Cultura de resultados: só se gerencia o que se mede

Cultura de resultados: só se gerencia o que se mede

No que está baseada a sua tomada de decisão? Na intuição, em opiniões ou em dados? Para evitar escolhas ruins, todos devem ser levados em conta. Mas um fator de decisão em especial merece sua atenção: os dados. Sem métricas claras, é impossível compreender se os resultados foram alcançados. O caminho, então, é criar o que chamamos de cultura de resultados.

Cultura de resultados nada mais é do que um estilo de cultura organizacional. Esta, por sua vez, consiste no conjunto de crenças e valores dos líderes da empresa, que emanam e se revelam nas ações cotidianas dos profissionais. Em outras palavras, cultura é aquilo que as pessoas fazem quando você não está olhando.

Neste artigo, vamos falar sobre como fazer sua empresa crescer olhando para os dados e como engajar a sua equipe a partir desses números. E, para te auxiliar a chegar a essas informações, vamos mostrar os pilares para construir uma cultura de resultados. Até porque nem só de pessoas movidas a resultados o seu negócio precisa, mas sim do compartilhamento da visão e dos valores. Aqui, você vai encontrar:

 

Como criar uma cultura de resultados

“Para criar uma cultura de resultados não é preciso procurar por pessoas que sejam movidas por resultados. É preciso encontrar pessoas que compartilhem dos seus valores, e que demonstrem estar genuinamente interessadas em alcançar os resultados esperados pela sua empresa”, define Lou Adler, CEO do The Adler Group, em um artigo para a Inc.

Transparência, objetividade e comprometimento: é sobre esses três pilares que se cria uma cultura de resultados. Vamos entender o que cada um significa.

Transparência

Faça a informação relevante circular dentro da empresa, por meio de diferentes canais. Compartilhe a visão, a missão e os valores com todos, seja por meio de uma planilha Google Sheets, um dashboard ou durante bate-papos semanais. E garanta que o plano de metas acordadas com o board e os investidores esteja expresso num linguajar comum, que todos compreendem.

Diga exatamente como é (“Tell it like it is”). Essa é a principal premissa da transparência de uma empresa. Todo mundo precisa estar a par do momento em que a empresa está vivendo, seja ele positivo ou negativo. Proteger as pessoas para motivá-las não é a missão de um líder.

Para garantir que essas informações estejam ao alcance de todos, você pode colocar em prática na sua empresa a gestão à vista. A metodologia permite divulgar de maneira clara, em um painel, dados e gráficos com o desempenho da empresa e de cada equipe. Com isso, todas as pessoas têm consciência das metas e o que precisam fazer para atingi-las. Com uma ferramenta de gestão do trabalho, você consegue ter todas essas informações organizadas em uma única tela.

Segundo pesquisa realizada pela American Psychological Association (Associação de Psicologia dos Estados Unidos), o problema da confiança no ambiente de trabalho é grave. O estudo revela que 25% dos trabalhadores do país não confiam em seus empregadores. Além disso, apenas metade dos entrevistados acredita que seus chefes são abertos e francos.

Isso deixa claro que a falta de confiança nas lideranças está diretamente ligada à falta de transparência. E, de quebra, mostra a ausência de uma cultura de resultados na empresa. Por isso, uma liderança transparente e que pratica a mensuração de resultados é indispensável para cultivar a confiança entre gestores e seus colaboradores e criar uma nova cultura.

Até porque facilitar o acesso às informações também ajuda no engajamento dos colaboradores e a estimular a “atitude de dono”. Mas qual a importância disso para a gestão? Quando você alimenta o chamado ownership, você faz com que as pessoas se sintam responsáveis pelo sucesso do negócio como se fossem donos, ou sócios da sua empresa. Então, os esforços para atingir os objetivos serão multiplicados pelos funcionários com esse sentimento.

Objetividade

Sempre que possível, tome decisões com base em análises de dados, não em opiniões. Se você tiver dados para apresentar, é possível discutir com a equipe. Se a decisão for com base em opiniões, prevalecerá sempre a da pessoa mais alta na hierarquia.

  1. Quais métricas impactam nos resultados esperados

    Para monitorar os resultados, antes de mais nada, você precisa definir para onde quer ir e as métricas que usará. Então, entende-se a importância dos indicadores de desempenho, também conhecidos como KPIs (Key Performance Indicator). Com eles, é possível quantificar as informações e os dados do negócio de acordo com os seus objetivos, mensurando a performance da empresa.

  2. Quais ações impactam nessas métricas

    Para todo esse processo de mensuração funcionar perfeitamente, não se esqueça de ter em mente o planejamento, a estratégia e as metas da sua empresa. Com ações claras e específicas, fica mais fácil determinar as métricas que vão servir como referência para a análise dos resultados, a tomada de decisão e a criação de melhorias na sua organização.

