“É essencial dar autonomia e empoderamento, para que o conjunto seja mais forte que o individual” – Andre Gregori

“É essencial dar autonomia e empoderamento, para que o conjunto seja mais forte que o individual” – Andre Gregori

Nascido em uma família de empreendedores, Andre Gregori seguiu o mesmo caminho. CEO e fundador do Thinkseg Group, detentor da  Thinkseg (que adquiriu a Bidu), tem se dedicado a negócios do mercado financeiro desde os 18 anos. Atualmente, tem como desafios a gestão de pessoas e dar autonomia para quem trabalha em suas empresas.

Seu sonho é “mudar o mundo dos seguros por meio da tecnologia”. Ele acredita que, mesmo em equipes robustas, é necessário criar processos ágeis e ter um pensamento de gestão enxuta. Para ele, a Thinkseg precisa trabalhar em alta velocidade como qualquer startup. A empresa é uma insurtech, termo que une “insur”, de insurance (seguro) e “tech”, de technology (tecnologia).

Conheça um pouco mais da rotina, o uso de dados na gestão e o que ele considera como tendência para o futuro trabalho.

A conversa com Andre Gregori faz parte da série “Meu Trabalho”, de entrevistas exclusivas para o blog do Runrun.it.

 

1. A sua trajetória profissional tem pontos altos e momentos de dificuldade. Como foi até chegar à ideia de criar o Grupo Thinkseg?

Sou de uma família de empreendedores e banqueiros bem sucedidos. Aos 18 anos, já estava empreendendo pela primeira vez, após ter iniciado a minha carreira numa corretora de valores, seguindo os passos do meu pai e do meu avô no mercado financeiro. Depois decidi estudar na Itália por um tempo e viajar o mundo, quando um dia a minha família perdeu tudo e tive que recomeçar do zero.

Tive passagens pelo BankBoston e Citibank, e depois trabalhei no varejo por 6 anos ao trazer a marca Vaporetto para o Brasil. Foi só depois disso que entrei pra valer no mercado de seguros, ao adquirir as operações da Cigna no Brasil. Em seguida, ingressei no Banco Fator, onde iniciei e liderei a Fator Seguradora, de 2005 a 2010, ano que me tornei sócio do BTG Pactual e comecei do zero a BTG Pactual Seguridade, permanecendo lá até 2015.

Foi então que decidi fazer o que eu realmente amava e acreditava e com as pessoas que eu queria. Resolvi abrir meu próprio negócio e perseguir o sonho de mudar o mundo dos seguros por meio da tecnologia. Em 2016, fundei a Thinkseg, a primeira insurtech totalmente digital no Brasil.

>> Leitura recomendada: Saiba como as empresas fintech estão mudando o mercado e a sociedade

2. Quantas pessoas trabalham na Thiknseg?

Em 2018, fizemos a aquisição da Bidu, uma das primeiras corretoras online do país, e atualmente temos um time de cerca de 80 colaboradores no grupo. Boa parte das pessoas está nas áreas de Produto, Tecnologia e Marketing.

3. Como é seu dia a dia? Faz muitas reuniões?

Meu dia a dia é sempre muito ativo. Cada vez mais conseguimos resolver muitos assuntos de forma dinâmica por canais digitais, prezando por uma comunicação rápida, transparente e eficiente entre os diferentes times e colaboradores. Mesmo assim, as reuniões, sejam elas internas ou externas, ainda têm um papel importante.

Hoje tenho em média 4 reuniões por dia. Toda segunda-feira, por exemplo, fazemos uma reunião-almoço entre todos os sócios do grupo Thinkseg. Esse encontro é essencial para estarmos sempre muito alinhados em relação à gestão da empresa e do nosso negócio.


“No fundo, o que quero é construir uma empresa unida, de alta performance, sustentável e com um propósito maior”


4. Quais seus principais desafios?

Sempre acreditei muito no investimento na formação de times; em colocar as pessoas certas nos lugares certos. Hoje temos uma equipe excepcional, desde os estagiários aos sócios. Na minha função, tenho o desafio de saber direcionar, mas ao mesmo tempo fazer uma gestão participativa, típica do modelo de partnership, no qual acredito muito.

