Saúde mental no home office: como cuidar do bem-estar

Saúde mental no home office: como cuidar do bem-estar

As buscas no Google por termos ligados à saúde mental no home office sofreram um salto em junho deste ano no Brasil, segundo a plataforma de pesquisa. O aumento que chegou a 150% no caso de “saúde mental na quarentena”, em comparação ao mesmo período de 2019, se deu meses após o isolamento social ter se tornado realidade para milhares de pessoas. O comportamento de pesquisa dos brasileiros reflete uma preocupação recorrente em crises sanitárias: problemas psicológicos e sociais.

Num dia o trabalho ocorre em um lugar, ao lado de colegas e amigos, e no outro estamos com o laptop em cima das pernas respondendo e-mails e planejando destinar um espaço da mesa de jantar para um escritório improvisado. As refeições, o lazer, o descanso e o trabalho ocorrem no mesmo ambiente. Segundo um estudo, publicado em junho deste ano, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 20,8 milhões de brasileiros podem operar suas funções em regime de trabalho remoto, o que representa 22,7% dos postos de trabalho no país.

A tensão por manter a mesma produtividade de antes da pandemia pode ter resultados negativos ao corpo e à mente, como estresse crônico, mudanças no ciclo de sono e digestão, bem como o protagonismo da ansiedade no dia a dia. A verdade é que a saúde não pode se resumir ao contágio ou não de Covid-19: o autocuidado com a alimentação, saúde mental e física permanecem como responsabilidades permanentes e essenciais para garantir uma boa qualidade de vida.

Neste post, vamos falar sobre:

 

Quais são os sintomas à saúde mental no home office

De acordo com a cartilha de saúde mental da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima-se que cerca de metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma complicação psicopatológica. No entanto, o estudo argumenta que nem todos os distúrbios são classificados como doenças. Isso porque muitos são reações normais a tempos anormais.

Em entrevista ao El País, o professor de Psicologia Social da Faculdade de Relações Trabalhistas e Recursos Humanos de Granada, na Espanha, Francisco Díaz Bretones explica que o período de descanso e recuperação que a mente e o corpo necessitam entre uma atividade e outra se dissipa quando acordamos e deitamos pensando em trabalho, isso inclui desde constantes planejamentos sobre tarefas a serem realizadas a envio de e-mails às 10 da noite. Para Bretones, o cansaço físico é mais facilmente recuperado do que o desgaste mental.  

Para cuidar da sua saúde mental no home office, avalie quais das reações mais frequentes, de acordo com a Fiocruz, você está desenvolvendo no contexto de isolamento social:

  • Falta ou excesso de apetite;
  • Insônia, dificuldade para dormir ou sono em excesso, pesadelos recorrentes;
  • Conflitos interpessoais (com familiares, equipes de trabalho…);
  • Violência;
  • Pensamentos recorrentes sobre a epidemia;
  • Pensamentos recorrentes sobre a saúde da família;
  • Pensamentos recorrentes relacionados à morte e ao morrer.
 

Como cuidar da saúde mental no home office 

A rotina está afetada, não tem como seguir o mesmo fluxo que antes do isolamento social, por isso, é imprescindível pensar em novos hábitos e não tentar simular o antigo cotidiano. Uma pesquisa do Centro de Inovação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP), publicada em maio, mostrou que de 464 entrevistados 56% encontraram dificuldade moderada ou muita dificuldade em equilibrar as atividades profissionais e pessoais no home office durante a pandemia. Neste período, é preciso reconhecer quais dificuldades de fato estão presentes na sua realidade. Identificar os pontos satisfatórios no dia a dia possibilita focar nas partes que precisam de maior atenção.

