Como a vulnerabilidade na liderança pode fortalecer a conexão do time

Como a vulnerabilidade na liderança pode fortalecer a conexão do time

Antonio Carlos Soares, CEO e co-founder do Runrun.it, conversou com Nathália Beividas, diretora de Projetos na agência CP+B Brasil, sobre vulnerabilidade na liderança e gestão de equipes remotas. A proposta surgiu após Nathália publicar um artigo, no site Mestre GP, sobre o tema , abordando a necessidade de  reconhecer os sentimentos perante a equipe e deixar de lado a máscara de que nada abala a pessoa enquanto funcionário. 

O assunto ganhou espaço na vida de Nathália em uma videoconferência, proporcionada pela agência na qual trabalha, sobre o dia a dia em tempos pandêmicos. Uma das colaboradoras relatou sua experiência e trouxe à tona o tema de vulnerabilidade. A conversa não demorou muito para emocionar quem estava presente na sala virtual. A reunião despertou o interesse de Nathália sobre como as pessoas adotam uma postura rígida para ocultar os seus sentimentos mesmo em um momento sensível. Como se fosse possível deixar do lado de fora do trabalho as angústias e as incertezas que rodeiam a todos.

Para falar sobre vulnerabilidade na liderança, vamos abordar neste artigo:

 

Para assistir a entrevista, é só acompanhar ao vídeo abaixo: 

Vulnerabilidade na liderança: desatando nós entre gestor e equipe

O fio condutor da reflexão de Nathália é o livro Coragem para Liderar (2019), da professora norte-americana Brené Brown. A autora apresenta a ideia de que líderes e liderados escondem suas fraquezas do mundo corporativo como forma de se protegerem e que para desconstruir esse comportamento é preciso autocompaixão e paciência. Para Nathália, “A partir do momento que você se coloca em uma situação com zero medo de falar o que você pensa ou está sentindo e há respeito e acolhimento de todo mundo, as pessoas pensam ‘poxa, eu posso fazer isso também’. Ter líderes assim não é para o futuro é para agora”, expressa. 

Vulnerabilidade ainda é um tabu na sociedade como um todo, afinal, o assunto está muito relacionado à fraqueza de uma forma negativa. Para quebrar essa barreira, Nathália prática comportamentos para criar um ambiente mais harmonioso com a sua equipe. Dentre eles: “Ser transparente com as pessoas que você lidera, deixa-as mais seguras. Isso reflete no trabalho. A pessoa está lá para aprender e eu estou lá para dar todo o suporte que ela precisa”, aponta. 

Para esse diálogo aberto acontecer, Nathália explica que é preciso praticar a escuta e a empatia. “Quando você se coloca no lugar do outro, você julga menos. Às vezes você não concorda, mas não precisa julgar. Você vai contribuir mais ouvindo e entendendo o lado da pessoa. Isso faz com que o outro se sinta parte da equipe. Aquele sentimento de ‘estão me ouvindo’, ‘estão me deixando falar’”, descreve.

Brené Brown, autora que inspirou o texto de Nathália, falou no TED Talks O poder da Vulnerabilidade, transmitido em 2010, que uma das necessidades humanas são as ligações emocionais. Por isso, a pesquisadora indica usar a vulnerabilidade para aprofundar as relações, compartilhando emoções boas e ruins para não tentar criar uma imagem de perfeição.

Para assistir o TED Talks, basta dar o play:

O sociólogo francês Bernard Lahire, dedicado ao estudo das ações e socializações humanas, diz na obra Retratos Sociológicos (2004) que não não há harmonia na busca pelo impecável, pois “quem provou da perfeição da ideia terá enorme dificuldade para retornar aos homens imperfeitos”. Desta forma, a excelência não precisa ser algo perseguido por gestores e equipes, permitindo que as dificuldades do dia a dia sejam exposta e podendo melhorar o clima organizacional, evitando, por exemplo, o sentimento de “não sou bom o suficiente”, um dos efeitos da Síndrome do Impostor.

