instante com um espinafre nos dentes”.

Open Emailing

Mas não é apenas falar e ouvir. O que se escreve no e-mail corporativo também deve ser transparente. Ou seja, o Radical Candor sugere o “Open Emailing”. Isso significa que todo email que você endereçar a alguém fica disponível para ser visualizado por qualquer um da empresa. Não há mensagens privadas, mensagens amigáveis pessoais, ou alfinetadas quando alguém responde para todos ou coloca em cópia algum superior. todos podem ver tudo, e isso cria um senso de auto regulação positivo para todos.

A Charlie HR, uma startap de tecnologia do Reino Unido testou essa ideia e contou a experiência para o Buzzfeed News neste artigo. O’Donavan, CEO da Charlie, admite: “No começo, foi um pouco estranho. As pessoas costumavam ter conversas constrangedoras e depois não podiam se cruzar nos corredores. Mas de repente: Bang! Somos uma família de novo”.

Há equilíbrio na transparência radical

Você deve estar imaginando o caos que isso pode gerar nas relações interpessoais do trabalho, que essa experiência beira o sadismo e a organização se tornará em um campo de guerra. Mas as experiências de quem já implementou as ideias de Kim Scott provam o contrário. Isso porque ser extremamente sincero envolve ser extremamente responsável pelo que você fala ou escreve.

De acordo com Scott, para dar um feedback você precisa querer o bem daquela pessoa. Se não, é apenas uma agressão. Não se trata de um desabafo, mas um feedback profissional sem ressentimentos, para a melhora dos processos e da organização. É a colaboração extrema para a evolução pessoal de cada membro do time e a própria evolução.

Se você se importa com um colega de trabalho, mas não é franco e não dá feedback necessário, então você cria uma empatia desastrosa. Se você não dá a mínima para a pessoa e fala o que realmente pensa cara a cara, então você apenas gera uma agressão desagradável. Fuja desses dois extremos e dê feedbacks sinceros para pessoas que você realmente gosta.

Falando na cara

Nada de gastar horas escrevendo e reescrevendo aquele e-mail delicado que provavelmente será mal interpretado. Ou pensando na forma mais simpática de dizer algo que está entalado na garganta. Enquanto você perde tempo pensando em como passar um feedback, a pessoa que precisa dessa informação para melhorar fica mais tempo com “o espinafre no dente”. Ser direto poupa tempo de todos os lados e dá a crítica a importância que ela deve ter.

Sinceridade já

Uma ótima forma de iniciar o processo de transparência é incentivar feedbacks sobre você. Afinal, dar o exemplo sempre é uma boa alternativa. Depois, uma parte de uma reunião semanal ou mensal pode ser destinado a cada um compartilhe os feedbacks que recebeu e como está trabalhando em cada assunto.

Em um brainstorm não se deve “podar” ideias ou julgar quem falou alguma besteira, justamente para não criar barreiras para a criatividade. Na transparência organizacional funciona da mesma forma. Se houver discussões, rancor, ou respostas atravessadas, as pessoas simplesmente não se sentirão confortáveis de fazer feedbacks sinceros que podem promover melhorias no trabalho.

Abrace a transparência organizacional

O Runrun.it é uma ferramenta de gestão de tarefas e integração do time. O software ideal para ajudar você a garantir transparência organizacional. O status dos trabalhos ficam mais claros e você ainda pode utilizar a plataforma para que todos deem feedback de forma organizada e produtiva. Faça um teste grátis: http://runrun.it

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3 thoughts on “Transparência organizacional nível hard. Você está preparado para a verdade?

  1. Em minha experiência, acredito que um feedback funcionará apenas se a organização se propor a entregar um ambiente de desenvolvimento propício. Não adianta dizer que uma pessoa não está desempenhando um bom papel e depois virar as costas, ou vomitar um monte de relatos, que podem ser verdadeiros, mas que apenas causarão frustração, baixa auto-estima e engajamento temporário.

    Um feedback é uma via de mão dupla, a organização deve entregar feedback sim, inclusive, constantemente, diria até que diariamente. E não apenas a empresa deve entregar feedback, as pessoas que atuam nela também devem dar feedback sobre as outras, sejam eles positivos ou negativos, isso incentiva o engajamento e a responsabilidade coletiva. E as pessoas que atuam na empresa, também devem dar feedback sobre a empresa. É uma via de mão dupla.

    Feedbacks “sinceros” (grosseiros), em minha forma de ver, são uma ótima forma de causa entendimentos ruins dentro da empresa, as pessoas irão temer (e muito) o feedback, e isso não deveria acontecer.

    Uma empresa deve transmitir confiança para as pessoas, isso é o que gera um ambiente e uma organização transparente. Um feedback, não é apenas entregue quando algo vai errado.

    1. Bom dia, Kleber! Obrigada pelo seu comentário e por compartilhar o seu ponto de vista. Bem interessante! No caso desse texto e do conceito, a sinceridade não tem a ver com grosseria, mas com transparência – dos dois lados. Volte sempre! Abraço.

      1. Oi Juliana,

        A sinceridade está muito próxima da grosseria, é preciso muita maturidade e experiência da parte de quem dá o feedback para não expressar isso. De qualquer forma, um bom artigo, se encarado da maneira correta. Abraços!

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