>> Leitura recomendada: Não seja produtivo: como trabalhar remotamente em meio a uma pandemia global

Veja como você pode melhorar a sua saúde mental no home office, segundo recomendações da Fiocruz:

  • Reconhecer e acolher seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar; 
  • Investir em ações que auxiliem na redução do nível de estresse, como meditação, leitura, exercícios de respiração; 
  • Investir e estimular ações compartilhadas de cuidado, como solidariedade, cuidado familiar e comunitário;
  • Reenquadrar os planos e estratégias de vida, de forma a seguir produzindo planos; 
  • Manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas; 
  • Evitar o uso de tabaco, álcool ou outras drogas para lidar com as emoções; 
  • Buscar um(a) profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional; 
  • Buscar fontes confiáveis de informação; 
  • Reduzir o consumo de coberturas midiáticas sobre a pandemia e demais assuntos que possam impactar negativamente o seu humor.
 

Como as empresas estão lidando com a saúde mental no home office

Um relatório da Fundação Instituto de Administração (FIA), com 48 empresas do país, constatou que, em abril, 34% das organizações ouvidas não faziam nenhum tipo de acompanhamento sobre a saúde mental no home office. Os outros 66% declararam realizar algum tipo de pesquisa para entender o cenário de suas equipes. Os mesmos 34% que não estão inteirados da saúde de seus funcionários também não disponibilizam nenhuma forma de apoio psicológico.

As empresas, de acordo com a FIA, oferecem as seguintes ações de cuidado na pandemia:

  • Oferece atendimento realizado pelo setor de recursos humanos (50%);
  • Oferece atendimento com psicólogos da empresa (41%);
  • Disponibiliza material de apoio (43%) ;
  • Monitora a saúde mental e física por meio de pesquisas (39%);
  • Oferece palestras (25%);
  • Oferece treinamento aos líderes (20%);
  • Oferece atendimento com psicólogos terceirizados (11%).
 

>> Leitura recomendada: 5 benefícios que a empresa pode oferecer para o home office

Se o posicionamento das empresas é flutuante, os funcionários se deparam com realidades semelhantes no home office. Uma pesquisa conduzida pela Behup, com 1561 participantes de todas as classes sociais e regiões do país revelou que 53,8% dos participantes estão um pouco mais ou muito mais estressados, 60,3% um pouco mais ou muito mais ansiosos e 59,7% um pouco mais ou muito mais entediados. Quase metade dos entrevistados (49,8%) está comendo mais ou muito mais e 42,5% afirmaram estar se exercitando menos ou muito menos. Já a pesquisa do FGV-EAESP apresenta ainda que para 45,8% houve aumento da carga de trabalho após o isolamento. Já 34% dos entrevistados consideraram difícil ou muito difícil manter a motivação e 36% opinaram difícil ou muito difícil continuar com a mesma produtividade.

Uma pesquisa lançada em maio deste ano pelo Royal College of Psychiatrists, no Reino Unido, que ouviu 1300 psiquiatras do país, relata que para 43% dos médicos entrevistados houve um aumento de atendimentos urgentes durante a pandemia. Por outro lado, 45% declararam haver uma redução nas consultas de rotina. A conclusão do estudo é que estamos a caminho de um “tsunami” de doenças mentais.

Diante deste cenário de incertezas sobre o retorno à normalidade, a gestão a distância fica em evidência. Pensar o bem-estar mental e físico dos funcionários está diretamente ligado à melhora da produtividade e da retenção de talentos no seu time.

Benefícios e desafios do home office para colaboradores e empresas

As tendências para o mercado de trabalho pós-pandemia já dão alguns sinais de direcionamento. Desde grandes instituições a startups em fase inicial enxergam o home office como um caminho permanente, pois possibilita economia financeira aos empregadores e há uma inclinação positiva de funcionários e líderes por trabalhar a distância. Um estudo do RunRun.it mostrou que 63% dos colaboradores de 252 agências pesquisadas gostariam de operar em formato híbrido, enquanto 17% preferiam trabalhar remotamente. Para o levantamento, o número de pessoas dispostas ao home office só não é maior porque 73% dos entrevistados afirmaram sentir falta da interação com os colegas.