Para tanto, é essencial confiar no time e dar a autonomia e o empoderamento necessários, visando formar pessoas, formar processos e formar cultura para que o conjunto dessas coisas seja muito mais forte do que qualquer um individualmente. No fundo, o que quero é construir uma empresa unida, de alta performance, sustentável e com um propósito maior – um sonho grande, que não é mais só o sonho do Andre e sim o sonho de todo o time.

>> Leitura recomendada: Autogestão: saiba como oferecer mais autonomia para o seu time

5. O que considera importante para o ambiente de trabalho?

Meu ambiente de trabalho é de alta energia. Trabalhamos em ritmo acelerado, com muita vontade de fazer, muita determinação. Por isso, é fundamental que todos da empresa estejam nesta mesma frequência e trabalhando muito bem juntos para que o trabalho seja eficaz e prazeroso também!

6. Você usa ferramentas de gestão para ajudar na produtividade?

Utilizamos ferramentas que nos auxiliam a ter mais produtividade, melhor comunicação e alinhamento, e priorização e acompanhamento das tarefas, em nível individual, time e empresa. Muitas dessas ferramentas e práticas de gestão iniciaram no time de Engenharia, que utilizava métodos ágeis e de gestão enxuta. Com o aprendizado, temos replicado essas práticas em todas as áreas da empresa. O resultado disso é a formação de uma metodologia única para o Grupo Thinkseg e muito mais integração e alinhamento entre as equipes.

>> Leitura recomendada: Saiba mais sobre o conceito ágil de ciclos iterativos

7. Como você controla a eficiência e a lucratividade da empresa?

Temos um business plan para a empresa que é desdobrado nas diferentes áreas. O departamento Financeiro é o dono desta análise em nível empresa, porém ela é feita e estudada periodicamente em conjunto com todos os partners. Mas o nosso grande diferencial não é em nível macro – esse controle do BP é comum e esperado de qualquer empresa. Diria que o nosso diferencial está no micro – ou seja, na análise de lucratividade de cada projeto, de cada tarefa, de cada esforço, e na constante mensuração e questionamento por parte de todos da empresa, não importa o nível ou o departamento.

Leituras recomendadas:

>> Como aumentar a sua lucratividade por meio da gestão de pessoas
>> 4 dicas para aumentar a rentabilidade dos seus clientes

8. Você faz gestão baseada em dados?

Somos uma empresa data-based. Coletamos e analisamos dados para absolutamente tudo que fazemos. Temos uma variedade de dashboards financeiros e operacionais que olhamos todos os dias, e o grande diferencial é que esta não é uma responsabilidade exclusiva do time financeiro ou do time de BI. Temos uma cultura descentralizada, que incentiva a autonomia e a atitude de dono em cada um. O fazer, mensurar, avaliar e ajustar está internalizado em todos do time.

Para facilitar e ganhar agilidade e flexibilidade, utilizamos uma ferramenta de relatórios que possui uma interface extremamente fácil de usar. Muitos desses relatórios inclusive servem de base para reuniões periódicas sobre diferentes áreas e projetos, onde os resultados são avaliados e o planejamento do próximo período é desdobrado e construído em função dessa análise, junto com todos que tenham algum envolvimento com aquele tema em questão.


“Ao pensar em indicadores, primeiro é preciso considerar os objetivos do grupo como um todo.”


9. Existe algum indicador central para mensurar os resultados?

Como grupo, estamos muito mais focados em rentabilidade e sustentabilidade do que no crescimento acelerado das vendas ou de clientes como único indicador. Uma das grandes vantagens que temos como empresa é a nossa independência financeira. Criada por um único investidor com modelo de partnership, não temos participação de grandes bancos, seguradoras ou fundos de investimento. Não estamos construindo uma empresa para ser vendida, e sim uma empresa saudável, escalável e de vida longa. Uma empresa que está investindo pesado em tecnologia e inovação para trazer reais melhorias para o mercado, criando diferentes frentes que viabilizam este investimento.

Portanto, ao pensar em indicadores, primeiro é preciso considerar os objetivos do grupo como um todo e depois avaliar os de cada área e projeto para logo definir os KPIs mais apropriados para cada frente.