Lembre-se de, quanto mais hipotéticas e menos embasadas em dados forem essas ações, mais sujeitas a erros elas estarão. Mas muitas delas ainda serão hipóteses. O importante é olhar para os números com visão crítica, pois podem ter sido construídos de forma errada. Se você desconfia que sim, não hesite. Retome o processo e faça novas análises complementares: audite tudo o que for auditável.

Comprometimento

Uma das estratégias que mais tendem a estimular o engajamento e o comprometimento da equipe é a definição de OKRs (Objectives and Key Results), adotada inclusive no Google. Em poucas palavras, é um processo em que cada área propõe as ações que julga necessárias para atingir os resultados (metas) definidos pelos líderes da empresa.

É fundamental haver diálogo para destrinchar esses resultados em ações. As lideranças definem o que é preciso atingir. Então, o especialista de cada área propõe como pode contribuir. Após alguns dias para pensar nas maneiras de realizá-lo, ele defende por que essas ideias valem a pena. Por fim, quem propôs as ações será o responsável pela execução e pelo acompanhamento das métricas.

Neste caso, Mônica Santos, head de RH do Google, comenta, neste vídeo da Endeavor, sobre a importância de monitorar cada etapa dos serviços da sua empresa. Segundo ela, não deve importar somente a entrega do projeto, mas a forma como foi entregue e também a relação existente entre as pessoas envolvidas em sua execução.

De acordo com pesquisa realizada pela consultoria Boston Consulting Group, as lideranças têm um papel decisivo para o desenvolvimento de uma cultura de inovação. Logo, a cultura organizacional e a liderança se complementam.

E, como líder, você é quem irá inspirar as pessoas. Aliás, será que o que você diz é o que sua equipe quer ouvir? Jamais use um discurso vago: demonstre qual o propósito da empresa e o porquê de se levantar todos os dias para estar ali. O que a pessoa está mudando na vida dos clientes e na sociedade? A que se destina essa empresa? Juntar dinheiro por juntar dinheiro é pouco motivador

Sua empresa já está preparada?

Independente do porte da sua empresa, a cultura de resultados é perfeitamente aplicável. Uma grande organização tem a vantagem de ter tido tempo de amadurecer processos e debater ideias. No entanto, numa empresa pequena ou jovem, a presença constante do líder viabiliza a liderança pelo exemplo. O líder emana a cultura da empresa em tudo que faz.

Um teste para saber se sua empresa tem uma cultura presente é observar se uma ação estranha causa desconforto. Quando a cultura é forte, as pessoas sentem na pele que algo vai mal e se manifestam. A cultura serve como um sistema imunológico, um mecanismo de autodefesa. Um outro teste: para entender porque deve demitir uma pessoa, basta entender quais valores ela está ferindo – em geral, são vários.

O fato é que manter as equipes e os colaboradores sintonizados no mesmo objetivo não é fácil. Determinar a direção que você quer seguir e concentrar os seus esforços são apenas o começo para preparar a sua empresa para implementar uma cultura sólida de resultados. O próximo passo a ser tomado é o planejamento de ações para conseguir estruturar tudo.

Segundo o modelo de Paul Lawrence e Jay Lorsch, da Harvard Business School, para a Teoria do Desenvolvimento Organizacional, se tratam de quatro as etapas:

  1. Diagnóstico
  2. Planejamento da ação
  3. Implementação da ação
  4. Avaliação
 

Então, para que as transformações na cultura organizacional deem certo, todas as pessoas sujeitas às mudanças devem participar ativamente delas. Ou seja, os envolvidos devem estudar, avaliar e criticar o modelo proposto pelas lideranças e dar sugestões de melhorias. Assim, as mudanças vão ganhar adesão dos colaboradores e não resistência.

Desdobrando o plano de ações

Agora, para colocar em prática a cultura de resultados na sua empresa, é hora de detalhar os objetivos. O desenvolvimento das metas deve envolver todas as áreas da empresa, da forma mais horizontal possível.

Aqui são necessários 3 passos:

E, para acompanhar o andamento do trabalho, a execução do plano de ações e o  cumprimento das metas, são recomendadas duas formas de reuniões estratégicas para perceber desvios de rumos e retomar o caminho para atingir os objetivos:

Weekly: Uma semanal sobre o progresso das atividades e a análise das métricas das áreas naquele período

Daily: Uma diária, entre os líderes de áreas, para compartilhar o que cada um fez no dia anterior e fará hoje, da forma mais objetiva possível.

Isso serve para imprimir disciplina e organização na realização dos projetos, além de definir prioridades. Com isso, é possível saber se todos estão conseguindo evoluir nas tarefas e passar para a próxima etapa. Já quem está demorando em uma mesma tarefa há dias pode usar esse momento para pedir ajuda aos colegas. E, com as métricas de desempenho e acompanhamento, caso seja preciso, os gestores e líderes podem interceder na execução das tarefas, trocando os responsáveis, ou redefinindo prioridades, para não perder prazos e cumprir o planejamento.