O psiquiatra Enrique García Bernardo, em entrevista ao El País, ressalta que um dos efeitos clássicos à saúde mental no home office é o isolamento que ele causa, pois a maior parte das interações sociais ocorrem no trabalho. Além da solidão, a distância condiciona os funcionários a “menos promoções, menos capacitação e menos feedback sobre seu desempenho por estarem um pouco fora de vista”, assinala Eva Rimbau, professora de Recursos Humanos e Organização da Universidade Aberta da Catalunha, na Espanha.

Você gestor precisa ter um diálogo aberto com a sua equipe. Identifique quem está em uma situação mais vulnerável e se você pode auxiliá-los em alguma medida. Não cometa o erro de confundir rigor na qualidade do trabalho com microgestão.

Mesmo sob desafios, o modelo de teletrabalho colocou um freio na rotina corrida de muitos brasileiros, que precisavam enfrentar horas de deslocamento. Além disso, Nathália Beividas, diretora de Projetos na CP+B Brasil, percebe que a equipe é mais focada e pontual em videoconferências, facilitando reuniões produtivas, conforme comenta no webinar Vulnerabilidade: sua maior força como líder, promovido pelo RunRun.it.

Assista ao webinar Vulnerabilidade: sua maior força como líder com Nathália Beividas:

Baseado nas conclusões de um artigo publicado, em janeiro deste ano, na revista Gestão & Conexão, das pesquisadoras da Universidade da Feevale, no Rio Grande do Sul, Deise Bitencourt Haubrich e Cristiane Froehlich separamos benefícios e desafios para o home office. Vamos conferir?

Benefícios

  • Maior autonomia, como organização do tempo livre, ritmo de trabalho; 
  • Qualidade de vida em família;  
  • Menos exposição à riscos; 
  • Economia com deslocamento, alimentação e vestuário; 
  • Flexibilidade com o horário, no ambiente de trabalho flexível e na escolha de residência; 
  • Criação de novas formas de trabalho padronizado; 
  • Conhecimento real da demanda de trabalho.
  • Retorno mais rápido depois de uma licença médica;
  • Ausência de clima de competição entre funcionários.
  • Redução do absenteísmo; 
  • Retenção e recrutamento; 
  • Redução de custos com instalações físicas; 
  • Evolução tecnológica da empresa;
  • Melhorias ambientais com a redução da poluição e do tráfego urbano; 
  • Maiores oportunidades de trabalho para deficientes físicos; 
  • Expansão geográfica.
 

Desafios

  • Procrastinação e criação de vício em trabalho; 
  • Ruídos domésticos.
  • Perda do vínculo com a organização; 
  • Problemas de infraestrutura tecnológica e de controle;
  • Afastamento do campo profissional e menor oportunidade de carreira; 
  • Dificuldade de caracterizar acidentes de trabalho; 
  • Isolamento social; 
  • Falta de legislação específica; 
  • Aumento dos custos da manutenção doméstica; 
  • Gerenciamento falho do tempo;
  • Resistência da administração e dos empregados;
  • Coordenação e disponibilidade de trabalhadores; 
  • Desigualdade.
  • Aumento dos custos de comunicação; 
  • Medo gerencial; 
  • Formas de processos de recrutamento e seleção;
 

Use o Runrun.it para fazer a gestão do home office

Alguns dos desafios enfrentados pela equipe e empresa na implementação e efetividade do home office se entrecruzam. Adotar um gerenciador de tarefas centraliza as demandas, melhora a comunicação e garante a redução de custos. Com o Runrun.it, você pode fazer o acompanhamento em tempo real do andamento dos projetos, assim como ver as tarefas que estão sendo desenvolvidas pela sua equipe e o tempo investido em cada uma delas.

Dessa forma, mesmo com todos trabalhando de casa, você não perde seu fluxo de trabalho de vista. Acompanhar o desenvolvimento das atividades diminui a possibilidade de cobranças desnecessárias por parte dos líderes. Além disso, a ferramenta facilita a comunicação entre os colaboradores e o acesso às informações, pois tudo fica centralizado em um só lugar. Crie uma conta grátis: http://runrun.it

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