10. Como você faz a gestão e a seleção de talentos?

Buscamos pessoas com perfil empreendedor; pessoas fora da curva, mas que trabalhem bem em equipe e que possuam a mesma ética de trabalho que o resto do time. Até junho deste ano, eu vinha contratando devagar, selecionado todas as pessoas a dedo. Em junho, fizemos a aquisição da Bidu, tendo como principal motivação trazer para dentro de casa um grupo de sócios junto com um time inteiro altamente capacitado, com experiências, conhecimentos e qualificações totalmente complementares aos do nosso time na época. E o melhor de tudo era saber que o time que eu estava trazendo já era extremamente unido, trabalha muito bem junto e compartilha dos grandes valores e sonhos que temos. O resultado disso foi uma integração em tempo recorde e uma empresa muito mais forte e robusta poucos meses depois.

11. Quais as suas dicas para desenvolver um negócio?

Apostar em pessoas: Conseguir juntar pessoas que compartilham dos mesmos valores, da mesma paixão, porém possuam experiências e habilidades diferentes. Priorizar o trabalho em equipe, pois ninguém faz nada sozinho! E dividir responsabilidades, mas também alegrias (modelo de partnership);

Ter propósito: Ter vontade de fazer uma real diferença na vida das pessoas; empreender pelos motivos certos, com um propósito maior (se fizer pensando em ser bilionário já começa errado);

>> Leitura recomendada: 3 razões para o sucesso das empresas com propósito

Ser persistente: Ao quebrar paradigmas e perseguir inovação, é normal encontrar muita resistência ao longo do caminho. Empreender é ter coragem para investir, para enfrentar as rejeições e para mudar, repensar e mudar outra vez. Isso requer resiliência e perseverança.

Flexibilidade: Embora seja importante não dar ouvidos ao “vocês estão loucos! Isso nunca vai funcionar!”, é igualmente importante saber observar e escutar o feedback do mercado para conseguir ajustar continuamente e rapidamente o percurso para um caminho que de fato dê certo e consiga superar os obstáculos que até então ninguém conseguiu superar. Testar, aprender, testar novamente, aprender mais e aplicar este aprendizado em cada etapa, aceitando que o caminho de crescimento e evolução não é uma linha reta.

Acima de tudo, ter humildade: Não existem “grandes verdades”. É importante ter ciência do que você desconhece, do que você precisa melhorar, do que você tem que mudar. Não tente fazer tudo, centralizar tudo ou ser o melhor em tudo. Traga pessoas para perto de você – sejam elas sócios, colaboradores, parceiros, fornecedores – que possuem habilidades diferentes das suas. Lembre que um time bem montado sempre será muito mais forte do que qualquer um individualmente e é preciso ter humildade para reconhecer isso.

12. Quais as principais mudanças em sua rotina nos últimos 5 anos?

Com a ajuda de tecnologia e novas ferramentas, hoje consigo otimizar melhor os meus dias. Além de não precisar mais usar terno e gravata, tenho a possibilidade de me conectar em reuniões com toda a empresa de qualquer lugar, seja pelo computador, pelo iPad ou pelo celular, o que agilizou muito a tomada de decisões e a velocidade de execução das inúmeras frentes.

Quando em 2016 resolvi empreender e criar a Thinkseg, com um time infinitamente mais enxuto do que eu havia montado no BTG, tive que adotar um estilo de gestão mais hands-on e multidisciplinar, trabalhando a quatro mãos, por exemplo, com nossos desenvolvedores para montar os primeiros protótipos de nossa arquitetura. À medida que a empresa vai crescendo, essa dinâmica continua evoluindo. Hoje temos uma equipe mais robusta e bem estruturada, porém os processos são ágeis e o pensamento é de gestão enxuta e eficiente, como é típico do mundo das startups.


“A tecnologia está evoluindo rapidamente e tem um poder incrível quando combinado aos seres humanos.”


13. O que considera como principais tendências de trabalho?

Trabalho Remoto: Apesar de continuar acreditando que o relacionamento pessoal continua sendo muito importante, sobretudo em nosso mercado, que ainda é bastante tradicional, tenho visto cada vez mais que o trabalho remoto funciona e pode ser encaixado como parte do mix para potencializar os resultados do time. Ao entender que o importante é ter foco nos resultados e em extrair o melhor de cada um para trabalhar bem como time, temos aplicado uma política flexível na Thinkseg quanto ao home office, que vai muito do perfil e da necessidade de cada equipe e de cada colaborador. Enquanto alguns precisam ou gostam de ter a estrutura e o ambiente do escritório, outros conseguem produzir muito melhor remotamente. Acredito que vamos ver cada vez mais essa flexibilização sendo implementada nas empresas, mas é importante ressaltar que, para dar certo, precisa ser algo orgânico e intrínseco à cultura da empresa e não casos tratados como exceção.

