Microgestão pode gerar macroproblemas. Veja como evitá-los

Microgestão pode gerar macroproblemas. Veja como evitá-los

Você já ouviu falar em microgestão? Lembra-se do equilibrador de pratos, aquele número que você já deve ter visto no circo, na TV ou mesmo na internet? Sim, aquela pessoa sozinha girando pratos na ponta de bastões de madeira muito finos. Ela corre de lá pra cá, porque o objetivo é não deixar que nenhum prato pare de girar e caia do bastão. Imagine a tensão desse equilibrista. Agora, imagine ele tendo algumas “mãozinhas” interferindo, mexendo num prato aqui, e noutro acolá?

Agora, transfira essa cena para uma empresa. Imagine um gestor ou um funcionário como sendo esse equilibrista, com tarefas diversas das quais cuidar ao longo do dia. Se as pessoas inventassem de se meter – e não de modo construtivo -, provavelmente os “pratos” cairiam e se quebrariam. Pois ninguém conseguiria manter esse tipo de controle com as intervenções realizadas. São estes os perigos da microgestão.

Centralizar e não delegar, supervisionar insistentemente, não dar espaço, cobrar por resultados sem dar o tempo necessário para execução das tarefas, bisbilhotar seus colaboradores… Alguns gestores acreditam que apenas realizam seus trabalhos fazendo isso. Porém, tudo o que conseguem é elevar o estresse e criar um ambiente tenso.

A raiz da microgestão é a insegurança

Já falamos sobre esse estilo gerencial – em inglês conhecido como micromanageneste artigo sobre gestão estratégica. O fato é que a prática costuma ser vista de forma muito negativa. Principalmente quando a raiz é a insegurança do gestor. Insegurança mediante a sua própria capacidade e diante da capacidade de seus colaboradores.

Assim como as relações pessoais mais saudáveis são baseadas na confiança, as relações profissionais também devem ser. Confiança mútua, de modo que todos os envolvidos se sintam à vontade – principalmente para dividir as incertezas sobre o trabalho que precisa ser realizado.

Não é porque você está na liderança de um processo que você precisa necessariamente ter certeza de tudo sobre ele. Steve Jobs já dizia: “contrate pessoas inteligentes, e deixe que elas façam coisas que você não sabe fazer”. Liderar tem muito mais a ver com fortalecer motivando e escutando, do que com supervisionar criticando individualmente cada ação ou atitude.

Para evitar isso, comece identificando seus próprios pontos fracos. Trabalhe pessoalmente sua insegurança e seja humilde para aprender com todos que estão ao seu redor. Entenda que nem tudo vai acontecer exatamente como você quer ou como você pessoalmente faria. Fortaleça-se com pessoas em quem você confie, e intervenha de maneira positiva, mesmo que seja para corrigir algum erro.

Como a microgestão pode prejudicar a relação do gestor com os colaboradores?

É claro que o gerente tem a responsabilidade de monitorar o progresso de um trabalho. É seu dever controlar a qualidade, avaliar o desempenho, tomar decisões, dar instruções e fornecer conselhos e orientação. O problema ocorre quando ele ignora as qualificações de sua equipe e se intromete desnecessariamente nos detalhes do trabalho de cada colaborador, muitas vezes de forma contínua e obsessiva.

Na microgestão, o gestor aponta não só o que seus subordinados devem fazer, mas como fazer; delega responsabilidade, mas não dá autonomia, mesmo nas tarefas e decisões mais simples e rotineiras.

Normalmente, essa falsa delegação vem acompanhada da exigência de relatórios detalhados e desnecessários. Isso rouba o tempo do seu colaborador, e diminui a produtividade da operação. Ações que geram ressentimentos e desconfiança e atrapalham toda a equipe.

Um microgestor tende a afastar os talentos de sua equipe, e acaba, muitas vezes, sobrecarregando-se, tornando-se o próprio estresse no trabalho. Por meio de suas atitudes, os microgestores podem enviar diariamente poderosas mensagens que acabam com a criatividade de seus colaboradores e sufocam as iniciativas de inovação dos processos, produtos e serviços oferecidos os clientes.

>> Leitura recomendada: Com a cabeça no lugar: dicas de técnicas para afastar o estresse

Como saber se estou fazendo microgestão?

Sem dúvida, essa forma de gerenciar é nociva para todos. Para descobrir se você está sendo um microgestor, fique atento aos seguintes “sintomas”:

1. Você (ou alguém da sua equipe) olha cada nova ideia de sua equipe com suspeita. Primeiro porque elas são novas, e não vieram de você;
2. Você (ou alguém da sua equipe) trata a identificação dos problemas como fracasso, algo que deve ser mantido escondido;
3. Você (ou alguém da sua equipe) desencoraja qualquer discussão sobre as coisas que não funcionam e precisam ser melhoradas;
4. Você (ou alguém da sua equipe) mantém tudo sobre o seu extremo controle e subentende que é a única pessoa que pode pensar;
5. Você (ou alguém da sua equipe) expressa suas críticas com rispidez e é impaciente com as sugestões de seus colaboradores;
6. Você (ou alguém da sua equipe) critica todas as ideias que lhe são apresentadas. Submete-as às críticas de outros departamentos ou comitês. Menospreza seus colaboradores;
7. Você (ou alguém da sua equipe) mantém sua equipe desinformada sobre os objetivos estratégicos e os grandes desafios da empresa.

Mas tudo tem cura. Até mesmo a microgestão

Alguns estudiosos que refletiram sobre o micromanage conseguiram identificar o que pode haver de positivo na prática. Para Jack Welch, o papa da administração, é importante identificar quando a sua ajuda é relevante, e quando trata-se apenas de intromissão.

Veja formas de contribuir com a sua equipe e fazer a diferença nas “micro” intervenções:

1. Se você conhece as prioridades estratégicas da empresa – e, por isso, pode alertar sobre tarefas que não deveriam ser realizadas naquele momento, ou realizadas de modo algum -, então, sim, interceda. Você prevenirá desperdício de dinheiro.

2. Também fará diferença a sua interferência caso você tenha uma relação antiga um cliente ou potencial parceiro, e sua presença mude os rumo do jogo. Afinal, nem sempre a boa vontade e a competência da sua equipe pode substituir sua influência.

3. E, por fim, sua supervisão será importante se você puder contribuir com uma habilidade que, no seu time, só você tem. Ou ainda, com algum conhecimento técnico específico sobre a tarefa. Neste caso, você estará compartilhando sua experiência para que a outra pessoa pegue um atalho e aprenda com os erros que você um dia cometeu em vez de cometer os seus próprios.

Por último…

Tenha um plano de gerenciamento com o qual você consiga se livrar do vício da microgestão em pequenos passos, sem deixá-lo estressado e temeroso de fracassos. Tenha em mente sempre que sua equipe fará aquilo que você acredita que ela seja capaz de fazer.

Está em suas mãos torná-la uma equipe desmotivada e medíocre – ou engajada, feliz e altamente produtiva e criativa. Mostre, sobretudo, que você é um líder com habilidades de motivar as pessoas e desenvolver suas competências, bem como capaz de enfrentar desafios maiores.

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Uma ferramenta contra a microgestão

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2 thoughts on “Microgestão pode gerar macroproblemas. Veja como evitá-los

  1. Gostei do artigo, é uma leitura interessante para a reflexão de cada gestor.
    Abre os olhos para uma realidade, muitas vezes despercebida dentro das organizações.

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