Vulnerabilidade na liderança X gestão de vulnerabilidade

Talvez você já conheça o termo “gestão de vulnerabilidade”. O método visa identificar, classificar e tratar as vulnerabilidades de processos diminuindo riscos e otimizando o dia a dia das organizações. A ferramenta é destinada apenas para questões técnicas, mas não é difícil de imaginar esse conceito sendo aplicado por gestores e colaboradores em seus comportamentos.

Um dos motivos para isso é que a literatura que fundou as premissas de liderança são voltadas para batalhas. O livro A Arte da Guerra, por exemplo, é uma das referências para a gestão empresarial. No entanto, as 160 páginas foram escritas há 2500 anos pelo general estrategista chinês Sun Tzu. Além dele, o italiano Nicolau Maquiavel propôs, há 400 anos, na obra O Príncipe que o medo é a forma mais eficaz de manipular os trabalhadores

Um experimento feito em reuniões da área de recursos humanos pelo pesquisador e professor da Universidade, nos Estados Unidos, David Noer aponta que para quatro expressões de encorajamento, como desenvolver, crescer e treinar, eram ditas mais de 20 palavras de natureza violenta, como arrancar, matar, atirar e exterminar. O estudo foi registrado no livro Healing the Wounds (2010).

A vulnerabilidade na liderança vai na contramão do entendimento de coerção, pois se dedica a trocas de emoções recíprocas e na eliminação da microgestão. Como aconselha Nathália, “Faz parte do papel de um bom líder a preocupação com o bem-estar da sua equipe. É difícil e complicado, mas é preciso estar presente, mesmo que seja à distância”.

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Vulnerabilidade de equipes remotizadas

A pandemia do novo coronavírus pode ser o momento ideal para os gestores começarem a adotar uma postura de liderança que admite as vulnerabilidades. Isso porque o isolamento social afeta, em alguma medida, a vida das pessoas. Exigindo, assim, novas habilidades dos líderes e das equipes para o fluxo de trabalho não ser prejudicado. 

Um dos conselhos de Nathália para a gestão a distância é abrir espaços nas reuniões semanais para conversas informais, abrangendo mais que trabalho. Ela e seu time optaram também por um grupo de WhatsApp para trocar ideias que vão além dos assuntos corporativos. “A gente se fala muito. Eu não sinto uma distância do meu time mesmo estando há seis meses longe. Não dá aquela sensação de que não nos falamos mais, só em reunião”, esclarece. 

Além de estimular conversas, Nathália também se dedica a entender a realidade individual de cada membro do time. Ela reconhece, por exemplo, que os colaboradores que começaram a morar sozinhos pela primeira vez no início do ano, se depararam com a solidão de não conseguir ver ninguém e aproveitar esse momento tão sonhado. “Estar aberto a ouvir a sua equipe é fundamental num momento como esse. Não dá para pensar que está todo mundo igual e passando pela mesma coisa”, aponta. 

Para tanto, Nathália, que tem um filho pequeno, diz que é preciso reconhecer que as pessoas estão fazendo o que podem para a vida continuar. “Tem uma hora que você tem que aceitar que é isso que dá para fazer agora. Reunião com o filho no colo, com o gato passando em cima do computador”, descreve. 

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Software de gestão no home office

Adotar um software de gestão de trabalho que automatiza as tarefas e centraliza as informações de forma organizada e permanente, pode ser um alívio para líderes, colaboradores e empresas. Com uma ferramenta como o Runrun.it, que acompanha o desenvolvimento do fluxo de trabalho em todas as suas fases, os gestores estão a par do status das demandas, evitando a microgestão com cobranças desnecessárias. A equipe consegue se dedicar com mais afinco às atividades criativas sem se preocupar se o líder está inteirado do que está acontecendo. Essa gestão coordenada do trabalho gera rotinas mais produtivas. Com todos sabendo a que pé anda o trabalho a distância, sobra mais tempo para o time ter mais conversas sobre o dia a dia nas reuniões. Crie sua conta grátis: http://runrun.it 

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