Uso de tecnologia para aumento de produtividade: Esta é outra tendência que vem ganhando cada vez mais força. Na Thinkseg, estamos sempre tentando identificar processos repetitivos e manuais que poderiam ser automatizados. Usamos inúmeras ferramentas, integrações e bots que nos auxiliam no dia a dia para fazermos mais com menos e para criarmos processos saudáveis e escaláveis. Desde coisas bem simples como um bot integrado ao Slack, para ajudar a coordenar agendas e marcar reuniões, até a criação de alarmes que apontam possíveis problemas técnicos em algum de nossos sistemas, incluindo ainda automatizações e integrações mais complexas com nossos parceiros. Fato é que a tecnologia está evoluindo rapidamente e tem um poder incrível quando combinado aos seres humanos – ela não veio para substituir as pessoas e sim para potencializar o nosso trabalho.

>> Leitura recomendada: Dicas para tecnologia e produtividade andarem lado a lado na sua empresa 

Transparência: Não existe mais a possibilidade de tentar manter caixa preta sobre planos e números. O diferencial geralmente está na execução das ideias e dos projetos. E numa organização onde há transparência e comunicação aberta, há também muito mais alinhamento e agilidade. As pessoas executam muito melhor, porque entendem o contexto e estão comprados e comprometidos com os objetivos definidos. Hoje na Thinkseg, os objetivos e indicadores da empresa, e também de cada área, estão disponíveis para todos os times e são discutidos abertamente num modelo de gestão mais participativo e horizontal em vez de top-down. A mentalidade é prezar pela transparência nas informações, pelo senso crítico e pelo senso de dono de cada um e pela descentralização, visando ganhos de escala, de produtividade e de alinhamento.


“Ao longo de toda a minha trajetória, os relacionamentos que fui construindo foram abrindo inúmeras portas. É fundamental não viver numa bolha.”


14. Como se manter atualizado neste momento de constantes mudanças?

A minha principal dica para se manter atualizado e sempre aberto a novas oportunidades, feedbacks e ideias é construir e alimentar relacionamentos. Ao longo de toda a minha trajetória, os relacionamentos que fui construindo foram abrindo inúmeras portas. É fundamental não viver numa bolha. Além de estar por dentro das notícias e participar de eventos, não deixe de cultivar suas amizades, sejam elas pessoais ou profissionais – para mim, na verdade, não existe uma linha que separe as duas.

15. Como você se vê profissionalmente em cinco anos?

Planejo manter meu foco na consolidação do Grupo Thinkseg. Acredito mais do que nunca no potencial da empresa e em nossa capacidade de revolucionar esse mercado.

16. Que conselhos você daria ao seu ‘eu’ de 10 anos atrás?

Hoje, sou muito mais paciente e ponderado na tomada de decisões. Do mesmo jeito que meu estilo arrojado e obsessivo foi, sem dúvida, determinante para tudo que consegui construir até hoje, vejo com mais clareza que existem situações que exigem essa característica e outras não. Entendo também que não existem grandes verdades e que é preciso ter muita humildade e maturidade para saber escutar, saber ponderar e saber trabalhar bem em time. Esses são alguns dos grandes aprendizados que tenho aplicado cada vez mais em minha gestão.

Tecnologia para acompanhar suas métricas

Mensurando de perto o tempo alocado em cada tarefa, você consegue entender a lucratividade dos seus clientes e a rentabilidade dos seus projetos. Além de oferecer os recursos para acompanhar as horas trabalhadas de cada colaborador, 0 Runrun.it apresenta uma visão completa de tudo que está acontecendo no seu negócio. Com a plataforma, você agiliza o fluxo de trabalho, gerencia os projetos, custos e clientes, distribui as demandas e formaliza a comunicação com a equipe.

Através de um Dashboard customizável, você conta com métricas de desempenho das pessoas e monitora o andamento das tarefas em tempo real. Com o sistema de time intelligence, é possível obter informações que os gestores nunca saberiam e que ajudam na tomada de decisão. Teste grátis agora: http://runrun.it

Entrevistas que você pode gostar:

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>