Esse estilo de reuniões diárias, inclusive, faz parte do Scrum, uma das formas de metodologias ágeis. No método, os projetos são divididos em ciclos, que variam de duas a quatro semanas e são chamados de Sprint. Para monitorar o andamento, utiliza-se o Daily Scrum, com reuniões funcionais, normalmente de 15 minutos, realizadas em pé, e onde os colaboradores devem se posicionar sobre o que estão fazendo e os seus obstáculos.

Análise de resultados

Então, após o término de um trimestre, deve-se compilar e analisar os resultados para entender o que foi entregue e o que não foi cumprido de acordo com as métricas estipuladas no plano de ações. Mas por que um trimestre?

Aqui a diferença entre um fechamento trimestral e o anual é como a diferença entre biópsia e necrópsia. Se você faz o trimestral, é como uma biópsia da empresa. Há algo incômodo, mas que ainda pode ser curado para manter a sua operação nos trilhos e retomar o crescimento. No entanto, se deixa para fazê-lo só anualmente, é mais provável que você vá fazer uma necrópsia, e já não haja salvação para o seu negócio.

Quando os resultados não vem

Metas não alcançadas podem indicar que os números projetados estavam equivocados, ou que é preciso modificar as ações para chegar lá. Nessa hora, olhe com honestidade para os dados, a estratégia e os objetivos. Reconhecer quando há um problema nesse processo é o primeiro passo. Ainda que o esforço tenha sido hercúleo, é necessário entender os motivos de os resultados não terem sido atingidos e descobrir por que as pessoas não produziram o esperado.

Até porque muitas ações propostas para alcançar o resultados são hipóteses, lembra? Pois então, se eles não aparecem, questione-se:

Que outras hipóteses eu tenho?

Ou seja, que outras ações você pode tomar para atingir os resultados que a sua empresa precisa. Por exemplo, se você tem uma meta de vendas e não conseguiu batê-la, é necessário pensar se os esforços estão sendo feitos nos clientes certos. Quais passos podem ser feitos para melhorar os resultados? Vale adotar uma estratégia agressiva com mais descontos?

Estamos olhando para a métrica certa?

A revisão de ações e métricas é uma necessidade constante. Ainda no caso de uma equipe de vendas, quais as métricas mais importantes a serem mensuradas de acordo com a sua realidade e para atingir os resultados esperados? O foco deve ser no total de oportunidades geradas, na taxa de conversão, ou na média de negócios. Definir as métricas adequadas e os dados que devem ser mensurados é fundamental para o negócio, pois possibilita a tomada de decisões mais acertada.

O que os casos de sucesso de outras empresas têm em comum? 

No entanto, você não deve ficar preso ao seu universo. É importante saber os processos e o caminho trilhado por outros negócios para conseguir bons resultados. Por isso, vale a pena usar o método de benchmarking para realizar uma análise de mercado e avaliar o que os concorrentes fazem. Monitorar os ‘vizinhos’ será muito útil, pois você poderá adaptar para a sua empresa práticas que deram certo e evitar pontos em que eles falharam.

Mas para aliviar essa sensação de incerteza em relação aos resultados, o ideal é que haja uma forma de adotar a mensuração de dados na sua empresa. Isso pode ser feito por um departamento específico de Data Science, uma área de Business Intelligence ou através de sistemas estratégicos de análise como time intelligence e o próprio BI. Tudo depende do porte do seu negócio. O importante é extrair as informações dos dados.

Uma vez que você tem as respostas, mas não conseguirá enxergá-las enquanto não se debruçar sobre os dados. Já dizia o cientista astrofísico Carl Sagan: “Saber muito não te torna inteligente. A inteligência está na forma que você recolhe, julga, maneja e, sobretudo, onde e como aplica esta informação.”

[Entrevista]: Cultura de resultados com Andrea Deis

Ainda tem dúvidas sobre os benefícios de implantar uma cultura de resultados na sua empresa. Nessa entrevista que realizamos com Andreia Deis, a gestora de carreira, NeuroCoaching e professora acadêmica fala sobre a cultura de resultados e o papel da liderança no desenvolvimento da organização.

Uma ferramenta inteligente para a cultura de resultados

Com a análise dos dados, a sua empresa saberá os reais resultados alcançados e terá os números necessários para tomar decisões importantes. Uma plataforma inteligente de gestão do trabalho, como o Runrun.it, te ajuda em todos os passos para construir essa cultura. Com a ferramenta, você pode automatizar tarefas e processos, mensurar as informações e acessá-las facilmente.

No Runrun.it, o sistema de time intelligence permite, a partir da mensuração do tempo, reunir dados e gerar informações que os gestores nunca saberiam sobre o seu negócio. Além disso, você conta com um Dashboard customizável para criar as métricas que a sua empresa precisa acompanhar e monitorá-las em uma única tela e em tempo real.

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